Viva os 174 anos de Dona Isabel do Brasil!

Viva os 174 anos de Dona Isabel do Brasil!

Nascida no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1846, a Princesa Isabel foi a segunda filha do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina das Duas Sicílias, a primeira menina do casal. Seu nome completo era Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança.

2. Foi herdeira do trono aos 11 meses de idade

Com a morte do irmão D. Afonso Pedro, que morreu aos 2 anos de idade, a Princesa Isabel passou a ser a herdeira presuntiva (título concebido quando não há nenhum outro herdeiro preferível) do trono brasileiro aos 11 meses de idade. Posteriormente, é tirada da sucessão por D. Pedro Afonso, seu outro irmão. Porém, ele também morreu na infância. Dessa forma, o título retornou à Princesa.

3. A primeira senadora do Brasil

Aos 25 anos, a Princesa Isabel foi senadora por direito de dinastia durante o período Imperial. Ocupou o cargo por ser herdeira do trono e, portanto, foi eleita a primeira senadora do Brasil. Além disso, também foi a primeira mulher a assumir uma Chefia de Estado no continente americano.

4. Casou-se aos 18 anos

O casamento, arranjado pelo pai, aconteceu aos 18 anos com o nobre francês Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, o Conde d’Eu. O detalhe é que após conhecer a Princesa Isabel e sua irmã Leopoldina pessoalmente, o Conde as descreveu como “feias”, no entanto, Isabel era “menos feia”.

Em suas próprias palavras, a Princesa Imperial dizia ter “[começado] a sentir um terno amor” pelo conde. O casal ficou noivo em 18 de setembro de 1864.

5. Teve complicações durante suas gestações

Embora quisesse ter filhos nos primeiros anos após o casamento, a Princesa Isabel só engravidou alguns anos depois. Em sua primeira gestação, a criança nasceu sem nenhum sinal de vida, em um parto que durou cerca de 50 horas; na segunda, passou por outra gravidez difícil e dolorosa.

Após estas debilidades, sua fé lhe concedeu consolo, mas a Princesa continuava receosa com sua terceira gravidez, que, no final, se deu com êxito. Por fim, o casal teve quatro filhos.

6. Regeu por 3 vezes o Brasil

A Princesa foi regente do Brasil em 3 ocasiões, todas mediadas pela ausência do pai. E foi na terceira que assinou a Lei Áurea, que aboliria a escravidão no Brasil, motivo pelo qual ficou popularmente conhecida no século XIX como “A Redentora”.

7. Foi mediadora da abolição da escravatura ou esta foi inevitável?!

Embora a Princesa Isabel tenha sido históricamente exaltada como “A Redentora” por ter libertado os escravos, essa atribuição vem sendo livre e abertamente questionada por historiadores. Por um lado, é de conhecimento que várias frentes foram decisivas para a assinatura da Lei Áurea, tal como os quilombos; os abolicionistas convictos e as cartas de alforria, que travaram um processo árduo de luta ao longo da década de 1880.

Rebouças afirmou em seu Diário: “Almoçaram no Palácio Imperial de Petrópolis, 14 africanos, foragidos das fazendas circunvizinhas”. Essa era a disposição da princesa Isabel pela abolição. Dizer que tinha medo de perder o trono também não é verdade, pois estava plenamente consciente disso; a abolição feita de uma vez, sem levar em consideração o que pediam os escravocratas, soava revolucionário. O marido tentou demovê-la, dizendo: “não assine, Isabel, é o fim da monarquia”; ao que ela respondeu: “assiná-lo-ei, Gaston; se agora eu não fizer, talvez nunca mais tenhamos oportunidade tão propícia. O negro precisa de liberdade, assim como eu preciso de satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moralmente, aos demais países civilizados”. E Joaquim Nabuco, um dos grandes heróis do abolicionismo, testemunha no seu Minha formação:

No dia em que a Princesa Imperial se decidiu ao seu grande golpe de humanidade, sabia tudo o que arriscava. A raça que ia libertar não tinha para lhe dar senão o seu sangue, e ela não o quereria nunca para cimentar o trono de seu filho… A classe proprietária ameaçava passar-se toda para a República, seu pai parecia estar moribundo em Milão, era provável a mudança de reinado durante a crise, e ela não hesitou; uma voz interior disse-lhe que desempenhasse sua missão, a voz divina que se faz ouvir sempre que um grande dever tem que ser cumprido ou um grande sacrifício que ser aceito. Se a Monarquia pudesse sobreviver à Abolição, esta seria o seu apanágio; se sucumbisse, seria o seu testamento. Quando se tem, sobretudo uma mulher, a faculdade de fazer um grande bem universal, como era a emancipação, não se deve parar diante de presságios; o dever é entregar-se inteiramente nas mãos de Deus.

Ademais, as divergências dos historiadores apontam a posição alheia a qual a Princesa permaneceu durante grande parte da década de 1880, mostrando-se passível para com a abolição somente quando esta era inevitável. Ao passo que outros relatos salientam que ela abrigou escravos em sua própria casa, além de ser também uma abolicionista, mesmo que a libertação dos escravos não tenha sido resultado de sua benevolência.

8. Possivelmente, encontrou-se com Machado de Assis

Em 13 de maio de 1888, uma missa campal foi celebrada no Rio de Janeiro em homenagem à abolição da escravatura, onde a fotografia em evidência foi registrada, 4 dias após a assinatura da Lei Áurea.

Machado de Assis (Indicado na fotografia acima) notoriamente se encontra próximo à Princesa. Contudo, há discordância entre historiadores quanto a autenticidade da imagem, pois na época era comum “colocar cabeças” artificialmente em fotografias.

Em contrapartida, sabe-se que o autor esteve no local, e que escreveu ao menos duas crônicas sobre a missa expondo a costumeira sátira machadiana. De qualquer forma, é no mínimo interessante a presença do realista e da Princesa Isabel, ambas figuras históricas, no mesmo âmbito.

9. Faleceu e foi enterrada na França, durante o exílio

Como resultado da falta de apoio à Monarquia no Brasil, a República foi proclamada em 15 de novembro de 1889, exilando a família Imperial do país.

Aos 75 anos, a Princesa Isabel faleceu, no dia 14 de novembro de 1921, na França, e lá mesmo foi enterrada. Morreu onde viveu a maior parte dos anos de seu exílio, nos arredores de Paris, no castelo d’Eu. Ela Teria governado por 30 anos, se não caísse a monarquia.

10. Teve o “corpo” transladado para o Brasil depois de sua morte

O “corpo” da Princesa foi transladado para o Brasil em 1971 para seu descanso final. Encontra-se, hoje, sepultada na catedral de São Pedro de Alcântara, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, junto ao seu marido, o Conde d’Eu, D. Pedro II e Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, seus pais.

Fonte: http://acervo.bndigital.bn.br/sophia/index.html

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