Aditivos alimentares, para que servem ? Parte II

Aditivos alimentares, para que servem ? Parte II

Uso em casa

Nem mesmo a alimentação em casa, com alimentos preparados feitos por meio de receitas caseiras tradicionais, está isenta do uso de aditivos naturalmente presentes em diversos ingredientes adicionados propositalmente para alguma função específica. Como exemplos disso temos:

– uso de suco de limão, que contém ácido cítrico e ácido ascórbico e age como antioxidante para maçãs e bananas fatiadas evitando seu escurecimento;

– essência de baunilha como aromatizante em doces;

– gema de ovo, que contem lecitina e que age como emulsificante permitindo a mistura homogênea com óleo para o preparo de maionese;

– vinagre, que tem ácido acético, usado na produção de conservas de vegetais (pickles);

– corante caramelo, feitos com o aquecimento de açúcar e usados em doces como pudins.

Com o conhecimento da natureza e os aspectos que afetam os alimentos foi possível utilizar de forma racional e segura essas substâncias que são essências para o aproveitamento dos alimentos, reduzindo os preços, diminuição da fome e aumento do bem-estar e longevidade das pessoas.

O uso de aditivos alimentares são fruto da observação dos efeitos desejáveis que ingredientes naturais faziam nos alimentos quando adicionados nesses. A tecnologia moderna só observou esses efeitos e incrementou seu uso extraindo ou criando novas moléculas mais práticas, mais disponíveis e mais eficientes.

Segurança sempre

Todos os aditivos são amplamente utilizados nos alimentos, principalmente os alimentos processados (aqueles que não estão na forma in natura ou são consumidos frescos) e seu uso está dentro de rigorosos exigências legais e de segurança.

O importante para se saber dos aditivos é que o uso deles é específico para cada tipo de alimento (não se usa qualquer aditivo em qualquer alimento), são adicionados em quantidade bem limitada estabelecida com uma grande margem de segurança com base em dados científicos, (isso garante que, antes que alguém morra por toxidade do aditivo essa pessoa já teria falecido de rompimento estomacal de tanto alimento ingerido), e o mais importante, são seguros para consumo quando utilizados dentro das previsões e quantidades definidas.

Para estabelecer as quantidades máximas de uso de um aditivo, testa-se experimentalmente a doses até descobrir a dose máxima que não provocam efeitos adversos em animais de experimentação, como roedores. Essa valor é dividido por um fator de segurança de 100 vezes. Assim, a concentração máxima permitida de uso nos alimentos é calculada para que o consumo nunca chegue nem ultrapasse esta dose máximo. Contudo, mesmo que ultrapassa-se essa concentração, em, por exemplo, um caso de uso inadequado, acidental ou fraude em alimento, a dose consumida corresponderia a 100 x menos que a maior dose que NÃO tem efeito colateral em um animal de experimentação!

É por isso que o uso de aditivos nunca esteve relacionado a nenhum caso de intoxicação documentado por ingestão de alimentos que os continham, e seu uso adequado é considerado um risco quase inexistente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Até alimentos destinados para crianças na primeira infância, acima de 12 meses de vida, podem ser adicionados de aditivos. No Brasil !? Não, no mundo inteiro.

Aditivos, naturais ou artificiais, são aditivos, tem uma ou mais funções específicas, precisam provar seu segurança para consumo humano e sua eficiência tecnológica em limites bem definidos no alimento específico.

Imaginando….

Continuando o exercício de imaginação, sabendo de todos estes fatos, podemos imaginar como seria a alimentação, e a sociedade como um todo, sem o desenvolvimento tecnológico que produziu os alimentos processados e adicionados de aditivos.

Imagine como seria a falta de opções e de variedade de produtos nos mercados sem a possibilidade de variação de sabores e versões como sem cafeína, sem gordura, de baixa caloria, ou sem açúcar ? Imagine a impossibilidade de conhecer uma comida ou bebida produzida a mais do que algumas centenas de quilômetros (ex. um vinho francês ou um doce oriental) devido a pouca durabilidade ao tempo e as condições de transporte? Imagine a montanha de resíduos e de alimentos estragados e em decomposição que seriam formadas atraindo pragas animais, exalando cheiros a quilômetros e causando a poluição de águas e do meio ambiente? Imagine, devido a isso, como os alimentos se tornariam menos disponíveis e seriam caros e inacessíveis para a maior parte do público? imagine o problema da fome mais comum e generalizado e suas consequências para a ordem social ?

Muitos que condenam alimentos processados e “com química” nunca imaginaram um cenário tão adverso como este, provavelmente por desconhecimentos dos fatos, ou simplesmente por desconsideração frente ao ambiente farto e que vivem atualmente.

Mas um simples trabalho de reflexão e olhada no passado mostra como a tecnologia e avanço tecnológico melhoraram nossas vidas, mesmo a vida daqueles que se negam a admitir isso, e que só no presente podem escolher “não escolher” alimentos artificiais e processados, pois a carência, a desnutrição e inanição do passado não fazem mais parte das opções nas suas escolhas.

 

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