1. Histórias do Brasil: Do Lápi-lazúli ao caminho para as Índias

1. Histórias do Brasil: Do Lápi-lazúli ao caminho para as Índias

A história da Civilização Brasileira começa muitos e muitos séculos antes das Grandes Navegações. Podemos dizer que sua primeira semente improvável surgiu há 7 mil anos, a partir das rotas que comercializavam uma bela rocha azulada chamada Lápis-lazúli.

O lazúli era transportado do Afeganistão para o Oeste, até a Índia, e para o Leste, até a Mesopotâmia e o Egito. Por volta do século V a.C., o Imperador Persa Dario I aproveitou partes desses mesmos trajetos para construir a Estrada Real Persa. Ao longo dos séculos seguintes, utilizando essas rotas, o comércio entre o Oriente e o Ocidente cresceu em ritmo acelerado. Um novo impulso viria durante os 13 anos do reinado de Alexandre Magno.

 Alexandre não era exatamente uma figura imponente: tinha heterocromia (um olho escuro, outro claro), o pescoço levemente torcido para a esquerda, e uma estatura baixa para os padrões da época, embora forte e resistente. Entre 336 e 323 a.C., esta figura lendária conquistou um território que se estendia da Grécia ao Egito e até o noroeste da Índia, espalhando a cultura grega, fundando dezenas de cidades e facilitando o comércio. Alexandre morreu aos 32 anos de idade, invicto em todas as suas batalhas. Até hoje, é considerado um dos comandantes militares mais bem sucedidos da história.

A morte súbita de Alexandre fragmentou seu império. Ele não tinha herdeiros e as guerras entre seus “sucessores” duraram mais de 40 anos, até que, por fim o Mundo Helênico foi dividido entre Ptolomeus (Egito), Selêucidas (Mesopotâmia e Ásia Central), Atálidas (Ásia Menor) e Antígonos (Macedônia). Apenas por volta de 31 a.C., quando os Romanos conquistaram o Egito Antigo, o tráfego entre o Sudeste Asiático, o Oriente Médio e a Europa voltaria a florescer – e o faria em um nível inédito.

Todos estes intercâmbios culturais e comerciais tomaram mais um impulso com a expansão do Império Mongol nos séculos XIII e XIV: até a ascensão máxima do Império Britânico em 1920, o Império Mongol era simplesmente o maior império que o mundo já havia testemunhado. O Império Mongol, cujo ápice durou de 1270 a 1309, possuía uma população de 110 milhões de pessoas distribuídas em uma área de 24 milhões de Km2 – o equivalente a 16% da área terrestre do planeta e mais de 25% da população mundial de então. Nenhum Império jamais foi capaz de ostentar uma extensão territorial contígua comparável a isto.

A maior estabilidade política trazida pelo poderoso Império iniciado por Gengis Khan permitiu que a Rota da Seda inundasse a Europa com produtos vindos principalmente da China. Acompanhando estes produtos vieram transferências tecnológicas importantíssimas como a pólvora, o astrolábio, o compasso e mapas mais práticos.

Assim como ocorreu na época de Alexandre Magno, o desmoronamento do Império Mongol teve um efeito devastador na Europa. Em 1400, com o desaparecimento da unidade política e da segurança das rotas de comércio com o Oriente, os caminhos foram praticamente fechados e os comerciantes europeus começaram a procurar rotas alternativas para as “Índias”.

Não é exagero afirmar que o fim do Império Mongol foi uma das principais motivações para o início das Grandes Navegações, que levariam Colombo ao Mar do Caribe em 1492 e trariam Pedro Álvares Cabral ao litoral da Bahia em 1500. Mas algumas coisas importantes aconteceriam antes que a armada de Cabral jogasse suas âncoras perto do Monte Pascoal.

Imagem em destaque: Lapis Lazuli India, Awake Robin Designs


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