As grandes cervejeiras- parte II

Antarctica

 Anúncio 1907
Em 1885, foi fundada a Antarctica que inicialmente era um abatedouro de suínos, de propriedade de Joaquim Salles junto com outros sócios, localizada no bairro no bairro de Água Branca, na cidade de São Paulo.
– A empresa possuía uma fábrica de gelo com capacidade ociosa e isso despertou o interesse do cervejeiro alemão Louis Bücher, que desde 1868 possuía uma pequena cervejaria.
Em 1888, os dois empresários se associaram, e criou-se a primeira fábrica de cerveja do país com tecnologia de baixa fermentação, com uma capacidade de produção de 6 mil litros diários.
Em março de 1889, a Antarctica teve seu primeiro anúncio publicado no então jornal “A Província de São Paulo” (atual Estado de São Paulo):
“Cerveja Antarctica em garrafa e em barril – encontra-se à venda no depósito da fábrica à Rua Boa Vista, 50”.
Em 1889, sob a perspectiva do contexto histórico, o Brasil passou da fase Monárquica para a República.Nesta época o Brasil efetivamente iniciava seu processo de industrialização.
Em 17 de janeiro de 1890, o Decreto nº. 164 regulamentou e deu novas liberdades à existência das Sociedades Anônimas.
Em 1890, a Antarctica aumenta o seu quadro de funcionários para 200 e a sua capacidade de produção passa a ser de 40 mil hectolitros/ano.
Em 09 de fevereiro de 1891, foi oficialmente fundada a “Companhia Antarctica Paulista” como sociedade anônima, com 61 acionistas.
Em 15 de maio de 1891, o decreto n°. 217, firmado pelo presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca autorizou a Companhia Antarctica Paulista a funcionar com os estatutos apresentados dentro da legislação vigente na época.
Inicialmente a empresa não tinha um foco muito claro de negócios, atuando na fabricação de cerveja e refrigerantes, assim como na fabricação de banhas e presuntos, fábrica de gelo e manutenção de câmaras frias para estocagem de alimento.
– Entre os acionistas estavam João Carlos Antonio Zerrenner, alemão e Adam Ditrik Von Bülow, dinamarquês, ambos naturalizados brasileiros e proprietários da empresa Zerrenner, Bülow e Cia., exportadora e corretora de café.Eles importaram equipamentos da Alemanha para modernizar a produção de cerveja e os financiaram para a Antarctica.
Em 1893, houve uma desvalorização da moeda e a Antarctica esteve por decretar a falência, quando Zerrenner e Bülow decidiram trocar seu crédito por um aumento de participação na empresa, tornando-se desta forma acionistas majoritários e assumindo o controle da empresa.
A sob a direção da Zerrener, Bülow & Cia. a empresa foi reorganizada e focou-se na fabricação de cerveja e refrigerantes.A partir de então recuperou-se e passou a crescer rapidamente.
Em 1904, adquire o controle acionário da Cervejaria Bavária, na Moóca, que pertencia a Henrique Stupakoff & Cia.Neste local em 1920, passou a se situar a sede do Grupo Antarctica.


Década 1930

– Após os primeiros anos de alguma indefinição e de contínuas mudanças, a firma estabilizou, tornando-se numa das maiores empresas brasileiras do sector das bebidas.
Em 15 de agosto de 1911, os negócios da empresa expandiram rapidamente, foi fundada a “primeira filial”, em Ribeirão Preto/SP.
Em 1920, a Antarctica vendeu a “baixo preço” o terreno de 150 mil metros quadrados onde hoje está o Palmeiras, em troca de um contrato perpétuo de venda dos produtos da companhia.
Nota:Ironicamente, hoje em dia só se vende produtos da Coca-Cola, dentro das dependencias do clube e no Parque Antarctica.
Em 1923, morre Adam Von Bülow deixando 5 filhos como herdeiros, dos quais dois vendem ações da companhia ao sócio Zerrenner, que se torna majoritário.
– O filho primogênito Carl Adolph Von Bülow passa a representar a Família dos Von Bülow na direção da empresa.

1924

A partir de 1930, Antarctica e Brahma passaram a eliminar quase todas concorrentes e dividiam a liderança da produção de cerveja no Brasil.

Frota de entrega 1930

Em 1933, morre João Carlos Antonio Zerrenner sem deixar herdeiros e seu testamento pedia que seus bens fossem enviados à Alemanha.
– O testamento foi anulado e os bens passaram para a esposa Helene. Esta faleceu em 1936 sem deixar herdeiros no Brasil e os bens de passaram para a Fundação Antonio e Helena Zerrenner.
– O testamenteiro Walter Belian se torna administrador da Antarctica mantendo um “gentlement agreement” na administração da empresa junto com a Família Bülow, que foi rompido em 1942 após a morte de Carl Adolph Von Bülow.
– Seguiu-se então uma longa disputa pelo controle da companhia, a filha de Adam Ditrik Von Bülow Andrea de Morgan Snell que tinha guardado suas ações nomeou seu marido Luis de Morgan Snell como presidente do grupo atè 1952.Em 1975, morreu Walter Belian.
Em 1939, houve um fato curioso, quando Ademar de Barros, interventor federal do Estado Novo de Getúlio Vargas ocupou militarmente a Antarctica e prendeu seus diretores, por considerar que a empresa era “uma propriedade de alemães”. Posteriormente, o próprio Getúlio Vargas interveio, desculpando-se junto à empresa pelo mal entendido.
Em 1940, os proprietários da Companhia Antárctica PaulistaAntonio e Helena Zerrener, alemães de nascença, faleceram e não deixaram herdeiros.
– A companhia passou então por diversas mãos, até ser comprada por vários investidores e se tornar na Companhia Antarctica Paulista – Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos, com fábricas em Bom Retiro (Cerveja Progresso e cerveja preta) e na Mooca (cervejas claras e conexos).
– Esta reformulação da empresa permitiu-lhe crescer e ficar mais forte, lançando-se então numa sucessão de aquisições, sendo talvez a de maior destaque a da Cervejaria Adriática, instalada em Ponta Grossa – PR.Esta companhia, pertencente à Família Thielen, de origem alemã, com destaque na indústria cervejeira, principalmente através da cerveja “Original”, produzida, quase como a conhecemos ainda hoje, desde 1930.
– O desenvolvimento da Antarctica passou também pela constituição de uma maltaria própria, em Jaguaré, São Paulo, e por mais uma aquisição, nomeadamente o antigo prédio da Fábrica de Cerveja e Gelo Colúmbia, em Campinas – SP, que passou a servir de depósito à fábrica adjacente. Infelizmente, esse prédio encontra-se vazio e abandonado desde 1989.
Somente em 1944, a Fundação Brasileira conseguiu incorporar ao seu patrimônio os bens deixados pela viúva do casal Zerrener, que contavam 58,74% do capital social.
– A partir desta data, a empresa voltou-se à expansão da produção, importando maquinários da empresa americana Geo J. Meyer Mfg.
Em 1960, a Antarctica celebrou 75 Anos de história possuindo, com capacidade de produção de 3,9 milhões de hectolitros/ano, número que engloba cervejas e refrigerantes.
– À medida que as vendas iam crescendo, também aumentava o número de empresas concorrentes.
Em 1961 a Antarctica adquiriu a Cervejaria Bohemia, produtora da excelente e muito antiga do Brasil, a cerveja “Bohemia” e também do “Guaraná Petrópolis”, grande concorrente do “Guaraná Antarctica”.Para eliminar esse foco de competição, a Antarctica adquiriu o controle acionário da Cervejaria Bohemia, marca essa que ainda hoje faz parte do portefolio da AmBev.
Em 1972, com as constantes aquisições, a Antarctica tinha-se tornado num gigante industrial, sempre atento a novas oportunidades de mercado e a tendências de consumo.Pelo caminho, outras empresas iam ficando sob a sua alçada, como:- Polar, próspera empresa do estado do Rio Grande do Sul,- Cerman,- Cervejaria Catarinense (que se instalou em Joinville, em 1938),- Companhia Cervejaria Paulista, esta firma, de grandes tradições e instalada em Ribeirão Preto desde 1911, iniciou uma tradição nesta cidade, local onde abririam inúmeras choperias, entra as quais a muito famosa “Pingüim”, ao lado do Theatro Pedro II.- De fato, não é por acaso que Ribeirão Preto é denominado a “Capital do Chope”.
Em 1973, foi caracterizado por um conjunto de medidas postas em prática pela diretoria da Empresa, tendo em  vista a descentralização das atividades industriais e comerciais do complexo empresarial Antarctica.
– Nesse ano foram constituídas empresas com personalidade jurídica própria, em vários Estados brasileiros, a saber:a) Companhia Sulina de Bebidas Antarctica, com sede em  Joinville, Estado de  Santa Catarina, que passou a operar a partir de abril de 1973, com a incorporação das unidades de Ponta Grossa e Curitiba;b) Cervejaria Antarctica Niger S/A, de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, resultante da fusão, no mesmo ano, da Cervejaria Antarctica de Ribeirão Preto S/A, com a Cervejaria Níger S/A;c) Indústria de Bebidas Antarctica do Rio de Janeiro S/A, resultante da Fusão da Cervejaria Antarctica da Guanabara Ltda, com a Companhia Cervejaria Bohemia, de Petrópolis.
A década de 1970 é feita em grande, com mais uma mão cheia de aquisições e inaugurações:- Cervejaria Pérola de Caxias do Sul – RS,- Companhia Itacolomy de Pirapora – MG.
Por Curiosidade:– Refira-se que a produção da cervejaria em Pirapora foi estrategicamente transferida e centralizada, em 1998/99, na cidade de Jacarepaguá – RJ.
Em 1973, são também constituídas novas filiais em Goiânia – GO, Montenegro – RS, Rio de Janeiro – RJ e Viana – ES.
– Nos anos seguintes são inauguradas as filiais no Rio Grande do Sul e Teresina.
– O desenvolvimento exponencial da firma foi também acompanhado por um crescente interesse no campo científico e tecnológico. Para isso, a Antarctica decidiu ampliar a sua maltaria, situada em São Paulo, adquirindo, ao mesmo tempo, uma área de 14,32 hectares em Paulo de Frontin – PR, destinada à pesquisa e experimentação agrícolas com a cevada cervejeira.
– Assegurada que estava a sua estabilidade e representatividade em território brasileiro, importava agora abraçar novos desafios e explorar outros mercados.
Em 1979, a Antarctica começa a exportar cerveja para EUA, Europa e Ásia.
Os anos 1980, foram dedicados à internacionalização da companhia, iniciando-se então a exportação de produtos da Antarctica para a Europa, Ásia e Estados Unidos.
– Curiosamente, o produto que acabou por ter mais sucesso foi o “Guaraná”, já que as cervejas da marca tiveram algumas dificuldades em se impor nos mercados mencionados.
Em 1980, a comercialização de produtos para outros países, obrigou a um aumento na produção de bebidas, não sendo de estranhar o valor de 16,4 milhões de hectolitros/ano.
– Para conseguir igualar a procura, foi necesssário a compra de mais fábricas e a abertura de novas filiais.
Em 1980, é adquirido a Cervejaria Serramalte, com as suas fábricas de Getúlio Vargas e Feliz – RS.Esta companhia, fundada em 1953, tinha como origem a Cervejaria Ruschel, fundada por Victor Ruschel tendo, posteriormente, passado a designar-se por Cervejaria Polka, até chegar ao nome de Cervejaria e Maltaria da Serra Ltda. (Serramalte).Ao longo dos anos, apresentou uma evolução extraordinária, cotando-se mesmo como uma das maiores da região e do estado e uma das principais do ramo no país.Do início das suas atividades até 1957, a indústria funcionou apenas com o sector da maltaria, sendo que a venda da sua produção se limitava às regiões Central e Norte do país, enquanto era construída e montada a cervejaria.A 24 de Junho de 1957, foi lançada a primeira cerveja “Serramalte”, produto que ainda hoje é vendido pela AmBev.Todavia, a compra das fábricas da Serramalte continuava a ser insuficiente.
Em 1985, se inicia a construção de uma Fábrica da Antarctica em João Pessoa – PB, que começa a laborar três anos mais tarde, altura em que é também inaugurada a Fábrica de Cervejas Antarctica no Rio de Janeiro, com capacidade de produção de 3,5 milhões de hectolitros/ano.
O número de filiais não para de crescer, algumas:- Filial Jaguariúna – SP,- Filial Canoas – RS,- Filial Cuiabá – MT, enfim, muitas e espalhadas um pouco por todo o Brasil, num total de 25.
Em 1988, a Antarctica comemorou já o seu 100 Anos, tendo lançado para o efeito uma garrafa comemorativa.
A última década do século XX, é aproveitada pela Antarctica para renovar a sua gama de produtos, começando pelo lançamento da “Kronenbier”, uma das primeiras cervejas sem álcool do mercado brasileiro.
– Muitas outras surgem, novas ou apenas renovadas:– a Antarctica Bock, a Polar, a Polar Pilsen, a Bavária Premium, a Antarctica Pilsen Extra em long neck, a Antarctica Pilsen em long neck com rótulo metalizado e ainda a Bavária Pilsen em garrafa 600ml descartável e em lata.
Em 1994, adquire a Cervecera Nacional, na Venezuela.
– Há finalmente que destacar o acordo entre a companhia e a gigante cervejeira norte-americana Anheuser-Busch no sentido de ser constituída a Budweiser Brasil, que tinha como objetivo a distribuição da cerveja “Budweiser” nos postos de revenda da Antarctica e, em troca, a venda do “Guaraná Antarctica” nos Estados Unidos.
Em 2000, a Antarctica fundiu-se com a Brahma, formando a AmBev, que se torna a quinta maior cervejaria do mundo.
Em 30 de março de 2000, o CADE aprova a fusão da Antarctica e Brahma.Para que a fusão fosse aprovada, foi necessário vender:- a marca da cerveja “Bavária”, além das fábricas de Ribeirão Preto/SP, Getúlio Vargas (RS), Camaçari/BA, Cuiabá/MT e Manaus/AM que foram vendidas para a cervejaria canadense Molson.
Os produtos da Antarctica:
1912: lançada a Soda Limonada Antarctica.1921: lançado o Guaraná Antarctica.1935: Os famosos pingüins de Antarctica passaram a integrar o seu rótulo, acompanhados de uma estrela dourada.1979: Passou a ser exportada para os Estados Unidos, Europa e Ásia.2001: Novas alterações nos seus rótulos: o rótulo retangular atravessado por uma faixa azul – que lhe rendeu este apelido – mudou com a introdução da cara que se conhece hoje, mas sempre mantendo seu símbolo maior, os pingüins.

Decada 1940

Aos grandes pesquisadores.
Textos adaptados:– Algumas informações aqui contidas, utilizou como base o site Cervisiafilia:   http://cervisiafilia.criarumblog.com/

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