Fake News Lunares

Fake News Lunares

 

“Este é um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”

                Neil Armstrong

 

A lua sempre foi alvo de teorias e especulações variadas, desde as mais céticas, afirmando que seu solo nunca foi calcado por pés humanos, até as mais surreais, onde teoriza-se a existência de formas de vida no satélite natural. E por isso ao longo da história, várias notícias e hipóteses foram divulgadas acerca da lua, sendo muitas delas desmentidas após terem sido divulgadas ao público de forma falaciosa, causando cada vez mais mistério acerca do satélite natural.

Neste sentido, uma das primeiras fake News lunares que se tem notícia, foi publicada em 25 de agosto de 1835, a exatos 185 anos atrás, onde no penny press de nome New York Sun, a primeira página destacava: “GRANDIOSA DESCOBERTA ASTRONÔMICA FEITA POR JOHN HERSHEL NO CABO BOA ESPERANÇA”, no bojo do jornal que custava um centavo de dólar, era noticiado que um astrônomo de nome John Hershel, tendo desenvolvido um super telescópio, conseguirá visualizar formas de vida e construções no solo lunar. Segundo o pseudo astrônomo, haviam formas de vida humanoides dotadas de asas semelhante a de morcegos, bem como castores bípedes e seres fabulosos como unicórnios, e que os humanoides viviam em edificações semelhantes a templos.  Ao todo foram produzidas seis publicações detalhando a vida na lua, transcritas por um suposto Dr. Andrew Grant, os relatos do astrônomo John Hershel, que teria desenvolvido em Cabo Boa da Esperança, na África do Sul, um observatório com um poderoso telescópio, e que fora através desse equipamento que o astrônomo conseguiu visualizar de forma detalhada as formas de vida lunares. Todavia como na maior parte das notícias sensacionalistas, onde a fonte de veracidade raramente é palpável, o suposto telescópio foi destruído pouco tempo depois em um incêndio no observatório, causado pela poderosa lente do equipamento ao ser exposta aos raios solares.

Levando-se em conta o fato de que na época não havia a internet e eram parcas as formas de ratificar-se a veracidade de uma informação, a notícia ganhou destaque, chamando a atenção até mesmo de um grupo de cientistas de Yale, que buscou aprofundar-se nas informações, todavia, a equipe técnica do New York Sun, esquivava-se de lhes prestar maiores informações, fazendo com que os catedráticos retornassem para Yale sem nada que corroborasse com a história.

Os motivos pelo qual o penny press realizou a publicação falaciosa, especula-se primeiramente que sejam financeiros, uma vez que por tratar-se de um jornal de qualidade inferior, vendido a um centavo de dólar, a notoriedade adquirida com tal notícia, atrairia grande atenção para o jornal e uma possível atenção comercial, o que de fato foi efetivo, pois as vendas do jornal aumentaram vertiginosamente após a publicação. A segunda teoria, mais filosófica, aponta para o fato de que os redatores do New York Sun estariam satirizando as teorias propostas por astrônomos da época, como o germânico Fraz Gruthuisen, que em 1824 afirmara que a lua estava composta por edificações, canais irrigados e lavouras de uma possível civilização inteligente. Bem como levando-se em conta que um dos supostos autores das publicações fantasiosas ser o cético, Richard Adams Locke, um professor de inglês que atuava como redator no jornal e que era opositor das teorias de Thomas Dick, um cristão que de forma polemica afirmava que o sistema solar era composto por mais de 21 trilhões de habitantes e que na lua habitavam quatro trilhões de formas de vida.  Nunca se soube ao certo a identidade do autor da matéria falaciosa, entretanto, em setembro do mesmo ano da publicação, o jornal admitiu a falsidade da publicação, todavia as vendas do jornal não diminuíram após a farsa ser desmentida.

Como legado do incidente nominado de O Grande Engodo da Lua, tudo que está relacionado a astronomia e a busca a formas de vida fora da terra caiu em descrédito, fazendo com que até hoje exista uma forte corrente de teóricos que afirmam que as viagens do Programa Apollo até a lua sejam uma farsa, onde os argumentos também variam dos mais fantasiosos, afirmando que todo o conteúdo audiovisual do primeiro contato humano com a lua tenha sido produzido pelo cineasta Stanley Kubrick, teoria defendida pelo movimento terraplanista. Até alguns argumentos dotados de embasamento cientifico, como as teses levantadas por Bill Kaysing, em seu livro We Never Went To The Moon, de 1976, um dos principais pontos apontado pelos partidários dessa teoria, é o fato de que havia uma acirrada corrida por tecnologias entre Estados Unidos e União Soviética na época, e com o intuito de mostrar superioridade aos soviéticos, os americanos forjaram a aterrissagem da Apolo 11, uma vez que já haviam perdido para a Rússia com o pioneirismo de Iuri Gagarin ser o primeiro homem a viajar para o espaço, e para horror dos terraplanistas relatar que a terra é um imenso globo azul.

Outro ponto, que é defendido com unhas e dentes pelos descrentes do homem na lua, é o fato da bandeira Norte Americana tremular no momento em que era fixada no solo lunar, todavia, a levando em conta a falta de gravidade do satélite natural, a bandeira possuía uma haste horizontal para mantê-la visível (como mostrado no videoclipe da música Amerika da banda Rammstein). Também é ponto de argumento, as sombras projetadas pelos astronautas durante a filmagem, entretanto, esse é um dos argumentos mais fácil de ser dirimido, levando-se em conta de que a lua não possui luz própria, recebendo iluminação dos raios solares, sendo desta forma as fases da lua definidas pela sobra da terra projetada contra o satélite natural no efeito albedo (menos um ponto para os terraplanistas), e por assim ser, não resta dúvidas de que assim como na terra, que também recebe luz solar, os objetos produzem sombra, na lua não haveria motivo para distinção.

Existem mais algumas dezenas de argumentos levantados pelos descrentes da ida do homem a lua, porém a grande maioria cai por terra com dados técnicos, bom como o fato que torna totalmente impossível que os norte-americanos tenham forjado tal feito, é o fato de que no projeto da Apolo 11 estavam envolvidas mais de 400 mil pessoas, que assim como no dito popular que versa não existir segredo entre mais se uma pessoa (salvo se uma delas estiver morta), seria totalmente impossível manter tantas pessoas caladas se fosse realmente uma farsa, bem como é mais que evidente que tal farsa seria descoberta pelos espiões soviéticos espalhados nos Estados Unidos.

Em suma, ao falar-se sobre a lua, além de inspirar poemas e músicas demasiadamente piegas, ela está envolta em mistérios, e por este motivo, serviu de inspiração para lendas e folclores de todas as partes do mundo, e como consequência de todo este mistério, cercada também de controvérsias e notícias falsas como o famoso Engodo da Lua do 1835, bem como o contemporâneo movimento de descrentes da ida do homem a lua, no qual a maioria dos argumentos cai por terra, principalmente a tese de que Stanley Kubrick teria produzido a filmagem, uma vez que ela está muito aquém do trabalho do cineasta, exceto a pergunta que paira no ar: Porque não houveram mais viagens a lua depois de 1972? Teriam os astronautas sido hostilizados pelos humanoides alados que habitam a lua, descritos no New York Sun?

 

Referência Bibliográfica:

HANSEN, James. O Primeiro Homem: A Vida de Neil Armstrong. Intrínseca. 2018.

HERSCHEL, John Frederick William. Preliminary Discourse on The Study of Natural Philosophy. Library of Alexandria. 2017.

KAYSING, Bill. We Never Went To The Moon: American’s Thirty Billion Dollar Swindle. Mokelumne Hill. 1976.

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