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Paradoxos Teológicos: Onipotência!

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”;

Colossenses 2:8

 A fé no sobrenatural é baseada na crença em forças intangíveis no qual as faculdades humanas são incapazes de mensurar. Nesta senda, ao debruçar-se sob o prisma da ciência teológica, o homem depara-se com vários paradoxos, e como se em seu caminho fosse obstruído por uma enorme pedra, no qual para poder prosseguir, a estrada bifurca-se entre dois atalhos fáceis, o primeiro é o da negação, recusando-se a aceitar a existência do divino diante da impossibilidade de dirimir a hipótese paradoxal encontrada. E o segundo caminho, a aceitação, acolher a existência do sobrenatural, sem questionar ou buscar compreender o seu caráter e suas nuances. Todavia, através do método científico cartesiano de estudo, é possível dissertar sobre os mistérios da fé, e por mais que não se chegue ao denominador comum, será possível analisar todas as suas variáveis. Nesta esteira, um dos principais paradoxos debatidos no campo da teologia está relacionado a Onipotência de Deus.

Um dos principais cavalos de batalha daqueles que optam pelo caminho da negação do divino, baseiam-se na hipótese da pedra, onde é argumentado: “Poderia Deus criar uma pedra que não consiga erguer? ” As respostas predefinidas desta hipótese são capciosamente inclinadas para a negação, onde ao afirmar-se que Deus conseguiria criar tal pedra, ele não seria onipotente por não ergue-la, e se não consegue criá-la, igualmente não é onipotente por ser limitado. Assim sendo, como na teoria do Gato de Schödinger, onde ambas as alternativas apresentam o mesmo resultado apoiado no princípio da incerteza, buscando colocar os defensores da fé em cheque, e sem possibilidade de respostas razoáveis.

No entanto, o que dificilmente é observado pelos próprios defensores desse paradoxo, é o fato de existir uma terceira variável, onde se a pedra foi criada para não ser levantada, seria ilógico levantá-la, afastando desta forma o cerne da questão a possibilidade da pedra ser criada, para a possibilidade de existir lógica em criar-se tal objeto. Ou seja, a pergunta está errada desde o seu início, sendo inconcebível tal desatino, pois baseia-se em um falso conceito de possível. Onde o possível circunda a realidade do próprio Deus, sendo desta forma, para Deus realizar tudo que é possível sem que haja contradição, pois por exemplo, poderia Deus criar um círculo quadrado? Se fosse criado, não seria um círculo, e sim um quadrado propriamente dito. Ou então poderia Deus fazer com que a soma de dois mais dois resultasse em cinco?

Deste modo, tudo que foge do universo das possibilidades entra no campo do “não ser”, onde o “ser” é o limite dos possíveis, e mesmo o “ser” de Deus sendo ilimitado, jamais poderia Deus pecar, ou não amar a humanidade. Diante disto, entende-se que Deus não criaria a pedra hipotética por limitação do seu poder, Ele não criaria por não existir tal hipótese dentro do campo das possibilidades do “ser”, e que não entre em contradição lógica, que também vai de encontro a qualidade divina da Onisciência, uma vez que Deus dotado de tal qualidade jamais iria enganar-se criando algo que fugisse de sua possibilidade, onde na mais singela possibilidade criaria uma pedra no qual não desejaria erguer. Bem como tal dilema colide também com a terceira qualidade divina, a onipresença, pois Deus sustenta o universo, e está em todo o plano material, e portanto, de onde, e para onde ele moveria a pedra?, se ao criá-la ele já estaria a sustentá-la!

Em suma, dentro da onipotência Deus, tem o condão de fazer coisas impossíveis, incluindo aquelas que fogem a capacidade lógica humana, naquilo que Aristóteles definiu como não categoremático, pois dotado de sua natureza sobrenatural, não está preso as limitações terrestres transcendendo as nuances lógico-estruturais humanas. Desta forma, diante da intangibilidade de limitações humanas, Deus poderia sim criar uma pedra no qual ele não seria capaz de levantar, e mesmo assim levantar a referida pedra, pois a natureza divina é baseada da possibilidade de tornar possível tudo aquilo que é humanamente impossível, sendo esta grande virtude divina que faz com que Deus seja onipotente, e por mais que levantem-se teorias ou paradoxos falaciosos, buscando limitar, ou defenestrar a natureza divina, todos os argumentos cairão por terra, pois limitam-se unicamente em conceitos terrenos, no qual a metafísica divina é inalcançável para ser dissecada e analisada sob o prisma humano, cabendo somente a aqueles que creem suportarem e refutarem do forma retórica as falácias contraditórias de oposição a fé.

“Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos”.

Hebreus 12:3

Referência Bibliográfica:

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Marcos Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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