Hábitos de sono afetam o desempenho de estudantes

Hábitos de sono afetam o desempenho de estudantes

O desempenho acadêmico de universitários, como os estudantes de medicina, é essencial para uma boa qualificação profissional. Isto leva esses alunos, que têm densa carga curricular, a complementar o curso em atividades extracurriculares, como estágios, pesquisas e plantões.

Entre os fatores que influenciam o desempenho, destacam-se os hábitos relativos ao sono, como sua duração e regularidade.

Há vários estudos sobre a privação de sono em médicos e a conseqüente queda do rendimento profissional. Esta privação se deve a horários de trabalho extensos e irregulares, como em hospitais.

A privação de sono é observada já na graduação e há indícios que este fato tem correlação significativa com a diminuição da performance acadêmica em estudantes de medicina.

Sabe-se que a sonolência relaciona-se a problemas de atenção, ao aumento do uso de substâncias estimulantes e, assim, ao prejuízo no desempenho acadêmico.

Além disso, observam-se piores performances entre estudantes cujos períodos de sono nos fins de semana são significativamente atrasados quando comparados com a semana.

Essa pesquisa objetiva investigar a influência dos horários de aula nos hábitos de sono. É um estudo com estudantes de medicina de três semestres com horários de início das aulas diferentes. Ela possibilita esclarecer alunos e professores sobre a importância do sono e formular estratégias para um melhor aproveitamento do curso.

A amostra é composta de 31 alunos de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, todos com 20 a 22 anos de idade, cursando o 3º, 4º e 7º semestres do curso, sendo os dois primeiros do ciclo básico, e o último do ciclo profissional, quando os estudantes têm plantões e contato com doentes. As aulas do 3º e o 7º semestres começam às 07:00h e as do 4º, às 10:00h.

Os estudantes preencheram uma ficha de identificação e um questionário para avaliar a qualidade de sono, chamado Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (IQSP), composto por 10 questões sobre hábitos de sono, com escala de escores de 0 a 20 pontos, sendo que escores acima de 5 indicam baixa qualidade de sono.

Os alunos do 3º e 4º semestres também preencheram um diário de sono durante duas semanas consecutivas (incluindo três fins de semana), no qual relataram os horários de início e fim do sono. A partir dos dados do diário, foi elaborado um índice de irregularidade do sono, obtido através do desvio-padrão do início do sono.

No 4o semestre foi usado um questionário de hábitos de sono, e como há forte correlação entre os dados do diário de sono e os do questionário de hábitos de sono, as médias de início e duração de sono do 7o semestre foram obtidas a partir do questionário.

O desempenho dos estudantes foi avaliado através das notas obtidas em uma avaliação curricular da disciplina de Microbiologia.

Foram usados gráficos para determinação da homogeneidade da amostra, e testes para procurar relações entre as variáveis quantitativas e qualitativas do sono com o desempenho acadêmico.

Os resultados mostram que o desempenho acadêmico é melhor nos estudantes cujo sono começa mais cedo, é mais regular e dura mais.

Nos semestre em que as aulas começam mais cedo, os estudantes dormem menos durante a semana, com pior qualidade de sono. Isso mostra o papel dos horários escolares nos hábitos de sono.

Verificando o efeito do horário do início das aulas, na comparação entre os ciclos básico e profissional, foram encontrados tanto atrasos, quanto aumentos da duração dos episódios de sono nos fins de semana. Esse padrão foi observado em 88,9% dos estudantes no 3º semestre, percentagem que caiu para 66,7% no 4º semestre, e voltou a se elevar no 7º, atingindo 93,5% dos estudantes.

A diferença de qualidade de sono entre os semestres em que as aulas iniciam às 07:00h e o semestre em que iniciam às 10:00h (4º) é significativa.

Os resultados que mostraram a relação entre padrão do sono e desempenho acadêmico confirmam dados da literatura, como pior performance acadêmica em alunos com menor duração e maior atraso no início do sono.

Outros trabalhos sugerem que o padrão do sono também influencia a capacidade de se manter alerta e de tomar decisões, entre outras performances cognitivas

O padrão de aumento da duração de sono durante o fim de semana em relação à semana é denominado “efeito sanfona” e constitui forte indício de privação parcial de sono, já que os estudantes, não dormindo o suficiente durante a semana, tentam recuperar seu sono quando não precisam acordar cedo.

Quando as aulas iniciam mais cedo, os estudantes apresentam menor duração de sono e efeito sanfona mais intenso. No semestre em que as aulas começam às 10:00h, observa-se maior duração de sono e diminuição do efeito sanfona.

A comparação entre resultados de qualidade de sono (IQSP) do 4º semestre com os o 3º e 7° semestres, mostra que o horário de início das aulas também é importante para a qualidade do sono.

Mas o pior índice de qualidade no 7º semestre é provavelmente explicado pelos plantões e também pelo estresse a que o estudante é submetido ao entrar em contato com o paciente, a doença e a morte.

A comunidade científica discute cada vez mais a importância do sono e de sua qualidade, já que sua alteração pode trazer diversas repercussões clínicas e comportamentais.

Há concordância que a privação de sono, tanto aguda como crônica, produz efeitos neurofisiológicos, como diminuição do nível de vigilância e desregulação autonômica; efeitos sobre o desempenho, principalmente nas tarefas que requerem atenção e concentração; efeitos psicológicos, como aumento na incidência de irritabilidade, bem como, de condutas anti-sociais.

Outros trabalhos indicam que a consolidação da memória ocorre durante o sono e há evidências de que o processo de aprendizagem é sensível à perda do sono REM (sigla de Rapid Eye Movement, ou Movimento Rápido dos Olhos que indica a ocorrência de sonhos).

Esse trabalho, por avaliar os estudantes em diferentes fases do curso, possibilita a análise dos efeitos de variáveis como plantões e horários de início das aulas, no padrão do sono e no desempenho dos sujeitos.

Capacitar estudantes e profissionais médicos a identificar possíveis causas de distúrbios do sono, neles e nos pacientes, é importante porque possibilita melhores rendimentos acadêmicos e profissionais.

Uma forma de melhorar a qualidade do sono e evitar distúrbios associados é através de uma boa higiene do sono. No caso dos estudantes uma boa higiene do sono consistiria em horários regulares de início e fim do sono e numa duração adequada, além de uma melhor organização dos horários de estudo, evitando a prática comum de estudar na véspera das avaliações.

Fonte Canalciencia.ibict.br

Imagem destacada Pixabay

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