Sempre Amado

Sempre Amado

Existem épocas em que as pessoas sentem vergonha de rezar ou fazer Mitzvot. Sentem-se indesejadas por causa de algo que fizeram e isto as leva a se tornarem ainda mais distantes. Elas precisam saber que Hashem sempre quer saber de nós. Hashem quer sempre estar perto de nós e Ele gosta de como O servimos. Ele criou a Teshuva que é tão fácil e, se nos sentimos envergonhados, esse já é o primeiro passo na direção certa. Não podemos imaginar o amor que Hashem tem por nós até mesmo depois de um pecado.

Na Parashat Shelach, depois do episódio dos Meraglim (os espiões) a Torah nos dá as leis das oferendas de farinha e as libações de vinho que acompanham os korbanot. Parece fora do lugar dizer essas leis nessa parte da Torah, principalmente porque todas as leis de korbanot (oferendas) nos foram dadas no livro Vayikra (Leviticus).

O livro Chochmat HaTorah explica isso com uma parábola. Havia um homem chamado Ezra que odiava o Joe. Ele não queria ter nenhum contato com o Joe. Em uma ocasião, Joe estava tendo uma reunião muito importante da comunidade em sua casa. Ezra se recusou a comparecer mas, depois que outros membros da comunidade o pressionaram, no final, concordou em ir. Durante a reunião, foi servido o jantar. Quando Joe apareceu oferecendo vinho, Ezra recusou. Quando ofereceu a sobremesa, Ezra recusou. Somente se a pessoa ama a outra, aceitará extras que provêm da mesma. Assim também, Hashem nos deu o livro inteiro de Vayikra, ensinando-nos tudo sobre korbanot. Hashem também estabeleceu um pacto conosco de que sempre aceitaria nossas oferendas e jamais nos abandonaria. O Povo Judeu sentiu agora, depois de pecarem tantas vezes seguidas, seja através dos mitlonenim, dos meraglim ou maapilim, que Hashem não o ama mais e só está com eles por causa do acordo, por ter sido kavyachol “forçado” (como se fosse). Então, o que Hashem fez? Ele lhes falou, logo após todos esses pecados:”Por favor, quando você Me trouxer seus korbanot, Eu quero os extras, Eu quero que você traga vinho e farinha.” Isso mostrou ao Povo Judeu o quanto Hashem ainda os amava.

Somos sempre os filhos de Hashem e Ele gosta quando nos aproximamos Dele. Se alguém sente que Hashem está empurrando ele para longe, é porque não está entendendo Hashem devidamente.

O Rabino Yechiel Spero contou a história de um homem de Chicago, chamado Charlie. Ele estava assistindo aulas na instituição Migdal Torah que foi criada para ajudar a aproximar Ba’alei Teshuva. Charlie parecia interessado em Judaísmo mas não era capaz de dar nenhum passo em direção ao cumprimento de Mitzvot. Certo dia, o Rosh Yeshiva Rabbi Avraham Alter aproximou-se de Charlie e conversou com ele sobre se comprometer a se tornar mais observante.

Charlie falou para o Rabino: “O senhor tem razão, está na hora e quero me comprometer a começar a comer Kasher.” Mas, acrescentou: “Começarei amanhã.”

Havia um tipo de hotdog do qual Charlie era apaixonado. Ele queria comer pela última vez antes de abrir mão disso. Então, Charlie foi a sua lanchonete preferida e pediu seu último hot dog com todos os acompanhamentos. Quando ele estava prestes a dar a primeira mordida, uma pessoa de terno sentou à sua frente. Começaram a conversar e, quando Charlie viu que o homem não iria logo embora, começou a comer e apreciou as últimas mordidas dessa comida proibida. De repente, o homem se apresentou como Larry e lhe perguntou:”Você gosta desse hot dog?”

Charlie respondeu: “Eu não gosto só, eu amo. Mas esse será o último que comerei.”

Larry ficou intrigado e perguntou:”Sério? Por que?”

Charlie não se sentiu à vontade para falar sobre seu comprometimento de passar a comer kasher então, disse:”É muito caro”.

Larry respondeu:”Não quero que você desista de comer aqui por causa de dinheiro. Sou, na verdade, o dono dessa lanchonete e vou ajudá-lo.” Tirou um cartão do seu bolso onde estava escrito “Este cartão lhe dá o direito ao fornecimento vitalício de hot dogs.”

Charlie ficou confuso, correu para o seu Rabino e disse:”Não entendo, falei para Hashem que estou pronto para manter o kasher e Ele me dá uma promoção vitalícia da minha comida não kasher favorita? Parece que Ele não quer que eu dê esse passo. Ele não quer minha Avodah.”

O Rabino lhe disse:”Meu querido aluno, você não está entendendo; você achou que estava só no nível de abrir mão da sua comida favorita pela qual tem que pagar. Hashem sabe que você está numa posição em que você pode abrir mão mesmo recebendo de graça para o resto da vida. Isso tornará o seu comprometimento muito melhor e mais valioso. Eu quero que você emoldure esse certificado e o coloque em destaque para que você possa olhar para ele e se lembrar do quanto Hashem acredita em você.”

Charlie manteve o compromisso e, com o  tempo, isso o levou a outro comprometimento e a mais um comprometimento e, hoje, ele é totalmente observante e ainda tem o certificado pendurado na parede.

Hashem nunca empurra ninguém para longe. Ele só nos dá oportunidades de nos aproximarmos mais Dele. Devemos sempre nos sentir amados e benvindos para fazermos todas as Mitzvot.

Por Rav David Ashear
Rabino Eliahu Hasky
Fonte Blog Torah Com Você

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