Teshuvá

Teshuvá

A porção Nitzavim é sempre lida no Shabat anterior a Rosh Hashaná. Na verdade, seu primeiro versículo revela sua adequação: “Vocês estão de pé neste dia, todos vocês, perante o Eterno vosso D’us.”

“Este dia” refere-se ao Dia do Julgamento, Rosh Hashaná. Em Rosh Hashaná toda alma, seja grande ou pequena, fica diante de D’us, como está escrito: “Seus chefes, suas tribos, seus anciãos e seus funcionários… seus pequeninos, suas mulheres… do lenhador ao apanhador de água.”

Por que ficamos diante de D’us?

“Para que vocês possam entrar no pacto do Et-rno, teu D’us.”

Quando todos os judeus ficarem perante D’us como uma entidade completa e unificada, seremos merecedores de entrar no Seu pacto em Rosh Hashaná. E qual é a razão para entrarmos em um ‘pacto’?

Ora, vejamos o exemplo entre duas pessoas: quando fazem um pacto, é porque planejam preservar o sentimento de amor que existe entre elas. Estabelecendo, assim, uma aliança numa época em que seu amor é mais forte, para que nunca enfraqueça.

Assim como esse vínculo as conecta mutuamente e assegura que seu amor perdurará para sempre, assim também é com o amor de D’us pelo povo judeu. Seu amor por nós é mais forte em Rosh Hashaná, pois o mês anterior – Elul – foi devotado a remoção de nossos pecados. (A palavra pecado em hebraico tem como raiz a palavra corte, afastamento).

Mas como despertamos o desejo de D’us estabelecer um pacto conosco?

A resposta é abrangente e para entender, vamos dividi-la em 2 aspectos principais:

  1. Individualmente – ao nos livrar de nossos próprios pecados, nos tornamos aptos a nos ligar novamente a nossa essência, (esse ato de retornar inclusive recebe o nome de “Teshuvá”);
  2. Coletivamente – ao nos unirmos uns com os outros, passando por cima de nossas limitações… (esse ato recebe o nome de “Ahavat Israel”)

Ora, a primeira forma depende do trabalho individual de cada um, já a segunda depende de uma série de ações e eventos que não estão simplesmente na esfera da ação individual: e como conseguirmos isso, dadas as diferenças entre os indivíduos?

Usemos da seguinte analogia:

“O corpo humano é composto de diversos órgãos e membros. Alguns são mais importantes e complexos, como a cabeça; outros mais simples, como o pé. Mas a cabeça, não importa o quanto seja essencial, precisa do pé para se mover. O corpo atinge a perfeição somente quando todos seus membros estão em harmonia.”

De forma similar, dentro do povo judeu, até os mais importantes (“suas cabeças”) precisam dos mais simples (“o apanhador de água”) para formar uma entidade completa. E é esta unidade que desperta o desejo de D’us, de fazer um pacto com Seu povo – um povo só, unido! Portanto, em última instância, nosso trabalho é atingir esta unidade entre “cabeça” e “pé”. E como isto pode ser feito?

Nossos Sábios nos ensinam que a princípio todo judeu deve trabalhar em si mesmo, até que esteja apto a reconhecer as qualidades especiais de seu próximo. Porém, partindo do que nos foi enunciado no Pirkei Avot, saberemos que está além de nossa capacidade julgar o real valor de uma pessoa. (Portanto, mesmo se alguém se considerar uma “cabeça” e o próximo como o “pé” – pois é da natureza humana inflar seu próprio valor – deverá ter em mente que a “cabeça” ainda precisará do “pé” para formar um ser completo.)

O que significa que devemos nos preocupar em corrigir nossas próprias falhas (i.e., Teshuvá), e não considerar as falhas que notamos nos outros (i.e., estimulando nosso Ahavat Israel). Assim fazendo, não haverá tempo para olhar as imperfeições do próximo, evitando até mesmo o “lashon hará” e aumentando em Tefilá, Tzedaká e Maassim Tovim! Desta maneira, atingiremos tanto a auto-perfeição quanto a perfeição como um povo e D’us concederá a todos os judeus um ano bom e doce!

Baseado no Likutei Sichot

Rabino Eliahu Hasky

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