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RJ: ICCE publica artigo em renomada revista científica do Japão

O Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que integra a Secretaria da Polícia Civil (SEPOL), publicou um artigo científico na revista Forensic Toxicology, uma das mais renomadas publicações científicas do Japão. O trabalho, publicado em julho deste ano, foi o fruto de um acordo de cooperação técnica firmado com o Instituto de Química da UFRJ (IQ/UFRJ) e peritos da Instituição. A parceria nasceu da necessidade de estabelecer metodologias analíticas para uma série de drogas sintéticas apreendidas pela Polícia Civil. Entre elas destacam-se as catinonas sintéticas.

– O termo catinona sintética é usado para descrever uma categoria de novas substâncias psicoativas (NSP) comumente apreendidas no estado do Rio de Janeiro na forma de comprimidos, cristais e pó. Devido à enorme diversidade molecular desta classe, pouco se sabe sobre sua toxicologia ou vias metabólicas – explicou a perita criminal Adriana Sousa de Oliveira (ICCE).

De acordo com a perita, uma das autoras do artigo, o estudo do metabolismo das catinonas é fundamental na toxicologia forense e está sendo realizado no Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD-IQ-UFRJ), após assinatura do acordo de cooperação técnica entre o DGPTC/SEPOL e o Instituto de Química da UFRJ.

Ela explica que o principal objetivo do artigo é a avaliação do metabolismo das novas drogas identificadas no Rio de Janeiro.

– Para isso, a droga foi adicionada em recipiente contendo água e o peixe-zebra ou zebrafish (Danio rerio), em um experimento denominado Zebrafish Water Tank (ZWT). Após um determinado período, alíquotas da água contendo as excretas dos peixes e metabólitos das drogas são coletadas e analisadas por técnicas analíticas de alto desempenho. O ZWT foi capaz de mimetizar o metabolismo humano observado para N-etilpentilona, etilona, α-PVP e 4-CDC – comentou a perita do ICCE, Luciana Silva do Amaral, outra autora do artigo, ao informar que o modelo ZWT foi implementado no LBCD/IQ/UFRJ com o objetivo de investigar o metabolismo de xenobióticos dispensando o uso de voluntários humanos.

O perito criminal do ICCE Marco Antônio Martins de Oliveira ainda comentou:

– Novas drogas sintéticas têm sido comercializadas em grande escala em nosso Estado. E o desenvolvimento de exames para identificá-las não é rápido ou barato, por isso a necessidade de parcerias como essa estabelecida com o IQ/UFRJ. Este estudo é importante para apoiar descobertas analíticas em toxicologia forense, considerando que tais metabólitos não estão comercialmente disponíveis. Seus resultados irão facilitar em muito a análises toxicológicas efetuadas pelo IML. Por fim, essa abordagem – o ZWT – se mostra bastante simples, direta, de custo extremamente baixo e rápida para estudos metabólitos de catinonas sintéticas.

O artigo sobre o trabalho desenvolvido foi publicado na Revista Forensic Toxicology em 22/07/2020, podendo ser acessado no link https://link.springer.com/article/10.1007/s11419-020-00543-w e possui a autoria, além dos peritos do ICCE, também do perito criminal Denilson Soares de Siqueira (CEPF), do perito criminal federal João Carlos Ambrósio e de diversos pesquisadores do LBCD/IQ/UFRJ.

Fonte: Governo do Rio de Janeiro

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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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