RJ: Hospital Universitário Pedro Ernesto oferece atividades on-line para gestantes durante pandemia

RJ: Hospital Universitário Pedro Ernesto oferece atividades on-line para gestantes durante pandemia

O Núcleo Perinatal do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), oferece acompanhamento completo às gestantes com ações focadas na gravidez, parto, pós-parto e amamentação. Porém, com a Covid-19, a equipe precisou se adaptar, e algumas atividades passaram a acontecer de forma on-line, como os cursos para gestantes e rodas de conversas. Os cursos abordam vários temas relacionados à gestação e ao puerpério, mas, neste momento de pandemia, acabam funcionando também para compartilhar angústias e debater questões sobre esse momento de incertezas.

Coordenadora dos cursos e do banco de leite do Hupe, a enfermeira Abilene Gouvêa disse que as conversas remotas possibilitam a inclusão de mais mulheres que não fazem o pré-natal no hospital e até mesmo de gestantes de outros estados.

– Nós achamos que seria uma situação limitadora fazer o curso virtual, mas a resposta está sendo muito positiva, até mesmo de quem não é usuária do serviço. Os cursos também são abertos para mulheres que não fazem o acompanhamento da gestação no Hupe, já tivemos até pessoas de outros estados participando – afirmou.

Nos cursos, as mulheres têm a chance de esclarecer dúvidas e trocar experiência com outras futuras mães.

– As atividades educativas são muito importantes, pois a mulher pode falar abertamente sobre suas angústias. As conversas desmistificam algumas ideias que elas tinham e isso gera mais segurança para que elas passem pelo parto, para os cuidados com o bebê e para o processo de amamentação – disse Abilene Gouvêa.

Além de orientações sobre a gravidez, pós-parto e cuidados com o bebê, o curso para gestantes trata de um assunto de suma importância para a garantia da autonomia da mulher na hora do parto: o plano de parto.

– Toda grávida pode desenvolver um plano de parto, uma forma de comunicação com os profissionais de saúde sobre as práticas que gostaria que fossem feitas durante seu trabalho de parto. Fatores podem influenciar, mas é um reforço da garantia dos direitos dessa mulher. No documento, ela deixa claro, por exemplo, desejar ser comunicada em caso de intervenções. A garantia do bebê mamar logo após o nascimento, o corte do cordão umbilical apenas depois de parar de pulsar, assim como métodos não farmacológicos utilizados, como uso da bola, música e óleo de massagem. Tudo isso fica registrado – explicou a enfermeira.

Para participar dos cursos on-line e rodas de conversa, basta acompanhar o perfil do Núcleo Perinatal do Hupe no Instagram @nucleoperinatal. Na página, é possível consultar a abertura de vagas e acessar o link para a inscrição.

Banco de leite

A amamentação é um dos assuntos mais importantes abordados nas rodas de conversa do Hospital Universitário Pedro Ernesto. A equipe é preparada para acolher as dúvidas, ensinar várias posições para manter o bebê durante a amamentação, como fazer para esvaziar a mama, entre outras dicas para o sucesso no aleitamento. A unidade conta com um banco de leite humano com profissionais que atendem as mães com dificuldade para amamentar. Além disso, o banco atende os recém-nascidos internados na Unidade Neonatal, que precisam de doação de leite.

O leite doado passa por um tratamento especial sendo pasteurizado e armazenado até o consumo. Para doar, é preciso que a mulher esteja saudável, não faça uso de medicamentos que interfiram na amamentação e apresente os últimos exames do pré-natal. Outra forma de ajudar é doando frascos de vidro (como os usados para maionese e café solúvel) para transporte do alimento. Os utensílios podem ser entregues na portaria do Núcleo Perinatal Hupe-Uerj. O endereço é Rua Professor Manuel de Abreu, 500 – Vila Isabel. Para as doações de leite é necessário agendamento pelo telefone: 2868-8208. Devido à pandemia da Covid-19, o núcleo perinatal realiza ainda a coleta de leite em domicílio.

Planejamento Familiar

A unidade conta ainda com orientações para o planejamento reprodutivo familiar. O objetivo é dar informações ao casal para a escolha de um método contraceptivo.

-Para as mulheres da nossa unidade, que muitas vezes têm gravidez de alto risco, é comum a indicação por lei de métodos definitivos, como laqueadura de trompas ou vasectomia, para os homens. Ainda assim, é importante ter o conhecimento sobre os métodos. Nós discutimos também as questões de gênero, falamos sobre o corpo feminino e sobre a lei do planejamento familiar – explicou a enfermeira Abilene Gouvêa.

A atividade, que atualmente também acontece de forma remota, é programada para acontecer a cada 15 dias. É fornecido um certificado de participação e a mulher pode levar esse documento para a clínica da família mais próxima para obter acompanhamento.

Asfixia perinatal: prevenção e cuidados

Hospital Universitário Pedro Ernesto aderiu oficialmente, este ano, à campanha mundial de prevenção a asfixia perinatal, que acontece todo mês de setembro. A iniciativa dedica atenção especial a este grave problema de saúde pública que é a terceira maior causa de mortalidade infantil no mundo. O Hupe é centro de referência para o atendimento de casos no estado e até mesmo no Brasil.

– A asfixia perinatal pode acontecer antes, durante ou logo após o parto. Depois do nascimento, a inadequada condução de complicações circulatórias e respiratórias podem ser agravantes para o problema. A incidência é muito mais elevada nos países em desenvolvimento e isso demonstra que esses eventos estão diretamente relacionados com a qualidade da assistência pré-natal, com os cuidados no trabalho de parto e com a adequada assistência neonatal – explicou o chefe do núcleo perinatal do Hupe, Nilson Ramires de Jesus.

É possível prevenir o problema com o acompanhamento completo da gravidez, por meio do pré-natal.

– Podemos prevenir a asfixia perinatal oferecendo um pré-natal qualificado, principalmente quando se trata de gravidez de alto risco. Também podemos investir na qualificação de profissionais que estejam habilitados em evitar ou, pelo menos, identificar precocemente complicações que levem ao comprometimento da saúde materna e/ou ao sofrimento fetal – ressaltou o médico.

Para a chefe da unidade neonatal, pediatra neonatologista Lúcia Helena Wagner, voltar às atenções para essa questão é uma urgência.

– A criança que apresenta asfixia perinatal tem até seis horas para ser atendida, ter o quadro controlado e evitar sequelas. Ao nascer, o bebê que apresentar este quadro deve ser transferido para uma unidade como o Hupe para ser submetido à hipotermia terapêutica, isto é, ele será colocado em uma espécie de incubadora e vestido com uma roupinha (capa) térmica que manterá seu corpo entre 33 e 34 graus durante no mínimo três dias. Isso aumenta em 65% a chance de que ele não tenha sequela alguma – explicou a especialista.

A pediatra Lúcia Helena Wagner enfatizou ainda que a luta dos profissionais envolvidos no setor é para que se estabeleça por lei esta prática prioritária nas unidades e maternidades do estado e do país.

Fonte: Governo do Rio de Janeiro

Assine Prêmio: 
Contar hoje com uma mídia isenta, ética e informativa é a busca de todo leitor. Nosso Jornal e Revista oferecem informações gerais que podem ser lidas por toda a família, em uma abordagem que prima pela ética e respeito. Torne-se um assinante Prêmio e obtenha 25% de desconto aplicando o código (WELIMA).

Print Friendly, PDF & Email