Faperj apoia estudo sobre diversidade de coronavírus em animais silvestres e domésticos

Faperj apoia estudo sobre diversidade de coronavírus em animais silvestres e domésticos

Um grupo de pesquisadores da Fiocruz, apoiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), realiza estudo de longa duração no maciço da Pedra Branca com o objetivo de avaliar a relação entre as doenças infecciosas em animais e seres humanos da região.

Coordenado por Ricardo Moratelli, Jovem Cientista do Nosso Estado pela Faperj, o projeto da Fiocruz Mata Atlântica visa avaliar a circulação de vírus e outros parasitas com potencial de causar doenças em animais domésticos e silvestres, entre os quais morcegos, roedores silvestres e sinantrópicos (que vivem próximos às residências), além de saguis, preguiças, serpentes, cães, gatos, cavalos, porcos, gado e aves de reprodução. Moratelli conta que este estudo já vinha sendo desenvolvido e foi incrementado a partir da pandemia de covid-19.

– Comparações genômicas de vírus isolados dos primeiros pacientes com outros coronavírus de humanos e animais revelaram que o SARS-CoV-2 tem alta similaridade com um coronavírus de morcegos da China. Os estudos epidemiológicos e experimentais preliminares indicaram que esse vírus pode infectar diversos mamíferos. A partir daí, consideramos importante conhecer sua origem e quais animais são possíveis hospedeiros ou permissivos à infecção, explica ele.

A região da Pedra Branca foi escolhida por abrigar uma das maiores florestas urbanas do planeta e é adjacente a uma das áreas de maior crescimento demográfico no Município do Rio de Janeiro, com bordas de floresta sob intensa pressão de moradores da região e de outros locais.

Os pesquisadores avaliarão as taxas de infecção dos animais domésticos das comunidades adjacentes e, Moratelli explica, que a região foi selecionada pelo elevado contato entre animais domésticos e silvestres, o que aumenta o risco de transferência de vírus para os seres humanos, assim como o risco de transmissão do SARS-Cov-2 de humanos para animais silvestres.

Segundo Moratelli, o objetivo do projeto, que foi aprovado em chamada emergencial da Faperj para estudos sobre coronavírus, é determinar as taxas de infecção de SARS-CoV-2 em animais silvestres nativos e domésticos e comparar com as curvas de infecção da população local, além de levantar a ocorrência de outros coronavírus circulantes na fauna silvestre.

O pesquisador conta que o material genético extraído será analisado por modernas técnicas de biologia molecular para identificação de outros vírus da família dos coronavírus dentre os 40 existentes. As amostras positivas serão submetidas a protocolo de sequenciamento e de genoma viral para entender a dinâmica desses vírus nas populações animais e que podem levar à emergência e reemergência de doenças infecciosas e riscos de infecções em humanos. A importância deste trabalho é alertar as autoridades sanitárias do Estado sobre quais os vírus estão em circulação e entender os cenários ecológicos que favorecem a transferência de um vírus de uma espécie para outra, incluindo o humano. Ricardo Moratelli é apoiado pela Faperj desde 2011. Fazem parte deste projeto Fiocruz Mata Atlântica os laboratórios de Vírus Respiratórios e Sarampo, coordenado por Marilda Agudo Mendonça Teixeira de Siqueira, o de Virologia Comparada e Ambiental, coordenado por Marize Pereira Miagostovich, e o de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos, coordenado por Sandro Antônio Pereira.

Fonte: Governo do Rio de Janeiro

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