Paraná: Estado reforça programa para reduzir desperdício de alimentos

Paraná: Estado reforça programa para reduzir desperdício de alimentos
Nesta quinta-feira (16), a partir das 8h30, nas dependências da Ceasa Curitiba, no bairro Tatuquara, em Curitiba, serão realizadas várias atividades dentro da unidade em comemoração ao Dia Internacional da Alimentação, tendo como principal atividade o Festival Disco Xepa, realizado em paralelo ao movimento internacional Slow Food. Curitiba, 16-10-14 Foto: Arnaldo Alves / ANPr.

O foco é controlar a vulnerabilidade social reduzindo em 50% a perda de alimentos em toda a cadeia até 2030, do varejo ao consumidor final, passando pelas questões de produção e logística. Premissa atende a ODS12 da ONU.

O Governo do Estado, através do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social (Cedes), começou a estruturar um projeto que busca diminuir o desperdício de alimentos no Paraná. Em parceria com a Agência de Proteção Ambiental da Suécia, universidades estaduais e municípios, a ideia é elaborar um diagnóstico preciso, reunindo quantidades, itens e características por região, de tudo o que é produzido mas vai para o lixo sem necessidade.

A partir deste levantamento será possível instituir de maneira eficaz a cultura do reaproveitamento, respeitando as características de cada cidade paranaense. O foco é diminuir a vulnerabilidade social e a situação de extrema pobreza, atendendo a ODS12 (consumo e produção responsáveis), subitem 12.3 da Organização das Nações Unidos (ONU).

Com base nisso, a entidade pretende reduzir em 50% o desperdício de alimentos em toda a cadeia até 2030, do varejo ao consumidor final, passando pelas questões de produção e logística.

Um grupo de 15 pessoas, formado pela Cedes e Secretaria Estadual de Tecnologia e Inovação, começou a debater o tema em outubro, dando início ao processo de treinamento. A intenção é que o programa comece a funcionar em 2021, após a confecção do Raio-X.

“O Paraná se mostrou muito ativo, já destacou pesquisadores e colocou as universidades para atuar no projeto. Será elaborado um pacote de atuação, o que realmente interessa e quais cidades atingir”, afirmou a consultora sênior da Agência de Proteção Ambiental da Suécia no Brasil, Kelly Dalben.

A experiência da Suécia no combate ao desperdício de alimentos e a adoção do consumo sustentável foram temas de destaque na Semana de Inovação Suécia-Brasil 2020. De acordo com ela, o país europeu é referência no tema, apresentando um índice de 99% de reciclagem do lixo.

Um webinar (simpósio online) sobre o assunto foi realizado nesta terça-feira (17).

“A Suécia tem muito a ensinar, mas a aliança é mais ampla, com adaptações às necessidades do Paraná. Será uma troca de experiência”, disse a consultora.

AÇÕES – A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento é o órgão articulador do Governo do Paraná para executar a política estadual de Segurança Alimentar e Nutricional. Com a pandemia, foram feitos reforços rápidos para atender a população vulnerável em situação de insegurança alimentar com a criação de dois programas emergenciais.

Foram implantados o cartão para o programa Comida Boa, que repassou R$ 50 diretamente para as famílias comprarem alimentos. E também o Programa Emergencial Compra Direta Paraná, que adquire alimentos da agricultura familiar para doá-los a instituições filantrópicas.

O Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Desan) tem o papel de desenvolver a articulação intersetorial e o apoio técnico das ações e programas, em âmbito regional e local, que promovam a segurança alimentar e nutricional, a elevação do padrão da qualidade de vida da população em situação de vulnerabilidade social e de insegurança alimentar, além do suporte técnico ao Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Paraná (Consea/PR) e Câmara Governamental Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan/PR).

No Desan são desenvolvidos importantes programas com foco na garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e na segurança alimentar e nutricional como Leite das Crianças, Apoio à Implantação de Restaurantes Populares, Cozinhas e Panificadoras Comunitárias, Hortas Urbanas e Periurbanas e outros equipamentos como banco de alimentos, feiras, centrais públicas para gêneros da agricultura familiar.

“Temos o compromisso ambiental de diminuir os aterros e lixões e garantir alimentação nutritiva e sustentável”, destacou Filipe Braga Farhat, integrante e articulador da Agenda 2030 da  ONU dentro do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social (Cedes).

BRASIL – O Brasil está entre os países que mais desperdiça alimentos no mundo, descartando quase 30% de todos os produtos de consumo. De acordo com uma pesquisa feita em 2019 pela Embrapa em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o brasileiro joga fora cerca de 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo são arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%).

Segundo cálculos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um terço da produção total de alimentos no mundo, ou 1,3 bilhão de toneladas, é encaminhado para o lixo, o suficiente para alimentar dois bilhões de pessoas. Com base nesse cálculo, pode-se estimar que o Brasil desperdiçou 8,7 milhões de toneladas de alimentos, o suficiente para alimentar 13 milhões de pessoas.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

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