As Provações de Apolo: A Tumba do Tirano

As Provações de Apolo: A Tumba do Tirano

Devo reconhecer que Riordan não cessa de surpreender e encantar. Mesmo depois de haver terminado minha maratona de leituras das peças de Shakespeare (Otelo segue sendo a que mais me impacta) e de Camões, pude ter prazer ao acompanhar o outrora deus do sol, música, entre outras coisas, em seu corpo adolescente lutando contra imperadores romanos e um rei tirano.

A TUMBA DO TIRANO não é leitura necessária, mas sim, desejável. Ela diverte e sabe trabalhar bem os personagens, alternando o humor fácil, natural, bem construído e espontâneo com momentos de reflexão, suspense e drama, embora não sejam estes três últimos aprofundados.

Para muito além da figura importante de Percy Jackson ou dos grandiosos heróis do Olimpo, como Jason, Hazel e Piper, vemos aqui um deus aprendendo que a imortalidade e o poder corrompem e que o mundo humano, embora não glamouroso como o Olimpo, é o berço da amizade, companheirismo e esperança.

Riordan explora bem a mitologia romana e grega em suas obras, as tornando tão pessoais e relevantes a cada página lida. Ele soube, desde o primeiro livro, quebrar com a visão do herói modelo, forte e cheio de ímpeto, ou do herói que depois de sua jornada se torna lenda. Seus personagens são adolescentes que possuem limitações e uma carga enorme de responsabilidade. São membros de famílias imperfeitas e não raro bem disfuncionais, contudo, não são limitados por isso.

Apolo precisa seguir em sua busca pelos oráculos perdidos, combatendo os imperadores e agora um rei ambicioso, ademais de perceber que nunca mais será o mesmo , já que o passado como deus possui uma escuridão que somente agora pesa e envergonha.

Um livro para pais terem na estante, lerem e assim discutirem assuntos como bullying e sexualidade. Um livro para se divertir, pois, nos dias mais torturadores e opressores, rir, soa muitas vezes como um manisfesto a liberdade.


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