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Judite põe-se a caminho

Judite deu o exemplo de como libertar o seu povo de uma tirania.

Neste texto, escrito em 3 de novembro de 2010, conto como o exemplo de Judite é atualíssimo, pois mostra a força da mulher na defesa do povo de Deus, quando estava acuado por forças totalitárias. Com sabedoria e coragem, ela venceu aquele que sitiou o seu povo.

No domingo, 31 de outubro de 2010, depois de votar, recolhi-me à minha pequena propriedaderural, nas montanhas, e passei a tarde cuidando das flores do nosso jardim, com as crianças. Plantamos um pessegueiro e algumas flores multicores entre o gramado. Em seguida, subi para meu escritório para ler os Salmos, pois nestas horas só mesmo a palavra do Senhor para nos confortar, consolar e dar novas diretrizes.

Eis que deparei-me, ao abrir o Antigo Testamento, com o livro de Judite, que eu não conhecia ainda a história, e fiquei impactado, da primeira à última linha da narrativa, da atualidade deste admirável relato bíblico, da força da mulher na defesa do povo de Deus, quando estava acuado por forças totalitárias.

Diante dos exércitos de Nabucodonosor, os israelitas ficaram sitiados, pois Holofernes, o general das tropas assírias, haviam tomado os poços de água que abasteciam a cidade e estavam dispostos a passar a espada sobre todos, porque não haviam ido adorar o governante opressor. Ameaçados de morrer de fome e de sede, a população pressionou os sacerdotes a se renderem a Nabucodonosor, aceitando as humilhações impostas pelo tirano, caso contrário Osias, o chefe religioso, seria o responsável pela carnificina iminente.

Angustiado com a situação, Osias pediu cinco dias para que ainda fosse possível manifestar a ação de Deus, prometendo ao povo que, se não surgisse uma saída no período, ele se renderia a Holofernes, mesmo sabendo que o povo poderia ser dizimado por exército tão poderoso.

Foi quando, neste contexto de grande impasse e tensão, depois de tomar conhecimento, em profundidade, da situação, Judite, uma mulher temente a Deus, viúva de Manassés, apenas com uma serva, saiu de sua casa e pôs-se a caminho até Osias e tomou a iniciativa de empreender uma arriscada ação estratégica, com perigo de perder a sua própria vida, mas disposta a ir ao encontro das forças inimigas, para com, sabedoria política, vencê-los. A hora era grave, gravíssima. Explicou a Osias tudo o que pretendia fazer e recebeu dele a benção e as orações para fosse bem sucedida em sua empreitada.

O admirável em Judite foi que, quando viu o povo de Deus sem saída e sem saber o que fazer, tomou a iniciativa com apenas uma única acompanhante, de atravessar as muralhas da cidade sitiada, e descer até onde a multidão de adversários aguardavam a rendição, para depois atacar implacavelmente, reduzindo a pó a cidade que se recusou a aceitar o rei assírio como rei e senhor. “Quem é este Deus para estar a frente de Nabucodonosor?” Indagou Holofernes.

Judite tomou a decisão de atuar no campo do inimigo, e agiu com prudência e ousadia, conseguindo ser bem sucedida em sua missão de manter-se fiel a Deus, Senhor da Vida, e retornar ao seu povo trazendo numa cesta a cabeça decepada de Holofernes, numa ação cirúrgica, que fez tombar o chefe de seus perseguidores. Debelou o ovo da serpente, antes que o veneno corroesse a todos.

Enquanto os sacerdotes ficaram acuados, Judite pôs-se a caminho. Nós, que amamos a verdade e o bem, somos chamados hoje a fazer o mesmo, para mostrar com evidência que o nosso Deus está acima de Nabucodonosor, pois é realmente o Deus da vida.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida

São Paulo, 03 de novembro de 2010.

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Hermes Rodrigues Nery

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética e Coordenador do Movimento Legislação e Vida.
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