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A parábola de Moisés e o tempo perdido. Este é o melhor ano de sua vida!

Este ano é diferente? Sim. Perdido, jamais!

O ano passado, jamais voltará. Este ano é apenas uma peneira, transformação e transição. O ano que vem não será para amadores, mas para confiantes, dependentes divinos, intrépidos, paradoxos e ousados conservadores.

O passado nos sai do

domínio.

O futuro não nos é

tangente.

O que temos agora é o

fascínio:

O dom que se chama

presente!

Dan Berg, dec/2000

“Este já é um ano perdido!” Essa frase, que escutamos dos comentaristas por aí… não tem ideia mais errada, inadequada, e tão condenável como uma frase desse tipo!

Essa frase vai contra o princípio judaico.

Vamos pensar um pouquinho na Festa do Shavuot (do hebraico: שבועות, “[sete] semanas”, também conhecida como Festa das Colheitas ou Festa das Primícias). É a festa judaica celebrada no quinquagésimo dia do Sefirat Haômer. Devido a esta contagem (50 dias), a festa é também chamada de Pentecoste ou Pentecostes.

A Festa do Shavuot (7 dias da semana x 7 = 49 Semanas, Festa das | ou, helenizado, Pentecoste: recomeço aos 50) ocorre no mês de Sivan (calendário judaico). Terminava a colheita de cereais e, assim, dos próprios produtos que graças à proteção divina puderam ser extraídos do solo, eram separadas as primícias como ofertas ao Deus que, bondosamente, continuou fazendo com que a terra produzisse seu fruto – manutenção do ecossistema, apesar do péssimo gerenciamento por parte do ser humano.

Nessa festa se celebra a ocasião quando Deus entregou a Torá (coletânea dos livros sagrados do Antigo Testamento).

Uma das bases do judaísmo é que cada ser humano tem uma missão. Isso se observa, também, quando Deus formou Israel como povo, coletivamente, e disse, no Monte Sinai:

E [vocês] serão um reino de sacerdotes de Deus, serão uma nação santa. Isto falarás aos filhos de Israel. (Livro de Êxodo, originalmente Shemot – Ex.19:6).

Deus deu para cada ser humano uma missão. Enquanto o coração bate, enquanto a vela está acesa, não importa onde estejamos, não importa em qual situação e quem: cada ser humano, naquele momento, tem uma missão!

Há vinte anos, um judeu de Montreal ligou para um rabino em Israel e pediu para que ele fizesse uma oração por ele no Kotel (Muro das Lamentações). Ele disse que precisava de uma oração especial, específica, porque estava fazendo oitenta anos de vida, e começando um novo negócio. “Sim, estou começando um novo empreendimento na Ásia, com mídia, uma coisa que eu nunca fiz antes”.

O rabino ficou em silêncio, e o pessoal (juntos no telefonema) de Montreal perguntou “porque você não responde?”.

Ele disse “Desculpe, mas eu não sei que oração se faz por uma pessoa que está iniciando sua carreira aos oitenta anos!”.

E, o judeu de Montreal contou o seguinte:

– Quando eu fiz cinquenta anos, comecei ficar um pouco “deprê”… comecei refletir sobre a vida: o que eu fiz, o que eu realizei, o que eu consegui… E isso tudo em relação à família, em relação ao casamento, em relação aos filhos, o trabalho, os negócios, amigos, tudo. Mas, quando eu fiz sessenta anos, aí eu fiquei mal de verdade, e fiquei bem “deprê”, fiquei deprimido. Minha esposa disse para mim:

– Vai para o Rebe Lubavitch, ou para o Gran Rebe (Grande Rabino) de Nova Iorque, ele é o único que pode lhe ajudar nessa inquietação.

– Eu fui para Nova Iorque e disse para o Rebe que eu estava “deprê”, pensando muito, refletindo sobre a vida… quais são os meus resultados, o que eu fiz? (What did I do?). O que eu fiz da vida? O que realmente eu construí durante todos esses anos? E, o Rebe me respondeu o seguinte:

– Quem foi o judeu mais famoso de todos os tempos?

– E, eu disse: Moshe Rabenu (Moisés)! E o Rebe disse:

– Você sabe quantos anos tinha Moshe quando iniciou a carreira dele? Moshe Rabenu era pastor, cuidava do rebanho de seu sogro, Jethro (ou Reuel). Um dia, ele estava andando no deserto, e Deus apareceu para ele e disse: ‘Moisés, vá ao Faraó, e diga a ele ‘Let my people go’ (deixe meu povo ir)’. E, Moisés começou a carreira, e, naquele momento, Moisés virou líder do povo de Israel. Liderou o povo de Israel para sair do Egito, para receber a Torah, até leva-los à beira da entrada da Terra Prometida. Quantos anos Moisés tinha?

E, o próprio Rebe disse:

– Moisés tinha oitenta anos! Até oitenta anos ninguém o conhecia. Ele era um simples pastor. Com oitenta anos ele virou Moshe Rabenu.

E, continuou o Rebe:

– Como uma pessoa pode iniciar sua carreira aos oitenta anos?

E, a resposta é, disse o Rebe:

– Se alguém olha para trás e pensa: ‘O que deveria ter feito? O que eu não realizei? Por que eu fiz aquilo que não deveria ter feito? Pensar naquilo que eu deveria ter feito melhor… pensar no porquê eu não fiz tal coisa?’ O sujeito fica mal… e fica velho. Mas, se alguém olha para o futuro, para o que ‘eu ainda posso fazer… o que eu tenho força para fazer… qual potencial eu tenho para fazer… o que eu quero e ainda desejo fazer…’ essa pessoa permanece jovem, saudável e forte.

Se há algo (dentre tantas coisas) que podemos aprender da Shavuot, da Torá, da Festa de Pentecoste, é de que este ano será um ano muito especial. Um ano em que nossos filhos e nós vamos lembrar para a vida inteira. Um ano em que a gente mudou muita coisa em nossa vida.

“Moisés gastou 40 anos pensando que era alguém, 40 anos aprendendo que não era ninguém e 40 anos descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém que se coloque à sua inteira disposição.” (Dwight L. Moody)


“Expandindo o raciocínio de Moody: 1 – Aos 3 meses: Moisés seria considerado NADA pelos soldados egípcios, que foram mandados matar todo recém-nascido hebreu. A necessidade surge. Proteção e livramento divino: escondido num cesto de junco, adotado pela filha de Faraó, para viver no palácio da maior potência mundial da época; 2 – Aos 40 anos: Moisés acha que é ALGUÉM, indignado com a injustiça de um soldado egípcio açoitando um hebreu, comete assassinato e foge. A necessidade surge. Proteção e livramento divino: escondido através do deserto, miraculosamente “sobrevive”, para viver na casa do futuro sogro, Sheik de Midiã, Jethro (ou Reuel); 3 – Aos 80 anos: Moisés descobre que é um NINGUÉM, e o que “Alguém” pode fazer com um “ninguém”, momento em que é capacitado para libertar o povo de Israel. A necessidade surge. Proteção e livramento divino: através dos milagres, travessia do Mar Vermelho, para viver o início da nova nação; 4 – Aos 120 anos: Moisés se aproxima da essência de Deus para conhecer Aquele que é TUDO. A necessidade surge. Proteção e livramento divino: encoberto pela mão do próprio Deus, para viver na casa eterna do Pai.” (Dan Berg)

Da Torá, cabe-nos refletir e tentar entender os desafios mosaicos:

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio (Sl.90:12)

Em Israel, todavia, nunca mais se levantou um profeta como Moisés, com quem Yahweh houvesse dialogado face a face (Dt.34:10)

Levantarei do meio dos seus irmãos um profeta como você; porei minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar (Dt.18:18)

Cujo cumprimento foi reiterado pelos demais profetas:

O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. […] Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. (Is.9:2,6)

Este ano pode até ser um ano bem diferente, mas, ano perdido, jamais!

Não importa se é aniversário, ano novo, ou qualquer novo ciclo de vida. Vai ter festa, sim! Temos muito a celebrar, principalmente ao lado daqueles que caminharam conosco!

Crédito: Reflexão do Rabbi Dovid Goldberg, da Sinagoga Beit Chabad Morumbi – São Paulo – SP

Imagens: Reprodução


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Dan Berg

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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