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Ministério dos Diretos Humanos no Brasil contradiz declarações de e-mails apresentados por advogado de Oswaldo Eustáquio

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos liderados pela Ministra Damares Alves, publicou uma nota sobre o caso do jornalista Oswaldo Eustáquio preso político acidentado durante custódia do Estado brasileiro.

Nota sobre o jornalista Oswaldo Eustáquio

Publicado em 22/12/2020 12h28 Atualizado em 22/12/2020 12h58

Diante das informações divulgadas nos últimos dias, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) esclarece, cronologicamente, a atuação relacionada ao caso do jornalista Oswaldo Eustáquio.

1. No último dia 23/11, Oswaldo Eustáquio Filho apresentou demanda de ingresso no programa de proteção a defensores de direitos humanos, por meio do portal gov.br. Nessa mesma data, a equipe técnica federal (membros de organização da sociedade civil que operacionaliza o programa em cooperação com o MMFDH), responsável pela triagem dos casos, manteve contato telefônico com demandante para obter informações adicionais que possibilitassem avaliar o cumprimento de requisitos para ingresso no programa.

2. Tendo recebido do jornalista a informação de que este se encontrava em restrição de liberdade, a referida equipe deu ciência do fato à Coordenação-Geral de Proteção a Testemunhas e a Defensores de Direitos Humanos e adotou as medidas legais cabíveis.

3. No dia 25/11, o jornalista solicitou, em e-mail enviado às 18h16, uma audiência com a ministra Damares Alves, segundo ele para relatar “a maior violação de direitos humanos contra jornalistas no Brasil”. Essa nova solicitação foi respondida dia 11/12, por e-mail, com a marcação de audiência virtual para o dia 14/12, às 18h.

4. Para evitar a exposição do requisitante, preservar o sigilo das informações prestadas e evitar a quebra da prisão domiciliar, a qual ele estava submetido, o Ministério decidiu que o encontro deveria ser presencial e no domicilio dele. E a partir daí, em diversas oportunidades, solicitou que a oitiva ocorresse na residência do jornalista.

5. Às 15h02 do dia 14/12, Oswaldo Eustáquio foi enfático e afirmou que o encontro deveria no Ministério. Sabendo de sua prisão domiciliar – e para evitar que ele descumprisse essa determinação, mas, ao mesmo tempo, garantir a ele o direito de ser ouvido – o Ministério solicitou, em e-mail enviado às 17h42 daquele mesmo dia 14/12, com um dia de antecedência, portanto, que ele apresentasse uma autorização judicial para realizar reunião fora de casa.

6. Como o documento de autorização judicial não foi apresentado, às 11h43 do dia 15/12, foi encaminhada mensagem eletrônica cancelando o encontro presencial no Ministério e, novamente, ofereceu-se a ele a oportunidade de ser ouvido em casa. Ainda assim, não acolhendo todos os e-mails e tentativas de realização desta oitiva na residência do requisitante, o jornalista e seu advogado compareceram ao Gabinete do Ministério, às 16h do dia 15/12. Antes, a assessoria de Oswaldo Eustáquio publicou em rede social que ele estava a caminho do Ministério. Ou seja, foi a própria assessoria do jornalista que anunciou publicamente a ida ao local.

7. Mesmo sem autorização, e por insistência de sua defesa, ele foi ao final atendido, ainda nas dependências do Ministério, pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, narrou o que se propôs, e o órgão do Ministério tem dado encaminhamentos às solicitações formuladas na audiência.

8. Em momento algum o Ministério comunicou ao Judiciário sobre a presença do requisitante nas dependências do MMFDH. O que de fato ocorreu é que, previamente ao comparecimento dele, ainda pela manhã, às 11h43 daquele dia 15/12, ou seja, bem antes do comparecimento dele, que ocorreu às 16h, e já com a audiência cancelada, dois ofícios foram encaminhados, um ao STF e outro à Vara de Execução Penal. O objetivo era saber se havia autorização para deslocamento do jornalista ao Ministério e indagar como proceder caso ele comparecesse, justamente para proteger seus direitos, além de evitar eventual desconforto institucional. Todo esse procedimento foi comunicado ao jornalista, no mesmo e-mail em que foi informado o cancelamento, ainda pela manhã.

9. Dois dias após esse encontro, dia 17/12, ele foi preso. Segundo informações divulgadas na imprensa, por um histórico de violações à prisão domiciliar, prisão esta que o Ministério tentou evitar desde o primeiro pedido de audiência.

10. Às 20h30 desta segunda-feira (21), o Gabinete Ministerial foi oficialmente comunicado que o senhor Oswaldo Eustáquio Filho sofreu um acidente dentro da cela onde estava preso. Imediatamente, um assessor do Ministério foi designado a comparecer ao hospital para acompanhar o atendimento e conversar com a defesa do jornalista. A Secretaria Nacional de Proteção Global e a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos também foram acionados pelo Gabinete, acompanham o caso e já começaram a tomar providências. Vamos trabalhar para que todos os direitos dele e da família sejam preservados. O MMFDH faz votos para que o jornalista tenha uma pronta recuperação e para que nada de mais grave tenha ocorrido.

Fonte: Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos – Imagem em destaque: Terça Livre


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Paulo Fernando De Barros

Colunista e editor para a Noruega em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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