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SP: Etec Jardim Ângela coloca estudantes no circuito cultural da capital

Professoras criam programa de fidelidade em que alunos recebem pontos a cada passeio cultural.

Sensibilizadas com a falta de equipamentos e atrações culturais no extremo da zona sul da Capital, as professoras de língua portuguesa Joice Nascimento e Valéria Silva, da Escola Técnica Estadual (Etec) Jardim Ângela, localizada na mesma região, arregaçaram as mangas e criaram um projeto para tentar reverter esta história. O trabalho foi desenvolvido no ano passado e premiado em 2020.

A iniciativa, batizada de Viagens Pelas MultipliCidades, tem o desafio de provocar nos alunos o interesse em conhecer o roteiro cultural e artístico da Capital. A região, apesar de somar uma população com mais de 300 mil moradores, não conta com centros culturais. Até o início do projeto, muitos alunos da Etec não conheciam museus e ainda não tinham pisado na Avenida Paulista.

Desenvolvido em 2019 com as turmas de Ensino Médio e dos cursos técnicos de Desenvolvimento de Sistemas e Administração integrados ao Médio (Etim), o projeto deixou os participantes orgulhosos pela conquista do troféu de bronze no 45º Anuário do Clube de Criação de São Paulo. O trabalho foi premiado na categoria Periferia Criativa, especialidade criada este ano para julgar trabalhos que apresentem soluções para os problemas das periferias.

As educadoras criaram um passaporte cultural no mesmo formato de um passaporte de viagem para os estudantes registrarem as visitas a teatros, shows, cinemas, saraus, recitais, centros culturais, eventos esportivos, museus e exposições. No final do ano, o projeto reuniu 150 viajantes que fizeram 1,8 mil roteiros. O passaporte foi confeccionado pela ex-aluna Eduarda Ramos que desenvolveu o projeto editorial e de design.

A dinâmica do trabalho contava com um sistema de recompensa que facilitou o engajamento dos alunos. Os carimbos e ingressos do passaporte geravam milhas que foram convertidas em pontos e acrescidos às notas de participação em mostras culturais e olimpíadas escolares. “Os alunos são bastante competitivos e esse sistema de pontuação engajou as turmas”, afirma Joice. Segundo a educadora, outro aspecto positivo deste trabalho foi o estímulo para que os jovens saíssem de casa para desbravar a cidade.

Cultura melhora os resultados

O uso da cultura como aliada da educação não é novidade na Etec Jardim Ângela. Em anos anteriores, a professora Valéria propôs pesquisa e redações sobre os principais movimentos culturais do país e depois levou os alunos para visitarem os museus e conhecerem de perto as obras e artistas estudados. “Esta articulação dos alunos com a cena cultural da cidade amplia a visão de mundo e o repertório de conhecimento destes jovens. Isso provocou melhoras até na redação”. Para ela, o contato dos alunos com atividades culturais tem impactado positivamente os índices de desempenho da escola como o Pisa for Schools de 2017.

São práticas pedagógicas importantes para minimizar a carência de cultura nas periferias. Segundo a pesquisa Mapa da Desigualdade (2019), da Rede Nossa São Paulo e do Ibope Inteligência, cerca de 28% da população da Capital nunca foi a um evento cultural.

Fonte: Governo de São Paulo

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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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