História

O Primeiro Concerto Musical Público

Em nosso tempo moderno, é comum irmos a concertos e shows de nossos artistas favoritos, para isso, precisamos somente desembolsar uma quantia justa para pagamento do evento. O artista tem então seu trabalho compensado financeiramente, podendo não somente sobreviver por conta própria, mas também continuar fazendo o que mais gosta, com o gozo e liberdade.

Mas em que momento da história isto se tornou possível?

Breve resumo sobre a música na história.

Como em toda evolução social na vida histórica do homem, a arte e a música também participou destas transformações. Por vezes ela se dá de forma individual e distante da corrente comum, mas em outras elas se seguem próximas, mesmo sendo em gênero diferentes. Um exemplo ótimo é o período renascentista, onde embarcaram em uma transformação centenas de interações e gestos humanos, próximos e distantes, todas seguindo uma ordem rítmica comum, criando um laço neste período que o fez tão memorável para a história.

A música, tendo como grande pai, a Igreja Católica, passara por várias destas transformações, desde seu tímido início, com as mudanças no cantochão feitas pelo Papa Gregório I no século VII, até os dias de atuais.

No período que se passara a Idade Média, a música se manteve restrita a Igreja, ornamentando ritos e missas com seu canto gregoriano. Com o passar do tempo, somando-se a sua evolução que cada vez mais se tornava complexa e diversificada, as cortes passaram a fazer uso dos compositores e músicos, estes, por sinal, somente agora ganharam destaque, podendo assim, assinar seus trabalhos. Até aquele momento as composições eram criadas por grupos, estes não possuíam nenhum crédito por suas obras.

O Surgimento do indivíduo artista.

Tal como na arte, o compositor também tinha o amparo dos mecenas, que era uma espécie de financiador particular que abrigava o artista, oferecendo tudo o que este precisava em troca de seus serviços. Com isto, o artista poderia enfim criar suas obras e ganhar prestigio em meio as cortes pelo seu trabalho.

Entretanto, uma grande limitação existia encima destes compositores, suas composições, por mais que celebres, em sua maioria tinham de se voltar para os desejos de seus benfeitores. Por vezes isso inibia totalmente a originalidade do músico.

O século XVII já estava amadurecido destas ações, e é claro, repleto de artistas em todas as cidades. Nas primeiras décadas, reuniões entre músicos cada vez se tornava mais frequente, não tardara até que estes encontros se tornassem públicos.

O Primeiro concerto com plateia pagante.

Foi então que em 1672, em Londres, o violinista John Banister deu inicio ao processo rumo a liberdade que conhecemos hoje. Organizou o primeiro concerto público, que se realizara em sua casa em Whitefriars. O público, para participar, precisava então pagar pelo espetáculo que chegara até ser noticiado pela London Gazette.

O sucesso foi nítido a todos, tanto que na temporada seguinte, Banister transferiu seus concertos para locais mais espaçosos, lhe permitindo assim receber mais pessoas e divulgar mais o seu trabalho.

Outros artistas passaram a fazer o mesmo, a princípio sem cobrar do público, mas logo precisando faze-lo, pois, os nobres apresentavam cada vez mais dificuldades em poder arcar com patrocínios. Era o momento de mudança e transformação, a música agora se tornava um verdadeiro oficio.   

As pessoas comuns podiam agora também desfrutar da música, com isso, suas opiniões e gostos logo passaram a ser considerados pelos compositores, surgindo assim novas correntes musicais. Esta síntese foi boa e permitia que mais e mais artistas desabrochassem, diversificando cada vez mais o cenário musical.    

No século seguinte, mais músicos se interessaram pela nova forma de vida, como por exemplo o filho de Bach, Carl Philipp Emanuel Bach, que tinha a honra de trabalhar para o príncipe real Frederico da Prússia, mais conhecido como: Frederico, o Grande, porém, tal honraria limitava-o e tornava suas composições influenciadas por seu mecenas. Foi quando o jovem compositor deixou de trabalhar para a corte e passou a viver de suas próprias obras. Esta liberdade trouxe originalidade a seus trabalhos, tornando-o mais famoso entre os compositores, e satisfeito consigo mesmo.

Casos como este penetraram pelas cortes ao longo dos anos. Esta nova modalidade que se criara entre os compositores lhes trazia maior liberdade e fama. O público também se beneficiara dá música, que agora tinha acesso a qualquer um.

John Banister, com apenas uma singela intenção de lucrar com seu trabalho, mudou completamente o cenário da música e das pessoas comuns.

Imagem – Baher Khairy

Print Friendly, PDF & Email

Vitor Guerino

Me chamo Vitor Guerino P. de Oliveira, tenho 24 anos e resido na cidade de São Paulo. Graduando em história e estudante assíduo de filosofia - minha maior paixão - e política, estou sempre presente na vida acadêmica publicando artigos científicos relacionados bem como em seminários e entre outros estudos focados. Minha especialidade mora na História Antiga, bem como sua Filosofia. Sou também cursado em ciências políticas, fluente em inglês e atuo na área de pesquisas. Colunista do jornal Duna Pess.
Botão Voltar ao topo