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Pesquisas da Uece podem ajudar a impulsionar produção de hidrogênio no Ceará

Produzir energia no ritmo e na quantidade suficientes para o desenvolvimento econômico sem prejudicar o meio ambiente é um dos grandes desafios enfrentados em todo o mundo. Uma alternativa que vem amadurecendo e que deve se transformar em uma das principais fontes de energia nos próximos anos é o hidrogênio verde (H2V), obtido a partir de fontes renováveis em um processo no qual não há a emissão de carbono. No Ceará, o futuro dessa fonte de energia é promissor, uma vez que o Governo do Estado lançou, em fevereiro, o Hub de Hidrogênio, e que instituições de ensino como a Universidade Estadual do Ceará (Uece) acumulam décadas de estudos na área.

“O Ceará possui as condições necessárias para ser um grande produtor de gás hidrogênio verde. O Estado é um dos maiores produtores de energia limpa por meio de fontes renováveis como a eólica e a solar, que podem ser utilizadas para a produção de hidrogênio verde, reduzindo consideravelmente a poluição ambiental e proporcionando uma fonte de energia adequada para empreendimentos que se instalarem aqui, sobretudo aqueles na área de fertilizantes e siderurgia”, destaca Lutero Carmo de Lima, professor do Mestrado Acadêmico em Ciências Físicas Aplicadas da Uece e pesquisador da área de hidrogênio há mais de duas décadas.

Conforme o professor, o Ceará sai na frente no processo de diversificação da matriz energética e tem potencial para ser um dos maiores produtores brasileiros de hidrogênio verde, impulsionando a indústria local sem ameaçar a sustentabilidade ambiental. A criação do Hub de Hidrogênio é um passo importante para aproveitar o potencial local e os benefícios do combustível, cujo principal obstáculo à produção consiste no custo maior que o de outras fontes, tendo em vista que a produção e o armazenamento de hidrogênio requerem tecnologia moderna. Esse entrave, contudo, já está sendo superado e, até 2030, o hidrogênio deverá ficar competitivo em relação a outras fontes de energia, conforme o Green Hydrogen Cost Reduction, relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) divulgado no início deste ano.

Para Lutero, a produção de energia a partir do hidrogênio verde deve começar a virar realidade no Ceará em dois ou três anos, podendo levar de 10 a 15 anos para amadurecer. “O Ceará vai se destacar no Brasil e, talvez, no mundo. A proposta da Uece não é produzir hidrogênio para exportar esse combustível, mas para que ele seja utilizado pelos empreendimentos que estão instalados aqui. A Siderúrgica do Pecém, por exemplo, que utiliza carvão, no futuro deverá ser movimentada por hidrogênio no futuro. O hidrogênio pode ser usado para a produção de ferro e fertilizante agrícola, por exemplo, ou ser agregado ao gás natural, deixando-o mais energético”, detalha.

Estudos de viabilidade

O professor acrescenta que a Uece pode agregar valor aos trabalhos para tornar o Ceará um grande produtor de hidrogênio, tendo em vista a larga experiência com pesquisas na área, as relações internacionais que mantém com pesquisadores e empresários interessados no hidrogênio e a expertise da Universidade para a realização de estudos de viabilidade econômica e formação de mão de obra qualificada. “A Uece tem conhecimento e boas relações com investidores internacionais que já dominam a tecnologia de produção de hidrogênio. Assim, podemos trabalhar para ajudar a atrair esses investidores com tecnologia pronta para o Ceará. O uso do hidrogênio na atividade de produção de fertilizantes é muito promissor, pois grandes produtores mundiais de fertilizantes já dominam a produção de hidrogênio e poderiam se instalar no Estado. Vejo o Ceará, no futuro, como um grande produtor de fertilizante agrícola, que poderá ser exportado para diferentes países, tendo em vista a posição geográfica privilegiada do nosso Estado”, destaca Lutero.

Formação de mão de obra

A Uece já formou pelo menos 15 profissionais dedicados à pesquisa na área do hidrogênio verde, sendo a maioria ex-alunos do Mestrado Acadêmico em Ciências Físicas Aplicadas. “Temos pesquisas sobre o tema que podem ser fundamentais para o sucesso da produção de hidrogênio verde no Estado. Adaptamos, por exemplo, um modelo mundial de viabilidade do hidrogênio em todos os aspectos em um cenário de 100 anos no Brasil, até 2099, considerando como seria o desenvolvimento do País se a gente adotasse a economia do hidrogênio produzido a partir da energia solar ou eólica. A Uece está preparada para continuar os estudos de viabilidade econômica do hidrogênio no Ceará e formar a mão de obra necessária para que o Estado explore da melhor forma possível as possibilidades decorrentes dessa fonte de energia”, finaliza o professor Lutero Carmo de Lima.

Fonte: Governo do Ceará

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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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