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Esmalte cerâmico pode ser obtido por vidro de TVs antigas

Os vidros dos tubos de imagem de televisores e monitores de computadores antigos podem ser usados na fabricação de esmalte para revestimentos cerâmicos. O trabalho, de pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC/USP) traz uma solução mais barata e sustentável do que a tradicional do mercado, pois recicla lixo eletrônico. A iniciativa nasceu de uma demanda direta da sociedade: um estudo feito pela equipe estima que só 26% dos vidros desse tipo seja reciclado em todo o mundo.

A principal função do esmalte é impermeabilizar a peça cerâmica. O produto é, em geral, obtido a partir dos pós de argila, caulim e frita. Este é a matéria-prima mais cara da produção. Pela técnica desenvolvida na instituição de ensino paulista, ela pode ser  parcialmente substituída pelo vidro do painel dos televisores e monitores. O processo de tratamento do produto e seus resultados foram tema da dissertação de Raúl Revelo, mestre e doutor em Engenharia dos Materiais pela USP e ex-bolsista da CAPES.

: Esmalte foi testado em cerâmicas, simulando um processo industrial. Fonte Capes.

Tubos de raios catódicos (CRT), encontrados nos televisores e monitores de computadores antigos, têm materiais tóxicos. Por isso precisam passar por um processo de descontaminação, que traz custos, para serem corretamente descartados. “Pensamos nessa opção porque é um vidro muito disponível e com impacto para o meio-ambiente. Economizamos não só dinheiro, mas solucionamos um passivo ambiental”, explica Revelo.

O projeto nasceu de uma demanda do projeto de reciclagem tecnológica Recicl@tesc, de São Carlos, que tinha convênio com a USP e recebia sucata da universidade — o que incluía monitores e televisores. Os integrantes da equipe não podiam abri-los, por causa das substâncias tóxicas. “Se desmontassem o monitor, o armazenamento ou transporte só do tubo CRT de vidro seria proibitivo, pois aumentaria a classe de toxidade do material”, recorda Eduardo Bellini, pesquisador da EESC/USP e orientador de Raúl Revelo.

Entretanto, em Santa Gertrudes e Rio Claro, locais próximos a São Carlos, havia um dos maiores polos de fabricação de revestimentos cerâmicos do Brasil. “Nosso País é um dos principais fabricantes e consumidores de revestimentos cerâmicos do mundo. Além disso, em Porto Ferreira temos duas grandes fabricantes de embalagens de vidro. Essas regiões estão a 60 quilômetros de São Carlos. Não fazia sentido não pensar em reciclar o vidro de CRT localmente. Essa foi a maior motivação”, finaliza Bellini.

Fonte: CCS/CAPES.


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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região, história, arqueologia, tecnologia, ciências, literatura. Natural de Itajaí, Santa Catarina, social mídia.
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