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Fóssil brasileiro é capa da revista Nature

A Revista Nature, uma das mais importantes  publicações científicas do mundo, trouxe em sua edição de dezembro um artigo científico sobre o fóssil de um Ixalerpeton polesinensisOanimal pré-histórico viveu há 230 milhões de anos e foi encontrado na região central do Rio Grande do Sul. Com a participação de quatro pesquisadores brasileiros, dois deles ex-bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o texto traz detalhes sobre a anatomia do dinossauro.  

Encontrado no sítio arqueológico Buriol, na cidade de São João do Polêsine, o Ixalerpeton polesinensis – cuja imagem foi concebida pelo paleoartista Rodolfo Nogueira – estampou a capa da revista e é classificado como um dinossauromorfo da família dos lagerpetídeos. Esses animais seriam os antepassados dos pterossauros, espécie de répteis que voavam e apresentavam semelhanças com as aves.

 Paleontólogo Sérgio Cabreira, um dos autores do Estudo. Imagem Capes.

O trabalho foi desenvolvido por cientistas de diversas instituições do mundo, entre elas a Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores brasileiros  Max Langer e Mario Bronzati, ambos da USP, Fábio Della Vechia, do Instituto Catalão de Paleontologia Miquel Crusafont, da Espanha, e os paleontólogos Lúcio Roberto da Silva e Sergio Furtado Cabreira, membros da Associação Sul-Brasileira de Paleontologia, foram os responsáveis pela descoberta e pelos estudos anatômicos sobre Ixalerpeton.  

Usando a microtomografia computadorizada e reconstruções em 3D de restos cranianos, os pesquisadores foram capazes de identificar características únicas, como a forma da orelha interna, similar a dos pterossauros. Embora a transição exata entre vertebrados terrestres e voadores permaneça desconhecida, os pesquisadores acreditam que tais evidências coletadas apontam os primeiros passos em direção às características anatômicas e fisiológicas dos pterossauros.

Espécime encontrado no RS foi capa da Revista Nature, em dezembro. Imagem: Roberto Nogueira, autor da imagem do Ixalerpeton.

De acordo com o estudo divulgado, o conhecimento prévio da anatomia do lagerpetídeo limitava-se “principalmente às vértebras, membros posteriores e alguns ossos cranianos”. Com o fóssil encontrado, os arqueólogos conseguiram fazer análises mais detalhadas, e que envolviam quase todo o esqueleto do animal.

Sérgio Cabreira explica que a descoberta está ajudando a desvendar a origem dos pterossauros: “Uma das coisas mais difíceis da paleontologia é encontrarmos os fósseis que deram origem aos grandes grupos de animais. Quando surge um grupo novo na natureza, ele aparece num momento único. Há uma transformação total: o grupo surge pronto e diferente do ancestral. O que acontece com os pterossauros é que a sua origem e o tempo em que surgiram era um ponto obscuro dentro da paleontologia de vertebrados”.

Fonte: Capes


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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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