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Pesquisa mostra que vírus da zika reduz tumores no cérebro de cachorros

Um estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de São Paulo e que contou com a participação do virologista do Instituto Butantan Renato Astray, demonstrou que o zika vírus é capaz de combater um tipo de câncer cerebral em cachorros, que é muito semelhante ao que acomete seres humanos.

A pesquisa reforça o que os pesquisadores já haviam revelado em 2018, ao estudar o efeito do vírus em células cancerígenas humanas injetadas em camundongos: o zika causa esse efeito porque tem uma afinidade maior por células progenitoras, também conhecidas como células-tronco, que, em alguns casos são o tipo de células que formam tumores do sistema nervoso central.

“O efeito que o zika causa em crianças, a síndrome congênita, tem muito a ver com a infecção em células progenitoras neurais, que durante a gestação de um bebê são abundantes, pois elas estão se diferenciando e formando o sistema encefálico. Então isso levantou a questão: será que o vírus tem tanta predileção por um tipo de célula que acaba preservando as outras? Isso acabou sendo demonstrado neste trabalho ao usar o zika para esse tipo de câncer, que vem dessas células progenitoras”, explica Renato Astray, do Laboratório de Imunologia Viral.

O estudo acompanhou três cachorros com câncer cerebral em estágio avançado e sem possibilidade de procedimento cirúrgico para retirada. Sendo assim, o teste desta terapia foi oferecido aos donos como última alternativa. Os animais receberam doses pequenas do vírus e os resultados começaram a aparecer a partir do terceiro dia. Os tumores regrediram, reduziram de tamanho e os cachorros apresentaram uma melhora na qualidade de vida.

Outro ponto importante foi o fato de não ter sido observado uma infecção sistêmica pelo zika, ou seja, o vírus não causou outros efeitos além do encontrado nos tumores. Assim como em seres humanos e camundongos, foi encontrado uma carga viral nos testículos dos machos, reafirmando que o vírus pode ser transmitido sexualmente.

“Agora temos alguns aspectos para considerar. Nos cachorros está demonstrado que é seguro, isso quer dizer que eles não tiveram infecção sistêmica pelo zika e o que vimos foi a destruição das células tumorais. Para uso em humanos, que é o principal objetivo, será necessário fazer novos testes de segurança, ainda há um bom caminho pela frente”, ressalta Renato.

A contribuição da equipe do Butantan foi com o envio de vírus para uso no estudo. Em laboratório, os pesquisadores multiplicam o zika a partir da cultura de células. Após a multiplicação, os vírus são coletados, purificados e armazenados na quantidade necessária para o estudo. “É um trabalho que parece simples mas que precisa ser bem minucioso para termos um banco em boa qualidade e disponibilizar vírus que vão responder o que os pesquisadores querem”, explica.

De acordo com o virologista, a possibilidade de utilizar vírus para terapias contra alguns tipos de câncer é algo promissor. “O que se percebe é que muitos vírus têm grande propensão a se multiplicar em células de linhagem tumoral, porque nelas eles encontram receptores e não encontram resistência. Com base nessas características da biologia dos vírus e seus alvos no organismo é possível programar uma terapia antitumoral em uma célula específica que está sendo o problema”, finaliza.

O estudo, que conta com a participação de Renato Astray, foi realizado também por pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) e foi apoiado pela FAPESP.

Créditos: Caroline Roque

Fonte: https://butantan.gov.br


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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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