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Vacinação contra febre aftosa chega às áreas indígenas de Roraima

A 41ª campanha de vacinação contra febre aftosa continua, agora em terras indígenas de Roraima, por meio da Agulha Oficial. A ação é uma parceria entre Governo do Estado, Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Funai (Fundação Nacional do Índio), Aderr (Agência de Defesa Agropecuária) e SEI (Secretaria do Índio). A expectativa é que no próximo ano Roraima entre no rol de áreas livres da febre aftosa sem vacinação.

Os ‘raposeiros’ ou ‘agulheiros’, como são chamados carinhosamente os vacinadores que trabalham nas comunidades indígenas, fazem o trabalho com dedicação e coragem, pois são 45 dias longe da família, enfrentando obstáculos dentro das matas e lavrados, atrás da rês mais distante para imunizá-la.

Para o governador Antonio Denarium, a Agulha Oficial garante a sanidade do rebanho e a renda das comunidades indígenas. “É um trabalho árduo, mas de importância para Roraima, porque, além de cumprir a meta de vacinar todo o rebanho do Estado, que hoje é de cerca 940 mil cabeças, garante a área de livre de febre aftosa, ajudando os produtores a manter a sanidade dos seus animais e assegurar retorno financeiro do investimento na bovinocultura”, pontuou.

Com a experiência de 10 anos acompanhando a Agulha Oficial, o tuxaua Antônio José, da comunidade Constantino, ressalta a importância da vacinação nas suas terras, enfatizando o valor da imunização do rebanho, a fim de evitar a doença. “Se a gente não vacina os animais, eles adoecem e o prejuízo pode ser grande”, avaliou, enquanto estava encostado no curral, observando os raposeiros na lida e orientando o seu povo a separar os animais para a vacinação.

Na comunidade Araçá, até as mulheres ajudavam a levar o gado até o brete (local de contenção ou imobilização de animais para prática de manejo, como seleção, aplicação de vacinas e medicamentos) para facilitar o trabalho dos vacinadores. Toda ação que ocorre no curral tem participação efetiva dos indígenas.

Pecuária Indígena

Com aproximadamente 50 mil animais, o rebanho das comunidades indígenas tem crescido ao longo dos anos e a tendência é aumentar, pois eles estão cada vez mais se aperfeiçoando e melhorando suas técnicas, a genética, a estrutura física e compreendendo o valor da pecuária para sua economia.

Quando os indígenas trabalhavam nas fazendas locais na década de 1970, eles aprenderam o manejo com os bovinos, o que ajudou a criar uma cultura entre eles de ter seus próprios animais. Com a saída dos fazendeiros, eles assumiram os pastos e começaram a investir na pecuária, que é feita de forma comunitária.

Agulha Oficial

Este ano, as vacinas foram doadas pelo Governo Federal. O Governo estadual teve como contrapartida o pagamento de diárias, a cessão de servidores, carros e combustível. São 45 dias dentro da mata e uma equipe composta por 15 pessoas, com a missão de imunizar 50 mil cabeças de gado.

Há 10 anos, teve início o trabalho da Agulha Oficial. Muitas dificuldades foram enfrentadas para cumprir com a cobertura vacinal projetada pelos técnicos. Apesar dos obstáculos, sempre houve êxito nas ações. Hoje, existem rotas georreferenciadas, comunicação por internet, participação massiva dos indígenas, melhorias nas estruturas físicas, dentre outros benefícios que facilitam os trabalhos dos vacinadores. “Não há dúvidas que é um serviço fundamental para a imunização dos rebanhos nas comunidades indígenas, ajudando a manter nosso status de área livre de febre aftosa com vacinação”, destacou o presidente da Aderr, Kelton Lopes.

Fonte: Governo de Roraima


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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