História

A trágica vida de Maria Stuart, rainha dos escoceses

Tragédia e glamour se misturam na vida de Maria Stuart (1542-1589). Ao longo de sua curta vida ela esteve entre três coroas, a coroa escocesa, sua por nascimento, a coroa francesa, sua por casamento e a coroa inglesa, a qual era pretendente. Pela última Maria Stuart perdeu a cabeça ao fim de uma acirrada disputa que travou com sua prima, a Rainha inglesa Elizabeth I (1533-1603).

Maria Stuart nasceu no Palácio Linlithgow, em Linlithgow, há 22 quilômetros de Edimburgo, capital da Escócia, em 7 de dezembro de 1542. Ela foi a última e única filha sobrevivente do Rei Jaime V da Escócia (1512-1542) com sua segunda esposa, a nobre francesa Maria de Guise (1515-1560). A vida de Maria começou marcada por eventos trágicos. Apenas seis dias depois de seu nascimento, seu pai morreu após ser derrotado pelos ingleses na Batalha de Solway Moss. Logo depois ela se tornou rainha da Escócia.

Maria teve uma infância turbulenta marcada por disputas políticas. As facções pró-inglesas e francesas que dominavam o cenário cortesão conspiravam constantemente para obter o controle de Maria. Nesse período a Inglaterra mantinha um desejo ardente de dominar a Escócia e anexá-la ao seu território, enquanto a França, inimiga de longa data da Inglaterra, prestava apoio político e militar a Escócia.

Nesse cenário nada invejável e com o objetivo de assegurar a segurança física de sua filha, de 5 anos, Maria de Guise, já na posição de regente do reino da Escócia, decidiu enviar a pequena rainha para a França em 1548, enquanto os vizinhos ingleses assediavam as fronteiras escocesas deixando um rastro de devastação nos locais onde passavam. Vivaz, bonita e inteligente Maria teve uma infância prodiga na França, vivendo como parte da família real francesa.

Aos 16 anos, em abril de 1558, Maria se casou com o Delfim Francisco (1544-1560) na Catedral de Notre Dame, em Paris. Por pressão de seu sogro, o Rei Henrique II de França (1519-1559), ela secretamente concordou em legar a Escócia a França se ela morresse sem um filho. Porém, aconteceu exatamente o contrário. Em dezembro de 1560 foi Maria quem ficou viúva, após seu marido, Francisco II, morrer de um abcesso no ouvido.

Foi durante o ano de 1558 que tiveram início as tensões políticas envolvendo Maria Stuart e sua prima, a Rainha Elizabeth I de Inglaterra. No início do século XVI a Europa havia se dividido entre católicos e protestantes. Em 1533 o Rei Henrique VIII de Inglaterra (1491-1547) havia rompido com a Igreja Católica e se autodeclarado chefe da Igreja da Inglaterra. Apesar de romper com o Vaticano grande parte dos ritos religiosos católicos foram mantidos.

Seu sucessor no trono o Rei Eduardo VI (1537-1553) demonstrou ser um protestante mais radical. Podemos dizer que Eduardo foi o verdadeiro responsável por tornar a Igreja da Inglaterra mais afastada dos ritos romanos. Após sua morte, por tuberculose, em 1553 sua meia-irmã católica Maria I de Inglaterra (1516-1558) ascendeu ao trono e declarou o Estado inglês novamente católico.

No entanto, as coisas mudaram após a morte da monarca. Em 1558 Elizabeth I a sucedeu como a nova rainha. Porém, muitos católicos ingleses consideravam Elizabeth uma rainha ilegítima, uma vez que o casamento de seu pai Henrique VIII com sua mãe Ana Bolena (c. 1500-1536) havia sido dissolvido em 1536. Para piorar a situação a reivindicação de Maria Stuart ao trono inglês baseava-se no fato de que ela era a neta de Margarida Tudor (1489-1541), irmã de Henrique VIII – pai de Elizabeth.

Em agosto de 1561, Maria desembarcou em Leith, Escócia, após uma ausência de treze anos. A Escócia, assim como o resto da Europa não estava imune ao protestantismo. Tentando manter uma postura moderada a rainha reconheceu a Igreja Presbiteriana e permitiu-lhe uma doação modesta. Durante grande parte de seu reinado Maria tentou apaziguar os ânimos entre católicos e protestantes enquanto mediava um casamento com um príncipe católico.

Finalmente em julho de 1565 Maria Stuart se casou com Henrique Stewart, Lorde Darnley (1545-1567), que havia nascido na Inglaterra. O casamento entre dois católicos desgostou os protestantes. O Conde de Moray, com a ajuda de outros nobres, levantou uma rebelião que Maria rapidamente suprimiu. Dois anos depois em fevereiro de 1567, Darnley foi assassinado em Kirk o ‘Field; as circunstâncias de sua morte até hoje permanecem um mistério.

Na época- e até hoje – acreditava-se que Jaime Hepburn (c.1535-1578), 4.º Conde de Bothwell fosse o principal instigador do incidente. No entanto, ele foi absolvido após um breve julgamento. Em maio de 1567 ele e Maria se casaram de acordo com o rito protestante. O casamento deixou a todos chocados fazendo que os nobres pensassem que Maria havia ordenado a morte do marido católico.

Assim teve início outra rebelião contra o governo de Maria em Carberry. Sem possibilidades de se defender a rainha foi forçada a se render e Bothwell fugiu para a Dinamarca. Maria acabou presa no Castelo Lochleven e em 24 de julho de 1567 foi obrigada a abdicar em favor de seu filho, que se tornou o Rei Jaime VI da Escócia (1566-1625). No ano seguinte Maria partiu para a Inglaterra. Ironicamente ela buscava auxilio de sua principal rival, Elizabeth I.

Maria não recebeu recebeu ajuda e passou dezenove anos como prisioneira da rainha inglesa. Enquanto ela estava encarcerada na Inglaterra, várias conspirações de católicos e agentes estrangeiros surgiram ao seu redor com o objetivo de colocá-la no trono. O chamado ‘Complô de Babington’ foi considerada a mais grave das conspirações contra Elizabeth.

Maria foi considerada participe da conspiração e foi condenada à decapitação. Embora relutante em executar sua prima, Elizabeth assinou a ordem de execução que foi realizada no Castelo de Fotheringhay em 8 de fevereiro de 1587. Maria contava com 44 anos na altura de sua morte. Ela trajava um vestido em cor vermelha para simbolizar o seu martírio. Após a morte de Elizabeth I, o filho de Maria, James se tornou rei da Inglaterra e unificou os dois países.

Fontes:

Mary Stuart : The Story. Disponível em: <http://www.marie-stuart.co.uk/index.htm&gt;. Acesso em 27. abr. 2021.

ZWEIG, Stefan. Maria Stuart. Tradução de Alice Ogando. 12ª ed°. Porto: Livraria Civilização Editora, 1969.

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Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores graduada em Histria pela Universidade Norte do Paran (2018) e possu ps-graduao em Gesto Educacional (2019) pela mesma instituio. Fundou o site Rainhas na Histria em setembro de 2016, onde aborda a vida de grandes personagens histricas ao longo dos sculos.
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