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Rússia celebra o 500º aniversário do explorador inglês que estabeleceu laços entre os dois países

Richard Chancellor não tem estátuas, prédios ou ruas com seu nome e é um homem nascido na cidade de Bristol, no  sudoeste da Inglaterra, de quem poucas pessoas já ouviram falar, mas que foi sumamente importante para o estabelecimento de laços comerciais entre a Inglaterra e a Rússia na segunda metade do século XVI.

O historiador e guia turístico russo Vadim Mikhaylov está liderando as comemorações do 500º aniversário de Chanceler no país – e está embarcando em uma recriação de uma semana da jornada de Chanceler a partir da costa do Mar Branco da Rússia, local onde ele pousou, até Moscou, onde se tornou o primeiro inglês a ser oficialmente recebido pelo Czar Ivan, o Terrível.

A história de Richard Chancellor é cheia de política, bravura e exploração. Ele nasceu e cresceu em Bristol, na casa de Sir Henry Sidney, um nobre inglês influente, e aos 20 anos de idade começou sua carreira como marinheiro. Ele foi inicialmente aprendiz de Roger Bodenham, navegando de Bristol para o Mediterrâneo Oriental, e aprendeu com o explorador Sebastian Cabot, cujo pai John Cabot havia desembarcado na América do Norte na década de 1490.

Na época, a exploração tinha como objetivo encontrar maneiras mais rápidas ou fáceis de chegar às lucrativas costas comerciais da Índia e do sudeste da Ásia, em vez de ter que percorrer todo o caminho ao redor da África. Seguindo os passos de seu pai, o mestre de nosso protagonista, ou seja, Sebastian Cabot, sonhava em montar uma expedição para encontrar uma passagem ao redor da Noruega e ao norte da Rússia, e também encontrar novos mercados para vender o principal produto de exportação da Inglaterra – o tecido.

Como resultado em 1552 teve lugar uma expedição com Richard Chancellor foi colcoado como segundo em comando. Porém, essa primeira expedição foi cercada de problemas. Os navegadores perderam o contato com um dos navios, não chegaram ao Cabo Norte – o ponto mais ao norte da Noruega – até o outono, que não era uma época ideal para começar a navegar no Oceano Ártico – e grande parte dos homens morreram perto de Murmansque, a 200 km a norte do Círculo Polar Ártico.

Richard Chancellor se saiu melhor. Seu navio, o Edward Bonaventure, alcançou o Mar Branco, e ele garantiu um porto seguro na foz do Rio Duína, na Rússia. Ivan, o Terrível, soube de sua chegada e enviou uma comitiva para levá-lo até Moscou em um trenó puxado por cavalos. Chancellor teve a oportunidade de jantar no palácio do czar, que por sua vez, se mostrava animado com oportunidade de criar novos vínculos comerciais entre a Rússia e a Inglaterra que não envolvessem potências da Europa central como os suecos, alemães e poloneses.

Ivan IV o mandou de volta ao seu navio com cartas prometendo acordos comerciais. Richard Chancellor voltou para Londres dois anos depois de partir. Um ano depois, em 1555, ele foi enviado de volta pela Rainha Maria I de Inglaterra ao Mar Branco e passou o ano seguinte organizando o comércio entre a Inglaterra e a Rússia, e também tentando descobrir com os russos se era possível chegar à China através do Oceano Ártico em busca de novas terras.

Em julho de 1556, Richard Chancellor voltou para a Inglaterra, levando consigo o primeiro embaixador russo a pisar em solo inglês, Osip Nepeya. Além do já citado navio Edward Bonadventure a frota de agora também era composta pelo navio Philip (cujo o nome era em homenagem ao Príncipe Felipe de Espanha) e pelo navio Mary (cujo o nome era em homenagem a própria Rainha Maria I). Devido a uma forte tempestade grande parte da frota morreu incluindo Chancellor. Somente os navios Philip e Mary escaparam, além do embaixador russo.

Com informações de Bristol Live


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Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores possui graduacao em Historia pela Universidade Norte do Parana (2018) e pos-graduacao em Gesto Educacional (2019) pela mesma instituicao. É correspondente para o Duna Press desde fevereiro de 2020 cobrindo assuntos referentes a direitos humanos e realeza com foco no Oriente Medio.
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