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GRANDES MANIFESTAÇÕES OCORREM CONTRA O PASSAPORTE SANITÁRIO

Por Hermes Rodrigues Nery 

Em artigo publicado no jornal La Stampa, “Não discutimos a vacinação, mas o uso político do Green Pass”, o filósofo italiano Giorgio Agamben levanta sérias questões de biopolítica sobre a instrumentalização da pandemia para fins que extrapolam o combate da covid 19, ao impor um “modelo de sociedade controladora” com proporções assustadoras pelo caráter totalitário, em nível global. E indaga: “até que ponto podemos aceitar isso?”  Enquanto ocorrem grandes manifestações contra o passaporte sanitário em importantes capitais europeias, especialmente em Paris, com protestos vigorosos, a mídia mundial não dá o destaque devido aos atos públicos impactantes.

Agamben destaca que os passaportes sanitários, na prática, “necessariamente produzem aquela discriminação de uma categoria de seres humanos” e devem ser contextualizados como estratégia para favorecer a Grande Transformação que as corporações transnacionais têm em mente, trabalhando para isso, há décadas, por uma agenda de poder global tecnocrático e altamente desumano. Mais ainda adverte solenemente sobre “o progresso  cego de uma máquina tecnológica que agora escapou de todo controle“.

Nada novo, para quem acompanha os relatórios das grandes fundações (como a Rockfeller), que desde antes da 1ª Guerra Mundial havia decidido investir no campo da biologia molecular e da Saúde Pública, para moldar corpos e mentes para uma sociedade inteiramente reengenheirada. H. G. Wells, em seu tempo, como outros, apresentavam cenários da realidade alterada e aumentada como eles querem chegar com a 4ª revolução industrial, para a Sociedade 5.0, com projeto já sendo desenvolvido, por exemplo, pelo governo japonês. Aldous Huxley, em entrevista de 1958, chegou a declarar que os “dispositivos tecnológicos” já existentes após a 2ª Guerra Mundial, ainda antes dos anos 1960, poderia impor ao mundo um totalitarismo global com efeitos opressores piores que os do século 20.

A tecnologia que poderia promover o ser humano, pode também voltar-se contra ele, oprimindo-o de uma tal forma, sem precedentes na História, com um grupo de bilionários tecnocratas (acima das nações) com poder imenso e controle desmedido sobre todos os aspectos da vida humana. O passaporte sanitário é um primeiro passo nesse sentido, “para estabelecer um terror sanitário implacável”. 

As Big Tech, Big Pharma e Big Data atuam para intensificar a distopia panóptica. A Big Data é a pior de todas, pois quem tem o maior número de informações, tem o maior controle de todos. E é nisso que eles estão investindo diuturnamente. Agamben ainda lembra os tempos sombrios da antiga União Soviética, aonde era exigida a propiska, um passaporte que era preciso apresentar para os deslocamentos. Os que resistiam eram identificados como “grupos de risco”, podiam perder as suas propiskas e até mesmo parar nos Gulags. Muitos procuravam subterfúgios para falsos passaportes, tentando, de todas as formas, se livrarem do controle e das ameaças. 

Coagir as pessoas a acatarem, sem o consentimento informado e sem respeitar a objeção de consciência de cada um, é solapar a liberdade e os direitos civis básicos, aonde biocratas determinam o que cada um pode ou não fazer, na lógica de um cientificismo que se impõe como uma espécie de credo religioso, aonde qualquer questionamento é desqualificado, hostilizado, penalizado e até criminalizado. Não se trata de garantir uma pretensa segurança sanitária, mas uma terrível e sofisticada forma de ditadura sanitária. Hoje, em nome da “saúde pública”, amanhã, em nome do “meio ambiente”, e por aí afora. O policiamento das ideias já existentes nas redes sociais e plataformas digitais explicitam a homogeneização do pensamento único que se impõe, com os dispositivos tecnológicos que massificam com maior eficácia, para que excluir rapidamente qualquer dissenso.

Por isso Agamben, como filósofo, faz a importante observação: “Os seres humanos não podem viver se não derem a si mesmos razões e justificativas para suas vidas, que em todas as épocas assumiram a forma de religiões, mitos, crenças políticas, filosofias e ideais de todo tipo. Essas justificativas parecem hoje – visões opostas, ao menos na parte mais rica e tecnologizada da humanidade”. E para esta parte rica e tecnocrática, o que deve prevalecer nas decisões políticas é apenas a sobrevivência biológica, erradicando de cada pessoa justamente o que a faz um ser humano, em dimensão integral, dotado de corpo e alma. Ao suprimir o livre-arbítrio das pessoas, impondo um padrão de conduta antinatural, a justificativa sanitária é utilizada como retórica para o terror totalitário.  Por isso a hora agora é da resistência, contras as “forças impessoais” que querem tolher  a liberdade e a dignidade da pessoa humana.   

Prof. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Coordenador Nacional do Movimento Legislação e Vida. Email: prof.hermesnery@gmail.com

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Hermes Rodrigues Nery

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética e Coordenador do Movimento Legislação e Vida.
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