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Pesquisadora mapeia a ingestão de plásticos por peixes marinhos

Segundo dados do estudo, 55% dos animais estavam contaminados. O trabalho foi publicado na revista internacional, Marine Pollution Bulletin.

Pesquisa realizada pela doutoranda Natália Carla Fernandes de Medeiros Dantas, do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Pesca da Universidade Federal do Ceará (UFC), mapeou a ingestão de microplástico por sete espécies diferentes de peixes: sardinha-bandeira, bagre-bandeira, bagre amarelo, bagre cinza, palombeta, roncador e coró branco. Todos são animais marinhos da zona costeira de Fortaleza (CE).

Quais foram os objetivos da sua pesquisa?
O objetivo do trabalho foi identificar, classificar e quantificar o microplástico ingerido e analisar a relação com os hábitos alimentares das espécies de peixes. Testamos duas hipóteses: a quantidade de microplástico ingerido varia em função da espécie e a quantidade de ingestão do microplástico tem associação com o comprimento do indivíduo. 

Nela foram observadas altas frequências e quantidades de ingestão de microplástico nas sete espécies estudadas. A quantidade de ingestão e o tipo de microplástico ingerido não depende do hábito alimentar da espécie, nem do comprimento do peixe, ou seja, indivíduos maiores não consomem uma maior quantidade de microplástico. O tipo de microplástico mais ingerido, abundante e frequente, foi filamento de coloração azul, a fibra têxtil sintética poliéster.

Dentre os resultados, o que vale destacar?
Vale destacar a elevada porcentagem de contaminação.  Ao todo, foram analisados 214 estômagos das sete espécies já mencionadas. Uma espécie de bagre apresentou 70% dos estômagos contaminados. Em geral, o índice de contaminação foi superior a 50%! 

Qual o destaque que a tese recebeu?
A tese foi publicada na revista internacional, Marine Pollution Bulletin (2020). Além disso, o trabalho foi tema de um documentário produzido por uma estudante de jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) e recebeu destaque no jornal e no programa de rádio da UFC e também foi tema de reportagem publicada pelo Diário do Nordeste.

O que ela traz de diferente da literatura?
A principal conclusão consiste na detecção de que a contaminação por microplástico foi generalizada, ou seja, independentemente dos hábitos alimentares das espécies de peixes, todas as espécies analisadas foram suscetíveis à ingestão de microplástico.

De que maneira a sua pesquisa pode ser aplicada?
Em programas de educação ambiental, como também auxiliar na elaboração de políticas públicas e gestão ambiental mais eficazes e assertivas. Por exemplo, no Capítulo 1 da minha tese mapeamos todo o lixo que vinha na rede de pesca; a maior parte era composta de copo descartável, provavelmente utilizado por banhistas e usuários das barracas de praia.

Essa informação pode embasar políticas públicas voltadas para a substituição do uso de descartáveis por utensílios reutilizáveis ou biodegradáveis por exemplo, como também programas e campanhas de educação ambiental que busquem sensibilizar e educar os usuários da praia sobre o impacto que o lixo pode ocasionar para a vida marinha, pois uma vez que esse plástico esteja no oceano, ele se degrada e se transforma em microplástico que pode ser ingerido por diversas espécies marinhas. 

Que benefício seu trabalho traz para a sociedade?
Sensibilização que promove a educação ambiental. Conhecimento sobre o impacto que causamos na natureza, na biota marinha. Esclarecimento também, uma vez que não sabemos ainda ao certo como essa contaminação pode retornar para nós mesmos. Como essa contaminação impacta a nossa saúde? Estudos ainda estão sendo realizados.

Sabe-se que a contaminação por microplástico causa danos físicos e reações inflamatórias nos peixes, comprometendo a sua sobrevivência e, consequentemente, a sustentabilidade desse recurso pesqueiro. Além dos danos físicos, as partículas de microplástico podem adsorver poluentes orgânicos persistentes (POPs) e metais pesados que estejam presentes no ambiente aquático. Neste caso, existe uma preocupação sobre a qualidade e segurança alimentar e quais seriam os efeitos desta contaminação na saúde humana, tendo em vista que as espécies sardinha-bandeira e a palombeta são consideradas fontes de proteína para diversas comunidades pesqueiras da região nordeste.  Além de que esses contaminantes, associados aos microplásticos (POPs), podem ser transferidos ao longo da cadeia trófica e chegar ao ser humano de forma intensificada, uma vez que esses pequenos pelágicos servem de presa para peixes de grande porte como a serra (Scomberomorus brasiliensis) e a cavala (Scomberomorus cavalla), espécies de elevado valor comercial na região norte e nordeste do Brasil.

Uma questão crucial nesta temática é que não se sabe exatamente como o ambiente marinho e seus organismos responderão ecologicamente aos impactos dessa “poluição plástica”. Por esta razão, estudos que ampliem a compreensão científica a respeito da ingestão de microplásticos são essenciais para compreender e prever as consequências desta contaminação. Eles são fundamentais para embasar planos de gestão efetivos e promover a conservação dos recursos pesqueiros e dos ecossistemas costeiros e marinhos que são amplamente ameaçados pelas atividades humanas em todo o mundo.

Para você, qual a importância da CAPES?
A CAPES foi fundamental em todo o processo. Primeiro ao conceder a bolsa que me possibilitou ir morar em Fortaleza e iniciar o meu doutorado. Depois, todo o custeio da pesquisa, desde a rede de pesca de captura dos peixes, aos reagentes utilizados nas análises foi comprado com a bolsa que eu recebi da CAPES e com investimento pessoal da minha orientadora. Não contamos com nenhum outro fomento além dos citados.

Fonte: Capes


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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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