Tecnologia

Cápsula de biocarvão pode semear e fertilizar o solo

Um bolsista da CAPES desenvolveu cápsulas feitas de biocarvão, material que altera características físicas, químicas e biológicas do solo, diminuindo a acidez. O interior da estrutura pode levar uma semente, o que contribui para o plantio ou replantio de diversas áreas. Com isso  produtores rurais podem ter mais alternativas na hora de semear.

“O solo brasileiro, em regra, é ácido. Já o biocarvão, que é o carvão vegetal para uso no solo, tem o pH alto. Ele fertiliza e possibilita às plantas acesso a nutrientes antes não disponíveis”, diz Álison Moreira da Silva, mestre em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com bolsa da CAPES. “A isso, se soma a semente, com a qual conseguimos, por exemplo, reflorestar locais degradados”, explica.

O biocarvão é o carvão vegetal adaptado para o uso no solo e encontra-se, geralmente, em pó. A cápsula foi uma solução pensada para dar mais peso à semeadura. “A cápsula é pesada o bastante para ser muito mais difícil de ser levada pelo vento do que o pó, mas suficientemente leve para ser transportada em drones, possibilitando chegar a locais de difícil acesso, como o topo de morros”, afirma Silva.

Já a inserção da semente se dá porque, além de melhorar o solo, o biocarvão retém muita água. Segundo o pesquisador, houve perdas de algumas antes da germinação, mas no caso das que cresceram, as características ficaram iguais às plantações tradicionais.

Ananias Júnior, professor-adjunto do Departamento de Ciências Florestais e da Madeira da Ufes e orientador de Álison Silva no mestrado, acredita que o Brasil pode evoluir no uso do biocarvão. “O Brasil é o maior produtor de carvão vegetal no mundo, mas o uso é prioritariamente na indústria siderúrgica e em churrascos. A aplicação no solo não é algo em larga escala como feito em outros países, como   Canadá, Estados Unidos e França”, afirma.

Um olhar de fora, aliás, contribuiu para a pesquisa. A ideia de desenvolver a cápsula se consolidou após um contato da equipe com Shinjiro Sato, professor da Universidade Soka e especialista no tema no Japão. A parceria se estabeleceu quando o grupo da pesquisa pensava em levar o tema para o Oriente por meio do Programa CAPES/JSPS, tocado em parceria pela Fundação e a Sociedade Japonesa para Promoção da Ciência (JSPS). A ida ao Japão não prosperou, mas o elo se manteve.

Os trabalhos continuam. As cápsulas estão em processo de patenteamento. Parcerias para comercializar o produto são analisadas pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (Ipef), sociedade civil mantida por empresas em parceria com o Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), onde Álison Silva cursa doutorado, novamente com bolsa da CAPES.

Fonte: Capes


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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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