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Superávit da balança bate recorde anual em nove meses, com US$ 56,4 bilhões

Resultado acumulado em três trimestres já é recorde mesmo para 12 meses; estimativas da Secex apontam para saldo positivo de US$ 70,9 bilhões em 2021.

A balança comercial brasileira alcançou superávit recorde de US$ 56,4 bilhões nos nove primeiros meses de 2021, com crescimento de 38,3%, pela média diária, em relação mesmo período do ano passado. Os dados divulgados nesta sexta-feira (1º/10) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia mostram que as exportações até setembro subiram 36,9%, atingindo US$ 213,9 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 156,8 bilhões, em alta de 36,4%. A soma de exportações e importações resultou em uma corrente de comércio de US$ 370,01 bilhões, em crescimento de 36,7%.

“No acumulado de janeiro a setembro, o resultado já é bastante representativo do que vai ser 2021. O saldo comercial é recorde para períodos de janeiro a setembro e, mesmo se considerarmos períodos de 12 meses, ele é recorde”, destacou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, em entrevista coletiva. O recorde anual anterior foi de US$ 56 bilhões, em 2017.

Considerando apenas os meses de setembro, o Brasil também registrou recordes nas exportações e na corrente de comércio. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as exportações cresceram 33,3% e somaram US$ 24,28 bilhões. As importações subiram 51,9% e totalizaram US$ 19,96 bilhões. Assim, a balança comercial fechou setembro com superávit de US$ 4,32 bilhões, recuando 15%, e a corrente de comércio subiu 41,1%, alcançando US$ 44,25 bilhões.

Preços e volumes

Herlon Brandão explicou que houve um pico das exportações em junho, quase US$ 1,4 bilhão na média diária, e agora há uma redução, mas com um valor relativamente estável, em torno de US$ 1,2 bilhão nos últimos três meses, também na média diária. “Temos um crescimento dos volumes exportados no ano, mas com a receita sendo muito influenciada pelo aumento dos preços até o segundo trimestre. Agora, já há uma desaceleração”, observou.

Ele salientou que houve uma redução, principalmente, do preço do minério de ferro, que chegou a um pico de US$ 160/tonelada, em agosto, e hoje está sendo exportado por US$ 120/tonelada. Ainda assim, o valor está muito acima do que se viu no ano passado. “Há uma desaceleração do efeito preço e um volume ainda crescente ao longo do ano”, ponderou.

Setores

A Indústria Extrativa vem se destacando nas exportações do acumulado do ano, com aumento de 76,6%, puxado por petróleo e minério. Já na Indústria de Transformação, a alta foi de 26,7%, enquanto as vendas de agropecuária subiram 21,2%.

Brandão salientou que os bens agropecuários apresentam volume decrescente de exportações (-8,7%), principalmente sob influência do milho, pois as vendas de soja se mantêm com volumes equilibrados. Já os preços na Agropecuária cresceram 23,7%.

Do lado das importações, as compras de bens de capital, que até junho estavam em queda, agora se recuperaram e passaram para o terreno positivo, com aumento de 3% no acumulado do ano. O destaque nesse setor foi das compras de máquinas e veículos de carga. No segmento de bens intermediários, as maiores compras foram de insumos eletroeletrônicos, adubos e fertilizantes. O subsecretário pontuou a importância dos bens importados para a produção interna.

Principais destinos e origens

Entre os destinos, as exportações para os Estados Unidos subiram 47% até setembro e já representam 10,4% das vendas brasileiras. A China, maior parceiro comercial do país – com 34,3% de participação –, teve alta de 32,6%. Já para a Argentina as exportações subiram 47,5%, e para a União Europeia houve aumento de 32%.

Nas importações, as compras de produtos da Argentina cresceram 44,7% nos nove primeiros meses, totalizando US$ 8,14 bilhões. Dos Estados Unidos, o aumento foi de 29,8%, com US$ 27,30 bilhões. A China vendeu 34,8% a mais para o Brasil, chegando a US$ 34,48 bilhões, e a União Europeia aumentou suas vendas para o País em 25,7%, somando US$ 27,92 bilhões.

Previsões

A Secex também apresentou a previsão atualizada dos resultados do comércio exterior brasileiro para 2021. O modelo de previsão está disponível no portal do Ministério da Economia.

A estimativa é de que as exportações atinjam US$ 281 bilhões, um recorde histórico absoluto, mesmo com uma redução em relação às previsões apresentadas em julho, quando o valor era de US$ 307,5 bilhões. O crescimento estimado é de 34,3%. “Estamos projetando três meses pra frente, em linha com o que observamos até agora”, explicou o subsecretário.

Segundo ele, a exportação cresceu 36% no acumulado de 12 meses, então deve acontecer uma ligeira desaceleração nos próximos meses, convergindo para esse aumento em torno de 34%, considerando o desaquecimento dos preços dos produtos exportados.

Na importação, ocorre o contrário. Como os preços se aquecem, influenciam a despesa com importação, elevando a projeção para US$ 210 bilhões. Assim, o saldo estimado diminuiu para US$ 70,9 bilhões contra US$ 105,3 bilhões das previsões de julho, mas ainda batendo um recorde.

“Já batemos um recorde, mesmo se considerarmos anos fechados”, reforçou Brandão, citando os US$ 56,4 bilhões de saldo para nove meses. Então, esse recorde deve se acentuar para US$ 70,9 bilhões em 2021, o que está em linha com as previsões de Banco Central e de mercado.”

A soma das exportações e importações, segundo a Secex, também vai gerar um recorde da corrente de comércio, com US$ 491,1 bilhões. Esse valor representa um aumento de mais de 30% sobre o ano passado.

Veja os principais resultados da balança comercial

Fonte: Ministério da Economia


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Joabson João

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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