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Técnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Pará participam de capacitação no Peru

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Curso acontece no Centro de Treinamento do Instituto de Cultivo Tropicales (ICT), na cidade de Tarapoto, com foco na articulação de ações preventivas fitossanitárias.

DivulgaçãoTécnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) participam de capacitação para o reconhecimento e o controle da Moniliophthora Roreri, mais conhecida como monilíase do cacaueiro, no Centro de Treinamento do Instituto de Cultivo Tropicales (ICT), na cidade de Tarapoto, no Peru. A intenção é, a partir do aprendizado, articular ações preventivas de vigilância fitossanitária frente a possível introdução da praga em território paraense.

Hoje, o Pará tem participação de 52% na produção nacional de cacau, e com expectativa de produção de 140 mil toneladas até o final de 2021. Com a posição de primeiro produtor brasileiro de cacau, o Pará conta hoje com mais de 25 mil produtores envolvidos, trabalhando em um pouco mais de 185 mil hectares cacaueiros. Em 2020, a cadeia produtiva do cacau movimentou no Pará, o valor de R$ 1,9 bilhão.

“O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e sua produção é exportada para outros países e também para o beneficiamento na Bahia. A possível entrada da monilíase causaria um impacto econômico, aumentado gastos na produção para mitigação de risco, restringindo trânsito e mercado das amêndoas. Daí a importância de, nós, do Pará, estarmos capacitados para uma possível entrada dessa praga em nossas plantações”, destaca Lucionila Pimentel, diretora de Defesa e Inspeção Vegetal da Adepará, que  participa do curso, no Peru.

O treinamento dos técnicos tem como finalidade o reconhecimento e controle da Moniliophthora roreri. Uma doença que ataca os frutos, podendo chegar a perda de 100% da produção. Atualmente, a doença é a maior ameaça à cacauicultura paraense. A capacitação começou dia 2, deste mês, e se encerrou neste sábado (7).

No total, participam 17 técnicos do Pará. São cinco da Adepará, cinco da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), seis da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater), e um da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). A capacitação também tem quatro técnicos de instituições de Defesa dos Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia.

Monilíase – é uma doença extremamente agressiva, que ataca os frutos do cacaueiro (Theobroma cacao), do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) e de outras plantas do gênero Theobroma em qualquer fase de desenvolvimento. Causada pelo fungo Moniliophthora roreri é facilmente disseminada pelo vento e por materiais infectados como plantas, roupas, sementes e embalagens.

Detectada na Bolívia e Peru, a doença ocorre também no Equador, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México e Venezuela e outros países do continente americano. A praga ocasiona perdas na produção que podem variar de 50% a 100% da produção.

No dia 08 de julho de 2021 foi informado oficialmente um foco da monilíase em área residencial urbana no município de Cruzeiro do Sul, interior do Acre. Assim, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está adotando as medidas cabíveis de contingência, em conjunto com as demais instituições oficiais de Sanidade Vegetal e de pesquisa.

Equipes do governo estão ao local para a ampliação dos monitoramentos de detecção da praga, delimitação da área afetada e adoção imediata de ações de contenção e erradicação, visando evitar sua disseminação para as áreas cultivadas de cacau e cupuaçu no país.

Conforme estudo realizado pelo Mapa e Embrapa, a monilíase está entre as 20 pragas quarentenárias ausentes do território brasileiro, consideradas prioritárias para ações de vigilância e pesquisa, em função do risco iminente de entrada no País e dos prejuízos econômicos que pode causar à agricultura nacional. Entre os critérios para atribuir o status de prioridade a uma praga, utilizados no estudo, estão o seu potencial de destruição e a ocorrência em áreas próximas do País, especialmente em regiões fronteiriças.

Atualmente, os maiores produtores paraenses de cacau estão concentrados na região da Transamazônica (BR-230) e Santarém-Cuiabá (BR-163), abrangendo os municípios de Anapu, Vitória do Xingu, Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas, Rurópolis e Trairão.

Plano – A Agência de Defesa do Pará tem um plano para uma possível chegada da praga ao estado, que segue as normativas do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância, coordenado pela Gerência de Pragas Quarentenárias da Adepará. 

Daí a importância do cadastramento de todos os agricultores na Adepará, por meio do no Sistema de Integração Agropecuária (SIAPEC 3), de seus cultivos agrícolas, para que na possibilidade de uma emergência fitossanitária dentro da cadeia produtiva do cacau a Agência tenha uma base de dados referenciais.

“Assim, teremos dados concretos para subsidiar o planejamento das ações, e desta forma diminuir o impacto econômico e controlar e erradicar foco”, frisa a diretora de Defesa e Inspeção da Adepará, Lucionila Pimentel.

A introdução dessa praga em território paraense pode provocar profundos desequilíbrios em ambientes agrícolas, urbanos e naturais, com reflexos econômicos, sociais e ambientais causados pelo desemprego e pela perda de renda no meio rural. A região amazônica é extremamente vulnerável à introdução de pragas presentes nos países e territórios de fronteira.

Fonte: Agência Pará


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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