Alimentação

Leite materno ou fórmula infantil: será que isso influencia na composição dos microorganismos intestinais de bebês prematuros?

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Pesquisa para verificar e descrever a microbiota intestinal de bebês prematuros (com menos de 32 semanas de gestação) em relação ao tipo de alimento utilizada no pós-parto: leite materno ou fórmula infantil.

Você sabia que existem milhares de seres microscópicos que vivem e trabalham junto com as células do nosso corpo, influenciando a qualidade da nossa saúde? O conjunto desses seres é chamado de microbiota e, quando habitam o intestino, formam a chamada microbiota intestinal, que tem função importante para o metabolismo, desenvolvimento e comportamento do organismo. Em bebês, a composição dessa microbiota intestinal depende de vários fatores, como por exemplo: tempo de gestação, tipo do parto, idade do bebê, se já tomou antibióticos, ambiente em que vive, e amamentação.


Em bebês prematuros, alguns estudos mostraram que o leite materno tem papel essencial para a saúde intestinal, melhorando o ganho de peso e o desenvolvimento do bebê. Isso pode sugerir que esse alimento possui propriedades muito interessantes, inclusive ligadas ao estabelecimento da microbiota intestinal do prematuro. Seguindo essa ideia, a equipe da pesquisadora Adriana Zanella, da Unidade de Neonatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, fez um estudo para verificar e descrever a microbiota intestinal de bebês prematuros (com menos de 32 semanas de gestação) em relação ao tipo de alimentação utilizada no período pós-parto. Os pesquisadores, portanto, compararam as diferenças causadas por duas situações distintas: ingestão de leite materno ou de fórmula infantil.

Na pesquisa foram analisadas amostras de fezes de bebês prematuros para identificação das espécies de microorganismos que compunham a microbiota intestinal de cada um. As amostras de fezes foram coletadas semanalmente das fraldas durante os primeiros 28 dias de vida dos recém-nascidos (incluindo a primeira defecação da vida do bebê). Todo o procedimento foi autorizado pelos responsáveis das crianças e aprovado pelo Comitê de Éticado Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)


Os bebês foram separados em cinco grupos de acordo com a alimentação administrada: (i) leite materno exclusivamente, (ii) fórmula infantil exclusivamente, (iii) mistura de 50% de fórmula com 50% de leite materno, (iv) mistura de fórmula com 70% ou mais de leite materno, e (v) mistura de leite materno com 70% ou mais de fórmula. Eles foram alimentados dessa maneira durante os 28 dias das investigações. 
Para a identificação das espécies microbianas, foram usadas técnicas de extração e processamento de DNA. Os dados foram analisados usando ferramentas estatísticas.

Neste estudo, foram encontradas variações na comunidade microbiana dentre os 5 grupos distintos: a maior riqueza microbiana foi encontrada naqueles que foram alimentados exclusivamente com leite materno, enquanto a menor foi encontrada no grupo alimentado exclusivamente com fórmula infantil. Os outros grupos apresentaram um resultado similar entre eles, ainda que tenham apresentado a diversidade de microrganismos muito abaixo do que a do grupo exclusivo de leite materno. Isso sugere que uma dieta baseada no uso de fórmula infantil desfavorece a colonização intestinal por maior diversidade de microrganismos em comparação com a alimentação por leite materno. As amostras das dietas baseadas em fórmula apresentaram concentrações muito mais elevadas de Escherichia e Clostridium (espécies de bactérias que podem causar doenças) em relação às amostras de leite materno, indicando que o leite materno conta com mecanismos de controle contra organismos patogênicos.


Ainda não se sabe exatamente os mecanismos pelos quais a microbiota intestinal influencia na saúde geral de um bebê recém-nascido, mas diversos estudos mostram a relação direta entre a baixa diversidade microbiana e o aparecimento de doenças. Como a alimentação é um importante fator no desenvolvimento dessa comunidade intestinal, entender o impacto de diferentes dietas nessa microbiota é crucial para que se melhore as condições de saúde de bebês prematuros, sendo essa uma estratégia interessante para a abordagem médica.

Pesquisador(es) Responsável(eis)

  1. Adriana Zanella
  2. Renato S. Procianoy

Instituição(ões)

Unidade de Neonatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Data de publicação20/11/2019.

Fonte:

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Joice Maria Ferreira

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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