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Brasil: O Golpe Republicano de 15 de Novembro nas Palavras da Princesa Isabel

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“Que vai ser de nossa patria meu Deus ! (…) Que Deus nos proteja e dê juízo a tantos doidos que correm à sua perda e a do paiz ! As saudades que levo são imensas . Fui tão feliz ! Era demais para este mundo.” Escreveu a Princesa Isabel do Brasil a uma de suas amigas mais íntimas no navio que a levava para o Exílio em 1889.

Após ver o pai destronado Dona Isabel escreveu em seu diário os acontecimentos do fatídico dia 15 de Novembro:

“Eram 10 da manhã do dia 15 de Novembro de 1889 (começa o escrito) – quando á casa chegaram o visconde da Penha e o barão de Invinheima, declarando-nos que diziam parte do Exercito insurgido, e na Lapa achar-se um batalhão ao qual se tinham reunido os estudantes da Escola Militar armados.

As noticias que chegavam eram tais que a nós pareciam exageradas. Pouco depois vieram noticias de que tudo estava apaziguado, nada mais havia a receiar, mas todo o Exercito coligado havia imposto, e alcançado, a retirada do ministério Ouro Preto. Gaston exclamou: a Monarquia está acabada no Brasil!

Tambem nos informaram que o Deodoro tinha a seu lado o Bocayuva e o Benjamin Constant e que declarára um Governo Provisório. O Dr. Rebouças chegou á casa e veio tambem da parte do Taunay com o plano de papai se conservasse em Petropolis, e aí estabelecesse o novo governo se fôsse necessario.

Para a princesa porém, passára o desejo da resistencia com a descida do Imperador de Petrópolis. No mesmo papel notou o motivo pelo qual Dom Pedro II desceu de Petrópolis: “Opinião de Papai e nossas: Se soubesse exatamente como as cousas se achavam, teria ficado em Petropolis de onde depois ter-me-ia internado mais e mais se fôsse necessario. – Papai diz, provavelmente para não aumentar a culpa, que pensou com sua presença tudo serenar, e portanto não duvidára em descer para o fóco, onde estaria mais perto dos acontecimentos e mais depréssa apaziguar os ânimos.

Isabel culpa a imprudência do Ministério Ouro Preto pelo Golpe liderado por Deodoro da Fonseca: “Com outras medidas se teria evitado o mal? Não sei. Gastou tambem foi de opinião de conservarmo-nos em Petropolis, mas não teve meio de comunicar com Papai, e quanto a mim, que sempre vejo tudo pelo melhor, estava longe de pensar que sucederia o que sucedeu, e portanto atuou muito no meu espirito a idéa de não fazermos um papel que mais tarde tornasse menos fácil nossa posição, podendo-se-nos acusar de pusilanimidade.

Como o Ministerio, e especialmente os ministros da Guerra, da Marinha e da Justiça, e o Presidente do Conselho por estes, não sabiam nada ? Imprudencia ! e mais imprudencia ! descuido ou o que?! Uma vez que a força armada toda estava ao lado dos insurgentes, todos nós, nem ninguem poderia fazer senão o que fizemos”. O diário prossegue : “Apareceu neste dia alguma guarda e um piquete que ainda veiu por-se ás ordens do Papai.”

O Barão de Jaceguay comentou: “a Princesa Imperial, ao passar pela mesa de Sevres, em que assinou, no dia 13 de Maio de 1888, ás 2 horas da tarde, o decreto da abolição. exclamou: “Se nos expulsam, a mim e a minha familia, pelo que assinei ali, repostas as cousas como dantes, hoje eu tornaria a escrever o meu nome sem vacilação”.

Fonte: Documentos & autógrafos brasileiros: na coleção Pedro Corrêa 1997/ Princesa Isabel. A Redentora. Por Pedro Calmon

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Paulo Fernando De Barros

Colunista e editor para a Noruega em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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