Saúde

Nova vacina capaz de controlar o avanço da doença de Chagas

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O Mal de Chagas afeta cerca de 12 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, pelo menos três milhões de pessoas sofrem com a doença, segundo o Ministério da Saúde.  A doença foi descoberta por Carlos Chagas (1879-1934) médico, pesquisador e sanitarista brasileiro que em 1909 descobriu o parasita causador da doença e dando-lhe o nome de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz, importante médico epidemiologista brasileiro. Hoje a doença leva o nome de seu descobridor. O inseto triatomíneo, popularmente conhecido como barbeiro ou chupão, é responsável por transmitir o parasitaaos hospedeiros, dentre eles o homem.

O Brasil avançou muito no controle do inseto transmissor da doença de Chagas, o que reduziu muito o número de casos. Contudo, milhões de pessoas estão infectadas e podem desenvolver a doença nos próximos anos. A cardiomiopatia chagásica crônica é considerada a forma mais grave da doença de Chagas e atinge pelo menos um terço dos portadores, além de ser responsável por altas taxas de mortalidade relacionada à doença. Na ausência de medicamentos específicos contra o parasita, os médicos recorrem a tratamentos capazes de amenizar os sintomas, usados para combater outras enfermidades do coração. Assim, é preciso desenvolver terapias específicas que reduzam os sintomas e contribuam para melhores prognósticos que ofereçam qualidade de vida aos doentes, impedindo a progressão da doença ou mesmo revertendo-a.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV) coordenam estudo que busca desenvolver vacina capaz de estimular uma nova resposta imunológica nos doentes, controlar o avanço da doença e recuperar as lesões provocadas por ela, sobretudo no coração.

Para desenvolver a vacina, chamada rAdVax, os pesquisadores modificaram o código genético de um vírus não patogênico (incapaz de induzir uma doença) – o adenovírus – para funcionar como um ‘sistema de entrega’ de elementos que estimulam a resposta imunológica. Esse adenovírus modificado, chamado de recombinante, transporta em seu código genético genes do Trypanosoma cruzi os quais fazem o adenovírus produzir parte de proteína – a mesma encontrada na forma amastigota do parasita – e parte de uma enzina – a mesma presente na forma tripomastigota do parasita.

Foram desenvolvidos dois protocolos para uso da vacina: o uso profilático (semelhante a outras vacinas, que visa a prevenir a doença pela indução de anticorpos) e o terapêutico (usada para tratar o doente e reduzir a progressão da doença). As vacinas foram testadas em camundongos porque eles reproduzem aspectos relevantes da forma cardíaca da doença de Chagas, como as arritmias e bloqueios atrio-ventriculares

Nos testes da vacina profilática, os camundongos receberam duas doses da vacina, com intervalo de quatro semanas. A resposta imunológica (produção de anticorpos) dos camundongos foi medida e os animais foram infectados (desafiados) pelo T. cruzi. O estudo demonstrou que a vacina profilática foi capaz de induzir resposta imunológica protetora contra o parasita. Houve redução da carga parasitária e prevenção da forma cardíaca crônica da doença. Dos animais não vacinados ou que receberam placebo (vacina com adenovírus não modificado) 100% ficaram doentes, enquanto que dos animais imunizados com a vacina profilática 40% ficaram doentes e a doença foi menos grave. 

Os testes com a vacina terapêutica foram realizados da seguinte forma: os camundongos foram infectados pelo T. cruzi. Após 120 dias, quando já apresentavam a forma cardíaca da doença de Chagas, os camundongos receberam duas doses da vacina, com intervalo de quatro semanas. Todos os animais não vacinados ou que receberam somente o placebo morreram 80 dias após receberem a vacina. Dentre os vacinados, 87% ainda estavam vivos 110 dias após a vacinação. Neles, a doença não progrediu e, na maioria dos animais, as lesões foram revertidas. Este resultado positivo está associado ao tipo de resposta imunológica induzida pela vacina: uma resposta menos inflamatória e mais protetora.

Redução da fibrose cardíaca em camundongo com a doença de Chagas após tratamento com a vacina rAdVax. Imagem de Jefferson Mendes.

A vacina rAdVax pode ser um importante aliado na prevenção da doença de Chagas e no tratamento de pacientes crônicos, uma vez que a descoberta da cura está longe por causa da complexidade e gravidade da doença para o coração. Hoje, os portadores da doença têm poucas alternativas terapêuticas. Se a infecção for diagnosticada na fase aguda (semanas ou poucos meses após a infecção), há dois medicamentos que podem ser usados e a chance de cura varia de 60-80%. Mas a maioria dos portadores tem infecção aguda assintomática e só descobre a doença muitos anos após a infecção. Para estes, a terapia disponível apenas alivia os sintomas, não impedindo a evolução da doença. Dos portadores crônicos, cerca de 30% evolui para a forma cardíaca da doença, que pode passar a insuficiência cardíaca, cuja melhor forma de tratamento seria o transplante cardíaco.
 
Os resultados promissores da vacina podem alterar o curso da doença de Chagas no Brasil. A vacinação de pessoas em regiões endêmicas, promovendo a prevenção da doença, reduzirá drasticamente o número de doentes. A vacina também poderá ser usada para imunizar cães e outros animais que podem ser hospedeiros do T. cruzi ou mesmo desenvolver a doença, interferindo no ciclo da doença e, consequentemente, reduzindo os casos de infecção humana. Contudo, o uso mais inovador da vacina será no tratamento dos portadores da doença. 

Apesar dos bons resultados, outras etapas e desafios ainda serão enfrentados, como os testes da eficácia da vacina em seres humanos e as barreiras político-econômicas relacionadas a uma doença historicamente negligenciada.Pesquisador(es) Responsável(eis)

Joseli Lannes-Vieira

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Fonte: https://canalciencia.ibict.br

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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