Saúde

O ganho de peso excessivo e o avanço do sobrepeso e da obesidade devem ser tratados com atenção

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Falar sobre o ganho de peso também é falar sobre aspectos genéticos, comportamentais, socioculturais e econômicos. Nesse contexto, ao perceber o ganho de alguns quilos no seu peso corporal, de forma contínua ou excessiva,  é fundamental tentar compreender o que está provocando esse aumento de peso, ao invés de procurar dietas milagrosas, remédios para emagrecer ou adotar outros comportamentos imediatistas que podem ser prejudiciais à saúde. Nesse momento é necessário manter a calma, analisar o ambiente e as ofertas para a adoção de hábitos mais saudáveis e, assim, buscar apoio para um cuidado adequado com o objetivo de interromper e reverter esse ciclo de ganho excessivo ou estagnação do peso corporal. 

A preocupação com o ganho contínuo de peso extrapola a saúde, que é o que realmente realmente importa. Mas, assim como o surgimento da obesidade e do sobrepeso envolve múltiplos fatores, a evolução das duas condições também. Entenda melhor como e onde tudo começa. 

A origem do ganho de peso: como e onde tudo começa? 

Esse resgate pode começar na família e na saúde. Uma pessoa com obesidade pode ter fatores genéticos que contribuem para o ganho de peso em excesso, ou  pode ter alguma síndrome ou doença associada que também provoque esse efeito. Pode, até mesmo, tomar algum medicamento que ocasione o acúmulo de gordura corporal. Assim, muitos fatores únicos ou que estão relacionados entre si que potencializam o sobrepeso e a obesidade.

É importante lembrar que mesmo pessoas sem histórico familiar ou problemas de saúde associados podem ganhar peso de forma excessiva e desenvolver sobrepeso e obesidade, bem como ter dificuldade para perder peso. Isso porque outros fatores, como os ambientais e o estilo de vida, também podem contribuir para o ganho de peso de forma não saudável.

Para Vivian Gonçalves, que é nutricionista e professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), a obesidade tem como uma de suas raízes o sistema alimentar como um todo, que tem influência na produção dos alimentos, na disponibilidade e até mesmo no preço final para o consumidor, dentre outras questões. Aspectos fundamentais que podem interferir nas escolhas individuais e familiares na hora de se alimentar.

Até mesmo os ambientes institucionais exercem o seu poder de influência e regulação, como a escola e o trabalho. Se eles não forem adequados, sem favorecer atitudes e comportamentos saudáveis, também podem colaborar para o desenvolvimento e a manutenção do sobrepeso e da obesidade. Um exemplo de influência positiva são as empresas que têm copas para que o colaborador leve sua comida de casa, um espaço para se alimentar adequadamente. Ou ainda, escolas que priorizem os alimentos in natura e minimamente processados no preparo da alimentação oferecida aos escolares.  

“Quando nós temos um ambiente que é favorável, um ambiente que favorece as escolhas saudáveis, que não é ‘obesogênico’, esse indivíduo vai ter mais facilidade de adequar alguns hábitos e atitudes para poder romper esse ciclo”, reforça a nutricionista. 

Além dos aspectos culturais e sociais, a profissional lembra que o econômico também chama bastante atenção, especialmente hoje em dia. De acordo com ela, pessoas com pouco acesso aos alimentos e com baixo poder aquisitivo têm feito o uso e o consumo de alimentos não saudáveis, como os ultraprocessados, e também têm apresentado altas taxas de obesidade. 

Esse contexto remonta à questão inicial sobre o sistema alimentar, que impacta diretamente na disponibilidade dos alimentos para as pessoas. Com isso, a profissional enumera ainda dois grupos que envolvem a má nutrição: quem tem acesso e não consegue fazer escolhas saudáveis e quem não pode escolher o que come, restringindo a sua alimentação ao que estiver disponível no momento. 

Por fim, é possível mais uma vez afirmar que o ganho de peso é multifatorial e que o aspecto individual é apenas um fator, sendo todos os outros associados ao coletivo. Para quebrar o ciclo é preciso, antes de tudo, proporcionar às pessoas  escolhas alimentares saudáveis, associadas a uma vida fisicamente ativa.   

Conhecendo as diferenças: sobrepeso x obesidade

Tanto o sobrepeso quanto a obesidade se referem ao acúmulo excessivo de gordura corporal. O que difere os dois conceitos é a quantidade desse acúmulo e, consequentemente, a gravidade. O sobrepeso está relacionado a um percentual menor quando comparado à obesidade, que é caracterizada por uma quantidade de gordura maior e  maior probabilidade de impactar na saúde das pessoas.

De acordo com Vivian, no nosso corpo existem depósitos de gordura que vão se formando. Ela explica ainda que, quando começamos a ter esse excesso em longo prazo, ele pode aumentar a ponto de alcançar o grau de obesidade. Uma maneira de quantificar isso é por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir da divisão do peso, em quilos, pela altura ao quadrado, em metros. Esse é um dos parâmetros mais comuns que ajudam a classificar o estágio em que a pessoa está. No caso da obesidade, o IMC apresentado é maior que 30. 

Evitar ou desacelerar o ganho de peso ao longo dos anos

Segundo a orientação de Vivian, a principal missão para interromper o ganho excessivo de peso ou romper a sua estagnação é não cair no conto das dietas milagrosas, nem das fórmulas mágicas que prometem dar fim à obesidade. Quem opta por esse caminho pode acabar entrando em um ciclo vicioso muito ruim, tanto do ponto de vista da saúde física quanto emocional. 

“Uma pessoa pode voltar a ganhar peso sim e isso é muito frequente, sendo um fato corriqueiro para essas dietas da moda, que são restritivas. Investimos todas as nossas fichas nela, em uma rotina que não é sustentável no longo prazo. Afinal, ela não faz parte da cultura alimentar, ela não faz parte da nossa vida, não cabe na nossa rotina e ela é tão difícil que nós conseguimos manter por um tempo, mas sem ser uma adesão em longo prazo. Quando abandonamos essa dieta, a tendência é que o ganho de peso seja, inclusive, maior que o anterior, como um efeito rebote”, orienta a especialista.

Quem tem alguma indicação para perda de peso ou manutenção precisa identificar oportunidades para que as escolhas sejam sustentáveis ao longo do tempo. É necessário priorizar o consumo da comida de verdade, que são os alimentos in natura e minimamente processados, evitar os ultraprocessados, tornar a prática de atividade física um hábito em sua rotina, tornar os ambientes que frequenta lugares propícios para escolhas alimentares saudáveis. 

Algumas mudanças, quando incorporadas à rotina, ajudam a melhorar a relação com a alimentação. Uma delas está relacionada ao ato de comer e à comensalidade, que de acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira tem a ver com o aproveitamento dos alimentos consumidos e o prazer proporcionado pela alimentação.

Isso envolve o tempo e a atenção dedicados ao ato de comer, ao ambiente onde ele se dá e à partilha de refeições. Ou seja: comer com regularidade e com atenção; comer em ambientes apropriados; e comer em companhia. Segundo o Guia, os benefícios da adoção dessas orientações são vários, incluindo melhor digestão dos alimentos, controle mais eficiente do quanto comemos, maiores oportunidades de convivência com nossos familiares e amigos, maior interação social e, de modo geral, mais prazer com a alimentação.

O ideal é incorporar pequenas mudanças no dia a dia até que elas proporcionem um novo estilo de vida. Tornar as pequenas ações em hábitos duradouros e não acreditar em soluções milagrosas para emagrecer. “Não existe uma fórmula que seja mais eficiente do que adotar pequenas mudanças no dia a dia. A Ciência ainda não trouxe uma fórmula mais eficiente. Mas, ela tem que acontecer em longo prazo e associada a um ambiente promotor de saúde e que contribua com um novo estilo de vida. É de fato o que vai trazer algum benefício e uma mudança duradoura, sem ficar naquele chamado efeito ‘sanfona’. Esse perde e ganha, perde e ganha vai minando tanto a saúde física quanto a saúde mental das pessoas”, finaliza. 

O SUS pode ajudar

Como explicado anteriormente, o sobrepeso e a obesidade podem ser causados ou agravados por questões multifatoriais e que possivelmente estão relacionadas. Nesses casos, especialistas da área da saúde são os profissionais mais indicados para avaliar e tratar essas condições. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma atenção adequada e integral  aos indivíduos com sobrepeso e obesidade por meio da atuação das equipes de saúde da família e dos núcleos ampliados de saúde da família e atenção primária (NASF-AP) espalhados por todo o Brasil. Para saber onde você pode buscar esse apoio, disque 136.

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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