News

Cientistas estudam a radioatividade em águas subterrâneas brasileiras

Compartilhar

As águas subterrâneas são importantes fontes de abastecimento de água, principalmente nas regiões rurais, onde as casas em geral utilizam poços artesianos para suprir suas necessidades. Normalmente a qualidade destas águas não passa por avaliações mais criteriosas, o que deixa em aberto a possibilidade da existência de riscos desconhecidos para a saúde da população. Por isso cientistas do Instituto de Radioproteção e Dosimetria, IRD/CNEN, associados á Rede de Geotecnologia em Águas Subterrâneas, RESUB, da Universidade Federal Fluminense, estão avaliando os níveis de concentrações de isótopos radioativos (átomos que emitem radiação) que ocorram naturalmente em depósitos de águas subterrâneas. Essa pesquisa busca identificar os principais fatores que influenciam as concentrações e estimar os níveis da exposição natural da população à radiação, devida ao consumo dessas águas.

Inicialmente os poços de abastecimento da região a ser estudada são mapeados. A seguir uma análise das características da região, dos poços e dos usos das águas determina a seleção dos poços onde a água será coletada. Durante a coleta são medidos parâmetros, como pH (acidez/alcalinidade da água), Eh (potencial de oxiredução, parâmetro físico-químico para entender que tipo de substâncias os elementos químicos formam na água), temperatura, nível de água no poço e vazão.

As amostras são analisadas para avaliar os teores dos elementos mais abundantes (como sulfato, nitrato, carbonato, cloreto, cálcio, magnésio, sódio e potássio) e dos isótopos radioativos (como Radônio 222, Rádio 226, Rádio 228, Chumbo 210 e Urânio 238) presentes na água. Os resultados são comparados com os padrões internacionais de potabilidade, são estatisticamente analisados e então criam-se mapas de tendências. Esse banco de dados, e todos os resultados obtidos, são entregues às prefeituras da região e aos demais interessados.

Até o presente, o projeto de maior envergadura foi a avaliação do potencial hidrogeológico da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro. Foram coletadas oitenta e oito amostras de águas subterrâneas de 550 poços cadastrados, cobrindo uma área de 1900 quilômetros quadrados, abrangendo cinco municípios: Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia e Cabo Frio.

Os resultados mostram grande variabilidade nos valores de concentração de elementos mais comuns como cálcio, magnésio, sulfato, fluoreto, sódio, potássio, cloreto (os chamados íons maiores), o que indica a salinização de lençóis freáticos, evidenciando a influência das águas marinhas nas águas subterrâneas. Foi constatada também a existência de áreas bem definidas (no Nordeste e Sudeste da Região dos Lagos) com elevadas concentrações de isótopos de Rádio. Dezessete das oitenta e oito amostras continham concentrações de Rádio 226 superiores ao limite de advertência recomendado pelo Ministério da Saúde.

Valores baixos e incomuns de pH (3,8 a 4,0) foram encontrados no nordeste da Região dos Lagos. A análise estatística mostrou forte relação entre baixos valores de pH e altas concentrações de Rádio 226 e 228 dissolvidas na água. A segunda área anômala de concentração de Rádio corresponde a uma zona de alta salinidade, com forte influência da água do mar.

Os valores das concentrações de Urânio e Radônio em todas as amostras foram inferiores aos limites máximos estabelecidos para água potável.

O valor máximo da dose efetiva para adulto na área crítica foi estimado como 0,8 mSv/a (sendo mSv/a uma medida específica da área de radioproteção, a Unidade de Dose medida por ano), sendo que esta dose justifica, para o consumo dessas águas, a realização de avaliações de risco para a saúde.

Tomar água é uma das formas mais comuns de transferência de isótopos radioativos naturais do meio ambiente para o corpo humano. As águas subterrâneas normalmente apresentam teores mais elevados desse tipo de isótopos do que as águas de superfície. Só alguns países têm considerado a mensuração da concentração desse tipo de isótopos na água de abastecimento como um dos padrões de potabilidade a serem monitorados.

No Brasil, o Ministério da Saúde fixou um limite para radioatividade alfa total, isto é, para o teor total de radiações alfa num determinado período de tempo. Esse limite é de 0,1 Bequerel por litro (0,1 Bq/L), sendo Bequerel uma unidade de medida de radiação que corresponde a uma desintegração de isótopo por segundo. Esse limite de radiações alfa inclui o isótopo Rádio 226 (Ra-226), emissor de radiação alfa e que provavelmente é a principal fonte desse tipo de radiação nas águas subterrâneas. Já para a radioatividade beta total o limite é de 1 Bq/L.

A norma do Ministério da Saúde recomenda que cada estado realize seu levantamento, a fim de possibilitar o conhecimento dos níveis de radioatividade dos depósitos de água destinados ao abastecimento público. A importância da pesquisa decorre diretamente do fato de que esses dados são praticamente inexistentes no Brasil.

Pesquisador(es) Responsável(eis)

Dejanira da Costa Lauria – Rodrigo Menezes Raposo de AlmeidaInstituição(ões)

Instituto de Radioproteção e Dosimetria, IRD/CNEN

Sugestões de leitura

http://www.cnen.gov.br/cnen_99/educar/apostilas/radio.pdf

Fonte:

Ver também:

Conheça como funciona o trabalho de uma OSCIP que resgata animais em situação de risco e abandono.

Como estabelecer metas de estudos.

 A educação de alta qualidade já está ao alcance de todos e em qualquer lugar.


O ensino de alta qualidade já está ao alcance de todos e em qualquer lugar. Educação de Ensino em Casa, Jardins de Infância e Escolas, com cursos educacionais pré-escolar, ensino básico, fundamental e médio!

Gratuitamente, clique e comece já!

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhar

Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
Botão Voltar ao topo
Translate »