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Jovem morre após sofrer mutilação genital em Serra Leoa e reaviva apelos para proibição da prática

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Maseray Sei, 21 anos, foi encontrada morta após passar pelo procedimento em um ritual realizado por uma sociedade secreta para mulheres.

A morte de uma jovem em Serra Leoa, logo depois de após passar por uma mutilação genital feminina, gerou indignação e reacendeu os apelos para acabar com a prática no país.

O corpo de Maseray Sei, de 21 anos, foi encontrado em 20 de dezembro na aldeia de Nyandeni, no distrito de Bonthe, no sul de Serra Leoa, um dia depois da mutilação. A família de Sei disse que após o procedimento a mãe de dois meninos queixou-se de enxaqueca e sentiu dores.

A família agora está pressionando por uma autópsia. O corpo de Sei foi encontrado em uma casa típica da Sociedade Bondo, uma sociedade iniciatória de mulheres, que é comum em toda a zona rural de Serra Leoa, onde mutilações genitais frequentemente acontecem. A Sociedade Bondo se propõe iniciar suas integrantes na passagem da juventude para a vida idade adulta por meio de rituais.

A iniciação pode durar várias semanas ou até vários meses, dependendo de critérios como idade, linhagem, nível de escolaridade e etnia. Os rituais envolvendo a iniciação podem ter lugar nas casas da Sociedade Bondo ou em matas.

As Sociedades Bondos são instituições culturais importantes na África, que estão enraizadas em rituais ancestrais que se acredita proteger as comunidades contra o mal e guiar meninas adolescentes à feminilidade.

Serra Leoa tem uma das taxas mais altas de mutilação genital feminino do mundo, com 9 em cada 10 mulheres e meninas entre 15 e 49 anos sendo afetadas, de acordo com a Unicef. Apesar das restrições às sociedades secretas a prática continua legal em Serra Leoa, com políticos sendo acusados ​​de fazer declarações em apoio à mutilação genital feminina e de financiar as casas Bondo.

Após a morte de Sei, a polícia prendeu várias soweis – membros de alto escalão da sociedade que são responsáveis pelas mutilações – bem como uma chefe de aldeia no distrito de Bonthe, responsável pela regulamentação da sociedade.

Rugiatu Turay, ativista e ex-vice-ministra do gênero em Serra Leoa, disse que o caso foi outro exemplo chocante do número de mulheres que causam a mutilação genital feminina.

“É um caso trágico e, de certa forma, mostra quantas pessoas como ela morreram ou estão sofrendo, porque a maioria dos casos não é notificada”, disse ela.

Turay ainda preside uma coalizão de 21 grupos nacionais que lutam contra a mutilação genital feminina, que agora pressiona as autoridades para que realizem a autópsia.

“É o próximo passo importante para obtermos clareza neste caso”, disse ela.

Senesie Amara, uma ativista que trabalha com a família de Sei, disse que parentes relataram que ela estava com boa saúde no dia anterior à mutilação.

“Ela foi buscar lenha e água para a tia, estava fisicamente bem no dia 18 de dezembro. Naquela noite ela dormiu na casa do Bondo, e foi quando as coisas pioraram”, disse Amara.

“Para a família é muito chocante. Eles a amavam.”

Sei era mãe de duas crianças, uma de quatro anos e uma de seis meses, e ainda estava no ensino médio porque começou a estudar tarde e repetiu vários anos, disse Amara, descrevendo como, apesar de seus desafios, ela lutou por uma vida melhor para ela e seus filhos.

Mas a pressão da comunidade para se submeter à mutilação genital feminina aumentou depois que ela teve seu segundo filho. “Ela procurou o tio no dia 11 deste mês e disse-lhe que queria entrar para a sociedade Bondo. Ele disse que não tinha dinheiro para dar a ela, que estava reformando a casa de sua família. Ela então foi para o namorado. Ele deu a ela 200.000 leones [£ 13]”, disse Amara.

De acordo com a ex-vice-ministra do gênero em Serra Leoa as sociedades Bondo viram muitas mudanças, mas a mutilação genital feminina continua sendo uma prática central e perigosa.

“Enquanto estava no governo, pressionei para que Serra Leoa tivesse uma estratégia nacional para acabar com a mutilação genital feminina, mas houve resistência”, disse ela. “Ao longo dos anos, muitas coisas mudaram na cultura Bondo, e nossa organização analisa como podemos desenvolver os melhores aspectos de nossa cultura, em que as mulheres podem ser treinadas e empoderadas.”

Com informações de The Guardian


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Fernanda da Silva Flores

Fernanda da Silva Flores é graduada em História pela Universidade Norte do Paraná (2018) e possuí pós-graduação em Gestão Educacional (2019) pela mesma instituição. Fundou o site Rainhas na História em setembro de 2016, onde aborda a vida de grandes personagens históricas ao longo dos séculos. Reside em Itajaí, Santa Catarina, Brasil.
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