Saúde

Caminhada de seis minutos ajuda a avaliar o risco de cirurgias cardíacas

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Nos últimos anos, foram alcançados avanços importantes no tratamento de pacientes com cardiopatias congênitas, principalmente em relação ao diagnóstico dessas doenças e procedimentos cirúrgicos. Inovações nas técnicas de cirurgias e nos cuidados pós-operatórios contribuíram com o sucesso de correções de doenças cardíacas congênitas que antes eram consideradas inoperáveis. Isso permitiu que a sobrevida desses pacientes aumentasse de modo significativo.

Cada vez mais recém-nascidos com cardiopatia congênita chegam à adolescência e à idade adulta. Esses pacientes, em sua maioria, realizaram a primeira cirurgia cardíaca ainda na fase neonatal e infantil. Muitos deles ainda têm a necessidade de uma nova cirurgia, quer seja porque não foi possível corrigir todo o defeito cardíaco, quer seja pelo desgaste ou necessidade de substituir uma prótese com passar dos anos. Portanto, identificar fatores que possam estar associados com eventuais complicações decorrentes de uma nova intervenção torna-se um desafio relevante para minimizar as consequências dessa cirurgia para o paciente, para a sua família e para o sistema de saúde.

No Instituto do Coração (Incor), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, há cerca de 560 pacientes com cardiopatias congênitas aguardando tratamento cirúrgico. O tempo de espera depende da gravidade do paciente, mas pode chegar a mais de dois anos. A cirurgia cardíaca é considerada um procedimento de elevado risco, custo e de incidência de complicações. Estima-se que o preço médio do procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está em torno de R$ 12 mil, sendo que nesse valor não estão inclusos os gastos com material nem o tempo de internação em UTI ou enfermaria. 

fisioterapia , como membro de uma equipe que participa de todo o processo cirúrgico, desde o momento pré-operatório até o pós-operatório tardio, pode contribuir com procedimentos específicos de avaliação do estado funcional do paciente, física e pulmonar, na tentativa de reduzir as complicações pós-operatórias. O estudo conduzido pela médica Emilia Nozawa, do Incor, buscou avaliar a condição física e pulmonar de crianças e adolescentes, antes e depois da cirurgia cardíaca, por meio do teste de caminhada de seis minutos, da variabilidade da frequência cardíaca, espirometria e avaliação da força muscular respiratória a fim de identificar aqueles pacientes que têm maior risco de morrer ou de sofrer complicações graves se submetido à cirurgia.

Participaram deste estudo 81 crianças e adolescentes entre 8 e 18 anos, avaliados em três momentos: antes da cirurgia, no dia da alta hospitalar e 90 dias depois da alta hospitalar (pós-operatório tardio). Todos eles fizeram o teste de caminhada de seis minutos, que avalia quantos metros o paciente consegue andar durante esse tempo. Antes e depois desse teste, foram medidas a saturação de oxigênio no organismo, a pressão arterial e o grau de cansaço. Foi mensurada também a variação da frequência cardíaca, um importante parâmetro para avaliar a capacidade de o coração de se adaptar a diferentes situações. Para avaliar a função pulmonar, foram realizados os testes de espirometria e um exame que mede a pressão inspiratória e a pressão expiratória, ou seja, a força muscular do sistema respiratório para contrair e relaxar.

Cinquenta pacientes completaram as três fases do estudo. Cinco morreram e quatro ficaram internados no hospital por um tempo maior que os 30 dias previstos. Os outros 22 não retornaram para a terceira avaliação.

Dos pacientes avaliados, cerca de 70% já haviam realizado pelo menos uma cirurgia cardíaca. Em média, o tempo de internação hospitalar foi de 17 dias e 64% apresentaram algum tipo de complicação pós-operatória. A coleta de dados começou em janeiro de 2009 e foi concluída em junho de 2011.

Nesta pesquisa, pode ser constatado que o baixo desempenho físico no período pré-operatório, caracterizado pela distância percorrida na caminhada e pela baixa saturação de oxigênio, se correlacionou de forma negativa com o tempo de internação hospitalar, ou seja, pacientes que caminharam menos e que apresentavam saturação de oxigênio em repouso menor tiveram um tempo de internação hospitalar maior. Os pacientes caminharam, em média, 522 metros com uma saturação em repouso de 92% no pré-operatório.

Outro resultado importante foi observado pela avaliação da variabilidade da frequência cardíaca. Quanto menor a sua variação, maior o risco de apresentarem complicações pós-operatórias e risco de morte. Isso significa que a capacidade do coração de se adaptar a diferentes situações está reduzida.

Outro indicador que esteve associado com maior risco de complicações pós-operatórias foi o Índice de Massa Corpórea (IMC). Em média, os pacientes apresentavam o IMC de 18kg/m2. Pacientes que evoluíram a óbito apresentavam a média de IMC de 16,99kg/m2. Ainda, aqueles que apresentavam valores acima de 22 kg/m2 são os que apresentaram mais complicações infecciosas.

Finalmente, a pesquisa concluiu que a população de paciente tem elevado risco para realizar a cirurgia cardíaca e apresentar complicações. A adoção de testes funcionais, simples e de fácil aplicação, na rotina hospitalar pode auxiliar na tomada de decisão para o procedimento cirúrgico. Na opinião da médica Emilia Nozawa, a melhor indicação para os casos de alto risco são os cuidados paliativos. Segundo a médica, o longo tempo de internação desestrutura as famílias, onera muito o hospital e não permite a rotatividade de pacientes. Além disso, sobretudo as crianças sofrem demais e, no final, acabam morrendo.

O Ministério da Saúde estima que as doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte entre a população brasileira.

A doença mata por ano, 7.6 milhões de pessoas no mundo todo, devido às suas complicações como AVC (acidente vascular cerebral ou derrame), infarto, entre outras. Os principais fatores de risco para o coração já são nossos velhos conhecidos como o colesterol alto, o cigarro, o diabetes, a pressão alta, a obesidade (principalmente o acúmulo de gordura na barriga), a falta de exercício físico, a alimentação inadequada e, finalmente, o estresse e a depressão.

Hoje sabemos que medidas preventivas como controlar o colesterol alto, não fumar, comer mais frutas e hortaliças e fazer exercícios físicos regularmente reduzem em 80% o risco de doenças do coração. Saiba como cuidar do seu coração!

Créditos: InCor

Pesquisador(es) Responsável(eis)

Emilia Nozawa – Angela Sachiko Inoue (Serviço de Fisioterapia) – Ana Cristina Sayuri Tanaka e Antonio Augusto Lopes (Serviço de Cardiopatias Congênitas do Incor) – Filomena Regina Gomes Galas – Ludhmila Abrahão Hajjar (Serviço de Anestesiologia)I

nstituição(ões)

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

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Fonte: https://canalciencia.ibict.br

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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