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Paulistas levam vantagem sobre europeus; a história dos mundiais de clubes

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Na final diante do Chelsea neste sábado (12), Palmeiras pode conquistar o nono título mundial de um time paulista.

A começar pela Taça Rio em 1951, o futebol paulista tem melhor retrospecto que os europeus em confrontos que valem o título do Mundial de Clubes em seus diversos formatos disputados ao longo da história. De Pelé a Guerrero, passando pelos sucessos de Raí, Dida e Rogério Ceni e os fracassos de Marcos e Neymar, o saldo é positivo para os clubes de São Paulo, em detrimento de equipes de outros estados que são superados pelos europeus nestes confrontos.

Ao todo, foram dez disputas -diretas ou não- entre paulistas e europeus valendo o título mundial, com oito conquistas brasileiras, contra duas europeias. Por outro lado, times de outros estados, somados, levam desvantagem. Em 11 oportunidades times de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul estiveram na disputa pelo título do Mundial de Clubes e venceram três delas, sendo derrotados em outras oito.

Cronologia dos Mundiais de Clubes

Na esteira do retorno da Copa do Mundo de Seleções no pós-Guerra, surgiu a ideia de um torneio mundial entre clubes. Patrocinado pela cidade do Rio de Janeiro, ficou conhecido como Copa Rio o torneio que reuniu metade dos times desejados -apenas europeus e sul-americanos se interessaram em participar- e aconteceu um ano depois do planejado, mas que plantou a semente da ideia de uma competição mundial interclubes. Campeão paulista de 1950, o Palmeiras foi um dos representantes brasileiros. O outro foi o Vasco da Gama, campeão carioca no mesmo ano. O Brasil sequer tinha uma competição nacional à época.

Com oito times divididos em dois grupos, os dois melhores avançaram à semifinal, onde Palmeiras e Vasco da Gama se enfrentaram. Vencedores, os palmeirenses superaram os italianos da Juventus na decisão em duas partidas no Maracanã. Após vitória por 1 a 0 e empate por 2 a 2, os palmeirenses ficaram com o título do que ficou conhecido como primeiro Mundial de Clubes.

Apesar disso, a competição que motivou a realização de diversos torneios envolvendo clubes europeus e sul-americanos nas próximas décadas, não teve sequência, ficando o mundo sem um campeão por alguns anos. Como acontecia desde a primeira década do século XX, porém, torneios entre clubes europeus eram frequentes. A história mudaria em 1955, quando da criação da Taça dos Clubes Campeões Europeus, embrião da badalada Champions League, que em seu primeiro ano conseguiu reunir 16 times.

Logo a ideia de um torneio mundial entre clubes foi retomada e, para tanto, a América do Sul precisava apontar um representante para enfrentar o campeão europeu. A partir disso nasceu a Taça Libertadores da América, torneio para o qual o Brasil precisava apontar um representante, surgindo assim a Taça Brasil, o primeiro Campeonato Brasileiro da história, iniciado em 1959. Nascia a partir de 1960, o Mundial Interclubes.

Quatro décadas de história

Entre 1960 e 2004 -exceção feita a 1978, quando não houve disputa, e 2000, que teve dois torneios mundiais-, o confronto entre os campeões europeus e sul-americanos era o formato de disputa do Mundial Interclubes. Nele, o Santos comandado pelo Rei Pelé foi o primeiro brasileiro a dominar o planeta, ainda na década de 1960. Em 1962, venceu na ida o Benfica no Maracanã por 3 a 2, e quando os ingressos para o terceiro jogo em Lisboa já estavam sendo vendidos, o Santos virou o placar e venceu os donos da casa por 5 a 2 para ficar com o título. No ano seguinte, o time da Vila Belmiro perdeu por 4 a 2 para o Milan, na Itália e, sem o Rei, devolveu o mesmo placar no Maracanã e venceu a terceira partida por 1 a 0 para ficar com o bicampeonato.

Trinta anos depois, o futebol paulista viu a história ser repetida através do São Paulo do técnico Telê Santana. Já num novo formato -jogo único disputado no Japão, terra dos patrocinadores do torneio- o Mundial Interclubes viu Raí brilhar na vitória são-paulina por 2 a 1 sobre o Barcelona, em 1992; e Muller marcar de calcanhar no triunfo por 3 a 2 sobre o Milan, em 1993. O outro paulista a ir ao Japão em busca do título, porém, voltou sem ele. Em 1999, o Palmeiras viu o ídolo Marcos falhar na derrota por 1 a 0 para o Manchester United.

Nova era dos Mundiais

Dias depois, a bola rolava para um novo projeto da FIFA -que até então apenas chancelava o Mundial Interclubes- para o seu Mundial de Clubes. Novamente com oito times e, assim como em 1951, disputado no Brasil, o torneio teve o mesmo formato da Copa Rio e contou com Corinthians -campeão brasileiro de 1998 representando o país-sede e o Vasco da Gama, campeão da Copa Libertadores da América no mesmo ano-, como os representantes brasileiros.

Com os corintianos eliminando o Real Madrid e os vascaínos despachando o Manchester United nas semifinais, a decisão do que a FIFA chamou de 1º Mundial de Clubes foi brasileira e decidida nos pênaltis. Nela, diante do goleiro Dida, o craque Edmundo bateu para fora a sua cobrança, definindo mais um título mundial aos paulistas.

Apesar da grandiosidade do evento, o torneio nestes moldes nunca mais foi repetido e sua disputa não impediu que o Mundial Interclubes fosse novamente realizado no final do ano -quando o Boca Juniors superou o Real Madrid-, e até 2004.

No ano seguinte, era inaugurado um novo formato de disputa do Mundial de Clubes e novamente com um time paulista ficando com o troféu. Contando com times de todos os continentes, o novo mundial tinha sul-americanos e europeus entrando na semifinal da disputa. Para ficar com o tricampeonato mundial, o São Paulo de Rogério Ceni derrotou o Al-Ittihad da Arábia Saudita antes de superar o Liverpool da Inglaterra.

Desde então, este é o formato dos mundiais entre clubes promovidos pela FIFA e, com finais diferentes, Santos e Corinthians já estiveram no torneio. O primeiro, em 2011, liderado por Neymar, superou o Kashiwa Reysol do Japão mas foi derrotado na decisão para o Barcelona. Com Messi reforçando a base da seleção espanhola campeã europeia em 2008 e 2012 e do Mundo em 2010, o time santista foi derrotado por 4 a 0 na decisão.

No ano seguinte, porém, o Corinthians conseguiu a última conquista mundial de um clube brasileiro desde então. O time comandado pelo técnico Tite viu Paolo Guerrero, atacante peruano, brilhar para conquistar o torneio. Com dois gols solitários, o Corinthians superou o Al-Ahly do Egito na semifinal e o Chelsea da Inglaterra na decisão para ficar com o título.

Dez anos depois, o Palmeiras, arquirrival corintiano, tenta derrotar o mesmo adversário na tarde deste sábado, 12 de fevereiro, e proporcionar mais uma conquista do mundo por parte de um clube paulista.

Outros brasileiros

Se os paulistas levam vantagem quando o assunto é disputa de mundiais, o mesmo não se aplica a outros brasileiros. Entre os cariocas, o Flamengo tem um título em 1981 e um vice-campeonato em 2019, ambos diante do Liverpool. O Vasco da Gama, por sua vez, foi derrotado pelo Real Madrid no Interclubes de 1998 e perdeu a final do Mundial de 2000 para o Corinthians.

Os gaúchos viram o Grêmio ser campeão diante do Hamburgo em 1983, mas ficar com o vice-campeonato ao ser derrotado pelo Ajax em 1995 e pelo Real Madrid em 2017. Arquirrival gremista, o Internacional derrotou o Barcelona para ser campeão em 2006, mas sucumbiu na semifinal de 2010, ao ser derrotado pelo Mazembe, do Congo e deixar de fazer a decisão com a Inter de Milão.

Três anos depois, foi a vez de o Atlético Mineiro repetir o expediente colorado em sua única participação no torneio. Derrotado pelo Raja Casablanca do Marrocos, na semifinal, o alvinegro de Minas Gerais sequer chegou a jogar a decisão mundial em 2013, quando enfrentaria o Bayern de Munique. Feliz na ocasião, os cruzeirenses acumulam duas derrotas em finais de mundiais. A primeira, em 1976, justamente para os alemães do Bayern, enquanto em 1997 foi a vez de o Borussia Dortmund levar a melhor sobre o Cruzeiro.

Fonte: Federação Paulista de Futebol


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.

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