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Pesquisa melhora a colheita do amendoim

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O agrônomo Adão Felipe dos Santos é doutor em Produção Vegetal pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professor-adjunto de Agricultura de Precisão no Departamento de Agricultura da Escola de Ciências Agrárias de Lavras, na Universidade Federal de Lavras (Esal/Ufla). Adão fundou e coordena o Grupo de Extensão e Pesquisa em Agricultura Digital (Gepad/Ufla), onde trabalha para identificar com exatidão o ponto ideal para colheita do amendoim. Como bolsista do Programa de Doutorado-Sanduíche (PDSE) da CAPES, ele pôde realizar parte da sua pesquisa na University of Georgia, nos Estados Unidos.

 Resumo da tese (Foto: Arquivo Pessoal)

Fale um pouco sobre o seu projeto de pesquisa.
O nosso trabalho empregou técnicas de sensoriamento remoto, Agricultura de Precisão e inteligência artificial para solucionar um dos principais entraves na produção de amendoim, que é a identificação do ponto ótimo de maturação, e propor o início da primeira etapa de colheita, o arranquio. A pesquisa foi desenvolvida utilizando imagens de satélite de alta resolução e câmera multiespectral acoplada a um drone, nas condições de cultivo de amendoim do Brasil e nos Estados Unidos.

Nossos resultados foram publicados em excelentes revistas científicas, o que demostra a relevância dos pesquisadores do Brasil junto à comunidade científica internacional, especialmente no que tange ao desenvolvimento e emprego de alta tecnologia no setor agro. Sem dúvida, o apoio de instituições como a Cooperativa Agroindustrial de Jaboticabal (Coplana) e a Georgia Peanut Comission foram fundamentais para realização do nosso trabalho.

Quais são os próximos passos para seu estudo?
Pretendemos melhorar os modelos desenvolvidos durante a tese, incluindo variáveis climáticas para aumentar a acurácia na predição da estimativa de maturação. Para isso, eu e os professores Rouverson Silva e George Vellidis – que me orientaram durante o doutorado – estamos com um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), já em andamento.

 Adão durante avaliação de maturação dos grãos de amendoim (Foto: Arquivo Pessoal)

Como o seu trabalho pode contribuir para a melhoria da vida das pessoas?
As vagens de amendoim, apesar do desenvolvimento abaixo do solo, não possuem ligação com as raízes das plantas, por isso, para que a operação de arranquio aconteça, as vagens precisam apresentar coloração variando de marrom a preto, o que torna a classificação subjetiva. Essa subjetividade gera dois grandes problemas: se a colheita acontece além do ponto ótimo de maturação, os produtores deixarão de ganhar, porque as vagens irão se desprender com mais facilidade e ficar no solo. Por outro lado, se colhidas ainda imaturas, as vagens perdem qualidade.

E é aí que entra nosso trabalho. Com o método que estamos propondo, os produtores de amendoim não terão mais a necessidade de arrancar plantas e classificar vagem por vagem. Eles terão a opção de monitorar de forma remota as suas lavouras e o avanço da maturação dos seus campos, baseados em modelos de inteligência artificial que utilizam índices de vegetação como parâmetro. No entanto, ressaltamos que nosso trabalho não tira a necessidade de inspeções esporádicas ao campo.

Qual a importância de fazer parte dos seus estudos no exterior?
O financiamento da CAPES por meio do PDSE foi, sem dúvida, um divisor de águas na minha vida profissional. Desenvolver parte da minha pesquisa em uma das universidades que mais investiga sobre amendoim, me enriqueceu muito. Além disso, tive oportunidade de conhecer e interagir com outros pesquisadores de todo o mundo. Participar do PDSE me deu também a oportunidade de apresentar os resultados preliminares dos nossos estudos, de forma oral, na 12ª Conferência Europeia sobre Agricultura de Precisão, realizada em Montpellier, França.

Fonte: Capes

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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