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Macacas vivem grudadas em seus filhotes, mas podem rejeitá-los

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O macaquinho não desgruda da mãe ou é a mãe que não desgruda do macaquinho? Sempre juntos, as macacas Rhesus e seus filhotes que moram no Macacário do Instituto Butantan esbanjam apego e proteção, naquele famoso grude que vemos entre mãe e bebê, e que nos impede de dar uma resposta objetiva para esta pergunta.

Os abraços intermináveis entre eles também são por comodidade: bem próximos das tetas, os filhotes famintos aproveitam para mamar quase o tempo todo e para se aquecerem junto ao ventre, o que melhora a saúde e o vínculo entre os primatas. Neste Dia das Mães, descobrimos o que faz o vínculo entre macacas e filhotes tão curioso. Veja algumas destas características.

Mãe carinhosa

“Os filhotes ficam praticamente 24 horas coladinhos na mamãe. Conforme vão crescendo e ficando mais pesados, passam a ser carregados pelo dorso até começarem a escalar sozinhos, por volta dos seis meses de vida, que é quando passam a se distanciar das mães”, explica a médica veterinária e responsável técnica pelo Macacário, Glaucie Jussilane Alves.

Outro hábito comum entre os primatas é a catação, espécie de cafuné feito para retirar sujeirinhas da pele, mas que também reforça o vínculo entre mãe e filho. Tanto que é adotado também entre casais de macacos como uma demonstração de carinho.

“A catação é muito importante entre mãe e filhote, porque é um cuidado, uma limpeza na pele, mas também é importante para mostrar a coesão, o elo entre eles”, afirma a veterinária.

Durona, mas sem perder a ternura

Tanto carinho não retira a autoridade das macacas, definida no mundo animal pelo conceito de dominância, quando são escolhidos os machos e fêmeas que comandam o bando, sendo os machos os donos do topo da hierarquia.

Os dominantes chegam ao posto após vencerem lutas com outros macacos, que se tornam submissos. Vitoriosos, passam a ter regalias: são os primeiros a comer e os mais desejados para acasalamento e procriação, período que dura de março a setembro, com gestações de 180 dias e boa parte dos nascimentos entre dezembro e janeiro. O tratamento diferenciado se mantém entre as grávidas e seus filhotes.

“As mães ensinam logo cedo que o filhote dominante come primeiro e eles aprendem que precisarão esperar caso não seja um deles”, afirma Glaucie.

As mães são dominantes perante os filhos até eles ultrapassarem o tamanho de suas genitoras, criando-se assim uma hierarquia com base na força e que influencia a relação entre mães e filhotes, explica a veterinária.

“À medida que os filhotes vão crescendo, vão ficando mais independentes porque já escalam com facilidade e comem alimentos sólidos, e, assim, vão sobrepondo a autoridade sobre suas mães. Neste momento, até irmãos mais novos começam a lutar por dominância sobre os irmãos mais velhos”, comenta.

A que rejeita e a que acolhe

A demonstração de afeto nem sempre é regra entre as macacas e os seus filhotes. A maioria delas tende a ser superprotetora, mas algumas podem rejeitar seus bebês, por motivos que a ciência ainda tenta descobrir. Quando isso ocorre, a equipe do Macacário assume o papel de mãe, e oferece leite na mamadeira, chupeta e muito colinho para suprir a carência, em um processo de adaptação específico.

“Geralmente as macacas acolhem, são apaixonadas por seus filhotes. Mas também, como acontece com os humanos, algumas os rejeitam, e nós acolhemos e os deixamos em uma área longe dos outros animais maiores por um tempo até se adaptarem.”

Quem passou por isso recentemente foi a macaquinha Gracinha, nascida em dezembro do ano passado, com direito a um chá revelação que celebrou sua chegada. Cuidada diretamente pela equipe do macacário, após ser rejeitada pela mãe, Gracinha até hoje fica eufórica quando vê a veterinária, pulando em seus ombros em tom de brincadeira. Como instinto, a macaquinha aceita os comandos da médica e a identifica mesmo quando ela está coberta pelo jaleco, máscara e touca.

“Acho que é porque a gente cuidou dela desde que nasceu e ela se apegou. Existe uma pediatria de primatas não humanos, com uma sequência de trabalhos nos Estados Unidos mostrando dados dessa especialização, que adotamos neste cuidado aqui no Butantan.”, ressalta.

Filhotes mantêm os padrões

Três novos filhotes nasceram no Macacário em janeiro. Um deles é Chiquinha, uma macaquinha espevitada que mesmo não rejeitada, vive colada em outra macaca que não é a sua mãe. A disputa pelo colo é inusitada, mas a coitada da Chiquinha sempre perde, porque, como esperado, o outro filhote não desgruda do peito para garantir as mamadas em livre demanda.

Chiquinha demonstra ser fiel aos comandos de Gracinha, mais um indicador do padrão de dominância, mesmo entre os filhotes. Tanto que enquanto Gracinha se aproxima de Glaucie, ela só observa do alto, como se esperasse sua vez.

Os 63 primatas que vivem no Macacário são descendentes de uma colônia de macacos Rhesus trazidos da Índia para o Butantan em 1929. Todos do atual bando nasceram no instituto e hoje vivem em famílias dentro do viveiro de 236 metros quadrados, repleto de vegetação, um pequeno lago, balanços, cordas e uma roda de atividades própria para os macacos escalarem e se pendurarem à vontade – tudo certificado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Associação Mundial de Zoos e Aquários.

Comilões, os macacos consomem mais de 600 kg de frutas e vegetais por semana – 300 kg de bananas, 120 kg de melancia, 50 kg de laranja, 50 kg de pimentão, 60 kg de tomate, 60 kg de abobrinha, 30 kg de maracujá, entre outros vegetais, além de ovos. A dieta saudável lhes permite viver por volta de 30 anos em viveiros, o dobro do que costumam viver na natureza. A macaca Rhesus mais velha do Macacário tem 34 anos e já teve 11 filhotes – uma mãe e tanto.

Fonte: https://butantan.gov.br

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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