Tecnologia

Energia de fusão: a evolução milionária da energia nuclear que desperta interesse em todo o mundo

Pesquisadores de diferentes países realizam testes para conquistar a produção de energia limpa e ilimitada

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A busca por fontes de energia limpa, que não agridam o meio ambiente e não tornem escassos os recursos naturais, tem promovido uma corrida entre cientistas de todo o mundo. A novidade mais recente estudada pelos laboratórios é o processo de fusão nuclear, uma possibilidade de alcançar uma geração de energia ilimitada.

Considerada limpa, a energia nuclear não emite gases do efeito estufa — como o dióxido de carbono (CO₂) — nem causa impactos ao meio ambiente. Segundo os dados mais recentes da World Nuclear Association (WNA), 14% da eletricidade mundial é produzida por meio dela. Os principais países consumidores são Estados Unidos, França, Japão, Rússia e Coreia do Sul.

Até o momento, o processo utilizado para a produção de energia nas usinas nucleares é o de fissão, em que o núcleo do átomo é dividido em partículas. O que cientistas têm estudado é a geração de energia limpa por meio da fusão nuclear, que consiste na união de dois ou mais núcleos para a formação de um novo elemento. 

Vários experimentos estão sendo realizados por pesquisadores de diferentes países com o intuito de alcançar uma fusão nuclear em maiores proporções, capaz de liberar uma quantidade maior de energia.

Em agosto do ano passado, o National Ignition Facility (NIF), instituto científico localizado na Califórnia (EUA), anunciou avanços na pesquisa. No teste realizado naquele mês, pesquisadores obtiveram 1,35 Megajoules (MJ) de energia, ficando mais próximo da meta de superar 1,9 MJ.

Em abril deste ano, o laboratório JET, no Reino Unido, também informou avanço nos testes de fusão nuclear. Os estudos realizados na unidade de pesquisa alcançaram uma geração de energia que corresponde a mais do que o dobro alcançado com testes semelhantes realizados na década de 1990.

Na Universidade de Oxford, também no Reino Unido, físicos criaram uma técnica para a obtenção de energia por fusão nuclear. Para isso, a equipe construiu um reator de fusão com um laser para o lançamento de um projétil em um alvo que contém o combustível. O impacto é suficiente para gerar o processo.

Vantagens e desvantagens

A obtenção de energia por meio da fusão nuclear é um caminho à tão sonhada fonte de energia limpa e ilimitada que o mundo almeja para reduzir os impactos ambientais, como o aquecimento global e a redução de recursos naturais.

Para as empresas, essa conquista também representa a oportunidade de incrementar os lucros e entrar no radar dos investidores. De acordo com o grupo de pesquisa BloombergNEF, empresas do ramo localizadas na Europa e na América do Norte conquistaram US$ 300 milhões em investimentos privados.

Se por um lado a produção de energia por meio da fusão nuclear cria a expectativa de soluções ambientais e oportunidades comerciais, por outro há desafios a vencer. Para especialistas da área ambiental, o primeiro deles é a questão temporal, enquanto os estudos sobre fusão nuclear precisam avançar mais, há urgência em combater o aquecimento global.

Outro desafio é promover uma gestão eficiente e segura das usinas a fim de evitar catástrofes como as que aconteceram em Chernobyl, na Ucrânia (1986), e em Fukishima, no Japão (2011).

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