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Há um ano, Seleção Olímpica conquistava a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio

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Ciclo olímpico terminou com bicampeonato dourado e ajudou a desenvolver jogadores para a Seleção Principal rumo à Copa do Mundo do Catar.

Dezenove anos depois, o torcedor brasileiro voltou a acordar cedo para acompanhar uma decisão da Seleção Brasileira lá do outro lado do mundo. No dia 7 de agosto de 2021, o Estádio de Yokohama, mesmo palco do pentacampeonato em 2002, em Tóquio, no Japão, recebia uma atrevida seleção olímpica para sua segunda final seguida de Olimpíada. Desta vez, a adversária era a Espanha. O Brasil chegava amparado em sua campanha invicta e no futebol consistente e ofensivo apresentado durante toda competição. Já os espanhóis apostavam as fichas no grupo de atletas que havia decidido a Eurocopa dois meses antes. 

Como esperado, o jogo foi muito difícil e estudado. Seria resolvido nos detalhes. A Seleção Olímpica foi melhor na partida. Conseguiu criar boas situações no ataque. Teve um pênalti marcado a seu favor ainda no primeiro tempo, mas desperdiçado pelo artilheiro do torneio àquela altura: o camisa 10 Richarlison, com 5 gols.

Em seguida, abriu o placar com Matheus Cunha. No segundo tempo, a Espanha equilibrou as ações e empatou o duelo. Aos 4 minutos do segundo tempo da prorrogação, o Brasil garantiu o título sobre os espanhóis com gol de Malcom. O camisa 17 havia entrado para dar fôlego ao time nos últimos minutos. A estratégia deu certo. Um detalhe que fez diferença para a Amarelinha e costurado bem antes de o torneio de futebol olímpico começar. Você vai entender ao final deste texto.

Aquela manhã de sábado entrou para a história da camisa mais pesada do futebol mundial. A partir daquele momento, a Seleção ostentaria sua segunda medalha de ouro seguida, igualando o feito dos vizinhos sul-americanos Uruguai e Argentina.  

Seleção Olímpica enfrentou a Espanha no Estádio de Yokohama, na final da Olimpíada de Tóquio 2020

Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram diferente de tudo que o mundo havia vivenciado anteriormente no esporte.  

Excepcionalmente, a edição foi realizada um ano depois da data prevista por causa da pandemia mundial de Covid-19. A mudança no calendário obrigou a organização a liberar que jogadores até 24 anos fossem inscritos para a disputa do torneio de futebol masculino. Além disso, FIFA e COI autorizaram a inscrição de mais quatro jogadores por delegação. Todos os jogos foram realizados sem a presença de torcedores. Um rigoroso sistema de monitoramento e testagem dos profissionais envolvidos nas partidas foi adotado para garantir a segurança sanitária e de proteção contra o vírus. 

Em 17 de junho de 2021, André Jardine convocou o grupo final para os Jogos de Tóquio. Até o anúncio dessa lista, o treinador comandou sete etapas de preparação, testou 71 jogadores em 23 jogos preparatórios. A convocação definitiva ficou assim: 

GOLEIROSLATERAISZAGUEIROSMEIO CAMPISTASATACANTES
Santos*Dani Alves*Diego Carlos*Douglas LuizMatheus Cunha
BrennoGabriel MeninoNinoBruno GuimarãesPaulinho
LucãoAranaRicardo GraçaMatheus HenriqueAntony
 AbnerBruno FuchsClaudinho Martinelli
   ReinierRicharlison 
    Malcom

*Atletas acima dos 24 anos 

O trabalho de desenvolvimento e preparação deste grupo acima começou em 2019. O Torneio de Toulon marcou a abertura do projeto olímpico. O Brasil venceu aquela competição, e André Jardine, então treinador da Seleção Sub-20, assumiu de vez o grupo sub-23. Com jogadores nascidos entre os anos de 1997 e 2000, Jardine abriu espaço para atletas promissores do último ciclo sub-20 da Seleção Brasileira e acompanhou jogadores que destacavam-se em suas equipes profissionais dentro e fora do país. 

Neste processo, o ciclo olímpico também contribuiu com a Seleção Brasileira Principal. O técnico Tite convocou 22 jogadores do projeto Tóquio 2020 para a disputa das Eliminatórias Sul-Americanas: Lucas Paquetá, Vini Jr, Rodrigo, Emerson Royal, Renan Lodi, Gabriel Magalhães, Ivan, Gerson, David Neres, Artur, Phelipe Megiolaro, Matheus Cunha, Antony, Arana, Bruno Guimarães, Martinelli, Matheus Henrique, Gabriel Menino, Claudinho, Douglas Luiz, Malcom e Richarlison. 

A Seleção Olímpica abriu espaço para jogadores que o torcedor viu muito pouco nos gramados brasileiros. É o caso de Matheus Cunha e de Antony. O camisa 9 no Japão, hoje no Atlético de Madrid, foi o artilheiro do Seleção Olímpica, com 21 gols marcados em dois anos de preparação. Já Antony transferiu-se para o Ajax após bons jogos na equipe principal do São Paulo e, após atuações de destaque vestindo a Amarelinha no ciclo olímpico, vem figurando nas convocações recentes de Tite.

Nas duas últimas convocações do técnico Tite para a Seleção Principal, foram chamados 9 jogadores do processo olímpico. 

A Olimpíada de Tóquio também confirmou a sina de Dani Alves para a vitória. Atleta com mais conquistas individuais no futebol, o experiente camisa 13 do Brasil somou mais um título inédito em sua galeria. O lateral direito foi o capitão do time e apresentou excelente forma e muita disposição para representar o país. Foi peça fundamental no esquema do técnico André Jardine. Dedicado, disciplinado e agregador, Dani conquistou rapidamente o grupo e inflamou o time dentro e fora de campo. 

Se a convocação de Dani Alves foi cirúrgica para a conquista do bicampeonato olímpico, a do autor do último gol brasileiro, Malcom, ganhou um contorno dramático. O camisa 17 foi convocado na lista inicial de André Jardine. O clube do jogador, no entanto, não queria liberar o atleta antes da disputa das fases finais do campeonato russo. Malcom então foi desconvocado. Às vésperas do embarque para o Japão, quando o time ainda se preparava em São Paulo, o meia Douglas Augusto, do PAOK, sofreu lesão e precisou ser substituído. 

Seleção Olímpica enfrentou a Espanha no Estádio de Yokohama, na final da Olimpíada de Tóquio 2020

Em negociação com o clube russo, a coordenação da Seleção Olímpica conseguiu a liberação de Malcom novamente, com o jogador podendo se apresentar após o último jogo decisivo do clube. O atacante então voltou para a lista. Juntou-se ao grupo no Japão. Marcou o último gol do Brasil na campanha. Fez história. 

Campanha Seleção Olímpica – Tóquio 2020:

Brasil 4 x 2 Alemanha
Gols: Richarlison (3x) e Paulinho

Brasil 0 x 0 Costa do Marfim

Brasil 3 x 1 Arábia Saudita 
Gols: Richarlison (2x) e Matheus Cunha

Brasil 1 x 0 Egito
Gol: Matheus Cunha

Brasil 0 (4) x (1) 0 México  

Brasil 2 x 1 Espanha 
Gols: Matheus Cunha e Malcon

PROJETO OLÍMPICO BRASIL TÓQUIO 2020

71 atletas convocados durante a preparação para Tóquio 2020
(Nascidos em 1997, 1998, 1999, 2000)

7 etapas de preparação
29 jogos realizados (Torneio de Toulon, Torneio Pré-Olímpico, Amistosos e Jogos olímpicos)
20 vitórias
5 empates
4 derrotas
67 gols marcados
25 gols sofridos
75% de aproveitamento

Fonte: CBF


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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