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Profissão em alta: técnicos em enfermagem podem ter novos salários em 2022

Categoria recebeu mais atenção devido ao combate à Covid-19, mas demanda pelo piso é de mais de 20 anos

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Voltada ao piso da Enfermagem, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n.º 11 de 2022 foi aprovada pelo Senado Federal e aguarda sanção presidencial. O texto define o piso salarial do enfermeiro, da parteira, do auxiliar e do técnico em enfermagem. A categoria recebeu mais atenção devido à atuação no combate à pandemia, mas a demanda pelo piso é de mais de 20 anos. 

A PEC 11/2022 procura garantir a segurança jurídica do projeto de lei (PL 2.594/2020),  que estabelece um piso salarial em nível nacional para a área. Isso significa dizer que todos os profissionais de enfermagem passam a ter um salário conforme o mínimo estabelecido na lei. 

Contratados em Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), enfermeiros contarão com piso de R$ 4.750; técnicos de enfermagem, de R$ 3.325; já auxiliares de enfermagem e parteiras, de R$ 2.375. 

Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), havia mais de 1,8 milhão de profissionais da área em 2013. Hoje, o quantitativo aumentou para mais de 2,6 milhões, entre técnicos, enfermeiros e auxiliares. Esse número representa um salto de mais de 47%. 

A onda de crescimento, contudo, não influenciou a alta nos salários desses trabalhadores. Atualmente, a maioria dos enfermeiros ganha cerca de R$ 3,5 mil. Técnicos de enfermagem e auxiliares recebem em torno de R$ 1,8 mil, de acordo com a plataforma de emprego Vagas. 

Importância do novo piso

Iniciativas como a PEC 11/2022 são importantes tanto para enfermeiros quanto para o país todo, que necessita de trabalhadores mais bem remunerados para exercer o seu trabalho. Nos sistemas público, filantrópico e privado de saúde, profissionais da enfermagem representam 60% da força de trabalho. 

A avaliação é do professor Pedro Palha, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP). Em matéria do Jornal da USP, o profissional abordou a relevância de uma política de formação dos profissionais para a melhoria da qualidade dos serviços da área. 

Palha lembra ainda que, por estar na linha de frente, a categoria foi a que mais adoeceu e morreu pela Covid-19. Além disso, é o profissional de enfermagem que permite que os serviços de saúde fiquem abertos e ativos para a população. 

Cresce procura por técnicos

O técnico de enfermagem é um dos profissionais mais procurados do mercado, conforme pesquisa feita pelo site de empregos Catho. Dados mostram que a busca por esse trabalhador cresceu 708% somente em 2020, com a pandemia. 

O portal Concursos Públicos e Empregos aponta que só os concursos atuais confirmados para técnicos de enfermagem somam quase 18 mil vagas. 

O curso técnico é uma opção de qualificação reconhecida e valorizada pelo mercado de trabalho. Com duração média de dois anos — metade do tempo que a maioria das graduações — a formação técnica reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) oferece as ferramentas necessárias para que o profissional atenda às demandas exigidas pelo setor.  

Profissão com alta empregabilidade no mundo

Existem 27,9 milhões de profissionais de enfermagem atuando no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Destes, 19,3 milhões são enfermeiros; os demais são técnicos ou auxiliares. Esse número é considerado insuficiente para atender à necessidade social, e a OMS estima um déficit de 5,9 milhões de trabalhadores.

Nesse cenário, governos ao redor do globo estão se mobilizando para recrutar mais gente e driblar o problema. O Reino Unido, por exemplo, planeja contratar 50 mil enfermeiros até 2024 para trabalhar no NHS (sigla em inglês do Sistema Nacional de Saúde britânico). O cálculo aponta que 12 mil profissionais virão de outras nações.

Já a Alemanha prevê o preenchimento de 300 mil vagas de enfermagem até 2030, inclusive com profissionais de fora do país. A fim de diminuir o processo de imigração desses profissionais de dois anos para seis meses, o ministro da Saúde, Jens Spahn, criou uma agência em 2019. 

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