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História

Maria Quitéria recebe a insígnia de cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro

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Passados os piores momentos das guerras de independência que aconteciam em algumas províncias do Brasil, d. Pedro I iniciou a premiação aos brasileiros que mais tivessem se destacado na defesa da causa no processo de Independência. Pelos serviços prestados durante a guerra de independência na Bahia, na reconquista de Salvador, o imperador concede a Maria Quitéria o direito de usar a insígnia de cavaleiro da Ordem do Cruzeiro, ressaltando os relevantes serviços prestados por alguém de seu “sexo”.

A Ordem Imperial do Cruzeiro foi criada em 1º de dezembro de 1822 por ocasião da Aclamação, Sagração e Coroação de d. Pedro I como imperador do Brasil. A ideia da ordem era perpetuar “épocas memoráveis” dos reinados, aumentar o modo de remunerar os serviços prestados pelos súditos do Império e beneméritos estrangeiros ao país e ao imperador, e demonstrar alto grau de estima e consideração do monarca. O nome da ordem foi escolhido por fazer alusão à posição geográfica do Império, onde se acha a constelação do Cruzeiro do Sul, e por ter sido o primeiro nome do Brasil – Terra de Santa Cruz. A ordem tinha cavaleiros, oficiais efetivos e honorários, dignitários efetivos e honorários, grã-cruzes efetivos e honorários. As ordens honoríficas eram um importante instrumento de suporte ao monarca e ao regime, funcionando como um mecanismo relevante de expressão do poder régio. Além de promover uma imagem de benevolência do imperador, tinha uma poderosa dimensão simbólica, representando um presente real, um símbolo da estima real, e auxiliava na sustentação da pirâmide e do imaginário social. “O motivo pelo qual se entende que essas elites podiam ser atraídas pelo recurso às Ordens era a existência do sentimento aristocrático vinculado ao imaginário do Antigo Regime, a despeito da circulação das ideias liberais. Apesar delas, as elites imperiais entendiam a sociedade como hierarquizada em categoriais que não podiam se misturar e as Ordens eram instrumentos que asseguravam o pertencimento aos estratos mais prestigiosos da sociedade.” (SILVA, Camila Borges da. As comendas honoríficas e a construção do Estado Imperial (1822-1831). In: Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH, São Paulo, julho 2011, p. 4.)

Maria Quitéria de Jesus (o sobrenome Medeiros ela adotou quando, passando-se por homem, se alistou no exército) tinha aproximadamente 30 anos quando deixou a fazenda de seu pai, na região do Recôncavo Baiano para voluntariar-se no Exército Pacificador, reunido na vila de Cachoeira, formado por milícias das vilas que se voltaram contra a Junta Governativa da Bahia, alinhada com as Cortes Portuguesas. Natural da freguesia de São José das Itapororocas, hoje em Feira de Santana, Quitéria assentou praça vestida de homem e usando o sobrenome do cunhado que a ajudou, como soldado José Medeiros. Não é claro quando foi descoberta, mas aparentemente suas habilidades no manejo de armas a tornaram um elemento importante do exército, onde permaneceu mesmo depois de todos saberem que era mulher. Teve atuação importante, tanto que o general Labatut lhe concedeu as honras de 1º cadete no batalhão nº 3 do exército pacificador. Finda a guerra de independência na Bahia, Maria Quitéria rumou para o Rio de Janeiro, onde recebeu do imperador a insígnia de cavaleiro da recém-criada Ordem Imperial do Cruzeiro, e um soldo de alferes. Na Corte teve a oportunidade de conhecer a viajante escritora Maria Dundas Graham, que a descreve em seu livro Diário de uma viagem ao Brasil (Journal of a voyage to Brazil and residence there during part of the 1821, 1822, 1823.  London: Longman Group Limited, 1824). Pouco se sabe sobre a vida de Maria Quitéria depois de sua participação no exército, mas aparentemente morreu pobre e no anonimato. Hoje é Patrona do Exército Brasileiro.

Transcrição

Querendo conceder a D. Maria Quitéria de Jesus Medeiros um distintivo, que assinale os serviços militares, que com denodo, raro entre as mais do seu sexo, prestara à Causa da Independência deste Império na porfiosa Restauração da capital da Bahia: Hei por bem permitir-lhe o uso da Insígnia de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro. Paço em vinte de agosto de mil oitocentos e vinte e três, segundo da Independência, e do Império.

P.

João Inácio da Cunha

Fonte:  https://www.gov.br

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Joice Maria

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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