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Marcello Ciavaglia estreia no Time Brasil aos 45 e sonha ser ‘vovô-garoto’ do hipismo nos Jogos

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De origem humilde, cavaleiro enfrentou discriminação até ter reconhecimento e oportunidades no esporte.

No alto do pódio, Marcello Ciavaglia segurava orgulhoso sua primeira medalha pelo Time Brasil. Discriminado pela origem humilde e pela cor no início da carreira, hoje, aos 45 anos, ele vê o caminho finalmente aberto para dar saltos ainda maiores no hipismo nacional. 

Marcelo é natural do Rio de Janeiro e na infância chegou a morar em um barraco construído junto a uma pedra na praia Macumba, no bairro do Recreio. Até hoje tem familiares que vivem na área, na comunidade do Terreirão, onde também morou no início da vida adulta. 

Quando os pais se separaram, aos 8 anos, ele optou por se mudar com o pai, Décio, para Miguel Pereira, na região serrana do estado, onde morava uma tia avó. O pai se desdobrava entre quatro empregos e, para ocupá-lo, o inscreveu em todas as atividades a que teve acesso: inglês, piano, taekwondo e equitação.

Marcello, ainda criança, ao lado de um cavalo. Foto: Arquivo pessoal

As aulas gratuitas num haras da região foram conseguidas pela amizade com o dono do local. Mas tanto Marcello quanto Décio também ajudavam com atividades por lá para retribuir. O menino montava camas, servia água e ração para os animais desde cedo. E o pai ajudava como tratador em diversas viagens.

“Acho que até o que me destaca dos outros é meu conhecimento dos cavalos, do que eles precisam. Meu contato sempre foi montado e desmontado, então passava muito mais tempo com eles (cavalos) do que qualquer outro jinete. Então você vê que um infortúnio às vezes também traz uma benção maior.”

Marcello deu aulas de equitação para crianças, foi montar na Itália, e só depois dos 30 anos sentiu as portas começarem, de fato, a se abrirem. Pelo Haras RJ, com o apoio de Roberto Jessourun, passou a competir em todo o Brasil.  

“Meu início de carreira foi muito difícil. Como vinha de uma classe social diferente, como a cor da minha pele não era igual a dos outros, você sofre uma certa discriminação por não ser igual. Mas alguns profissionais mais antigos viram meu potencial e me deram muita força.” 

Marcello zerou o percurso na segunda rodada da final por equipes. Foto: Gaspar Nóbrega/COB.

“As pessoas que queriam ter aula e que patrocinavam nunca me deram chance. Fiquei na cerca olhando as provas durante muito tempo e ninguém me dava chance. Segui no esporte porque sou apaixonado. O apoio do Roberto Jessourun foi fundamental para eu ter visibilidade.”

Para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020, já com destaque para integrar a seleção nacional, Marcello não realizou o sonho de conquistar a classificação olímpica. Mas mantém a fé de que pode chegar ao grande palco do esporte representando o Brasil. Neste domingo (9) ele foi peça importante na conquista por equipes dos Jogos Sul-americanos Assunção 2022. Cometeu apenas uma falta na primeira volta da final, e fez um percurso limpo na segunda.

“Espero que estes Jogos Sul-americanos sejam a primeira de muitas competições pelo COB. Nunca é tarde para sonhar, ainda mais no nosso esporte, em que dá para montar até mais velho. Quem sabe não vou ser um vovô-garoto nas Olimpíadas?”.

A equipe brasileira no alto do pódio por equipes do hipismo saltos em Assunção 2022. Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Fonte: COB


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.

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