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Política

Presidentes eleitos que não assumiram o cargo

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Vencer uma eleição é motivo de alegria para um político, quanto mais para o cargo máximo da nação. Mas isso não garante assumir o cargo, vários fatores podem impossibilitar a posse de um presidente eleito, e no Brasil já aconteceu isso em 3 oportunidades.

Conheça agora os presidentes eleitos que não tomaram posse no Brasil:

Rodrigues Alves

Francisco de Paula Rodrigues Alves foi um advogado e político brasileiro, conselheiro do Império, presidente da província de São Paulo, presidente do estado de São Paulo, ministro da fazenda e quinto presidente do Brasil.

Governou São Paulo por três mandatos: entre 1887 e 1888, como presidente da província, como quinto presidente do estado de 1900 a 1902 e como nono presidente do estado de 1912 a 1916.

Elegeu-se duas vezes presidente da República, cumprindo integralmente o primeiro mandato (1902 a 1906), mas faleceu antes de assumir o segundo mandato (que deveria se estender de 1918 a 1922).

Julio Prestes

Júlio Prestes de Albuquerque foi um advogado, fazendeiro, poeta e político brasileiro.

Filho do quarto presidente do estado de São Paulo, Fernando Prestes de Albuquerque, e Olímpia de Santana, foi casado com Alice Vianna. Foi o último presidente do Brasil eleito durante o período conhecido como República Velha, mas, impedido pela Revolução de 1930, não assumiu o cargo. Júlio Prestes foi o único político eleito presidente da República do Brasil pelo voto popular a ser impedido de tomar posse. E, até a eleição de Jair Bolsonaro, havia sido o último paulista a ser eleito presidente da República.

Após a deposição de Washington Luís, Júlio Prestes, já de regresso ao Brasil, pediu asilo ao Consulado britânico. Viveu no exílio até 1934, quando retornou ao Brasil após a reconstitucionalização do país, passando a dedicar-se ao cultivo do algodão em sua Itapetininga natal, na fazenda Araras, de seu pai, o Coronel Fernando Prestes.

Tancredo Neves

Tancredo de Almeida Neves foi um advogado, empresário e político brasileiro, tendo sido o 33.º primeiro-ministro do Brasil (o primeiro do período republicano) e presidente da república eleito, porém não empossado.

Tancredo havia se submetido a uma agenda de campanha bastante extenuante, articulando apoios do Congresso Nacional e dos governadores estaduais, viajando ao exterior na qualidade de presidente da República. Tancredo vinha sofrendo de fortes dores abdominais durante os dias que antecederam a posse. Aconselhado por médicos a procurar tratamento, teria dito:

Façam de mim o que quiserem – depois da posse!

Tancredo temia que os militares da chamada “linha-dura” se recusassem a passar o poder ao vice-presidente. Decidiu só anunciar a doença no dia da posse, 15 de março, quando já estivessem em Brasília os chefes de Estado esperados para a cerimônia, com o que ficaria mais difícil uma ruptura política. A sua grande preocupação com a garantia da posse era respaldada pela frase que ouvira de Getúlio Vargas a esse respeito:

No Brasil, não basta vencer a eleição, é preciso ganhar a posse!

Adoeceu com fortes e repetidas dores abdominais durante uma cerimônia religiosa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, na véspera da posse em 14 de março de 1985. Foi, às pressas, internado no Hospital de Base do Distrito Federal. Tancredo disse a seu primo Francisco Dornelles, indicado à época para assumir o Ministério da Fazenda, que não se submeteria à operação caso não tivesse a garantia de que Figueiredo empossaria Sarney. Dornelles garantiu ao primo que Sarney seria empossado. As articulações para a posse de Sarney, de acordo com informações compiladas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), já estavam, naquele momento, sob a condução do então presidente da Câmara Ulysses Guimarães (PMDB-SP) e do ex-ministro-chefe da Casa Civil Leitão de Abreu.

Devido às complicações cirúrgicas ocorridas — para o que concorreram as péssimas condições ambientais do Hospital de Base do Distrito Federal, o qual estava com a Unidade de Tratamento Intensivo demolida, em obras —, o estado de saúde se agravou, tendo de ser transferido em 26 de março para o Hospital das Clínicas de São Paulo. Um dia antes da transferência, foram divulgadas fotos de Tancredo no hospital, que deram a impressão de que ele estava melhorando, mas horas depois veio a notícia de que Tancredo estava com uma grave hemorragia. Em São Paulo, já muito debilitado e sofrendo.

Durante todo o período em que ficou internado, Tancredo sofreu sete cirurgias. No entanto, em 21 de abril, Tancredo faleceu, aos 75 anos. A morte de Tancredo foi anunciada à população pelo então porta-voz oficial da presidência Antônio Britto.

Referencias:

FRANCO, Afonso Arinos de Melo (2001). Rodrigues Alves: Apogeu e Declínio do Presidencialismo. Brasília: Senado Federal

«Câmara aprova inclusão de Júlio Prestes entre os presidentes da República – Notícias»Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 26 de agosto de 2021

NEVES, Tancredo, Perfis parlamentares – Tancredo Neves, Editora Câmara dos Deputados, 2001.


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Wesley Lima

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.

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