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Bicentenário

A Politização militar no Grão-Pará

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No tempo em que permaneceram no território francês, as tropas paraenses tiveram acesso à grande parte dos livros, folhetos e jornais que circulavam na região. Com o passar do tempo, as ideias iluministas de liberdade e igualdade fizeram a cabeça desses militares a ponto de questionarem o alistamento obrigatório e as péssimas condições a que estavam submetidos durante a ocupação. Além disso, boa parte da população livre de Caiena era composta por homens de cor, como eram denominadas as populações não brancas à época. Esse contato resultou em uma identificação de mestiços, mulatos e tapuios das tropas do Grão-Pará com os colonos franceses, de tal sorte que passaram a questionar a própria realidade e condição de trabalho.

A princípio os homens estacionados na Guiana iniciaram pequenas contestações referentes ao pagamento de soldos em atraso, à escassez alimentar, à falta de rodízio entre os membros das tropas e aos castigos arbitrários durante a ocupação militar. Em 9 de junho de 1809, os soldados se rebelaram e colocaram em xeque as ordens do Governador-Geral do Grão-Pará. Dois anos mais tarde, outro levante militar de baixa patente tentou a tomada de poder, colocando novamente à mesa as reinvindicações contra os castigos físicos e a vida precária das tropas, além de se posicionar contra o alistamento militar obrigatório. No mesmo ano, mais um levante ainda tentaria derrubar os oficiais superiores e estabelecer um governo de aliança com os franceses.

Todas as revoltas foram sufocadas pelo governo e poucas medidas foram tomadas para melhorar as condições dos soldados. Ao contrário, em 1814 o governo esticou a corda com a determinação para que todos os indígenas moradores próximos às companhias militares fossem alistados compulsoriamente. No mesmo ano, um “partido de índios” no interior da Guiana, formado por tapuios dissidentes, denunciou as condições precárias dos indígenas, sendo rapidamente reprimidos. Quando finalmente voltaram para casa em 1817, com a devolução da Guiana à França, as tropas portuguesas não se mostravam apenas descontentes com a administração da capitania: elas voltavam com uma relevante experiência de organização política. Não por acaso, quando o Grão-Pará aderiu à Revolução Liberal do Porto de 1820, os principais agitadores saíram das fileiras militares.

Fonte: http://projetorepublica.org

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Joice Maria Ferreira

Colunista associada para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre as atualidades sócio-políticas e econômicas da região.

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